POLE POSITION

Resenha de Interlagos

Por: Sérgio Magalhães | Categoria: Esporte | 18-11-2017 09:11 | 23820
Momento especial em que  Jackie Stewart chega de surpresa na  entrevista que este colunista e um grupo  de colegas fazia com Emerson Fittipaldi
Momento especial em que Jackie Stewart chega de surpresa na entrevista que este colunista e um grupo de colegas fazia com Emerson Fittipaldi Foto de Sergio Magalhães

Colegas de imprensa que cobrem o GP do México desde 2015, quando o país voltou a fazer parte do calendário da Fórmula 1, relatam as semelhanças com o Brasil. O  trânsito caótico e a insegurança da Cidade do México não diferem dos problemas de São Paulo, e até a região onde se localiza o Circuito Hermanos Rodriguez é parecida com a de Interlagos, longe de ser dos lugares mais bonitos e seguros. Mas quem vai à corrida se sente menos vulnerável na metrópole mexicana do que na paulista.
Lá, como cá, sempre divide opiniões entre os profissionais que trabalham com a Fórmula 1. Uma das reclamações é com a falta de segurança, embora no México não tenha havido relatos de violência contra integrantes da categoria, como em Interlagos. A polícia dá conta do recado, “havia tantos policiais nas redondezas, e dentro do autódromo, que até pareceu exagero”, contou-me uma colega.
Os assaltos e tentativas entre as noites de sexta-feira e do domingo contra Vans que transportavam integrantes das equipes Mercedes, Sauber, também da Federação Internacional de Automobilismo, e da Pirelli na saída do Autódromo de Interlagos, quando o pessoal retorna para o hotel, geraram medo, apreensão e uma carga negativa na imagem do país lá fora. Felizmente ninguém se feriu, apesar de armas terem sido apontadas para a cabeça de alguns – houve até relatos de tiros. E mesmo com tudo que foi falado, pedido, e prometido, a insegurança levou a direção da Pirelli, e da McLaren, a cancelar – por medo – os dois dias de testes de pneus que fariam em Interlagos visando a próxima temporada. 
É vergonhoso que tudo isso tenha acontecido aqui. Todos os anos é a mesma coisa, mas desta vez o número de ocorrências extrapolou. E não seria nenhum bicho de sete cabeças para a polícia coibir esses assaltos; bastaria, como no México, manter o contingente de policiais nas ruas. O caminho do autódromo para os hotéis passa pela Avenida Interlagos – onde acontece a maioria dos assaltos, principalmente em semáforos – e normalmente os mecânicos das equipes trabalham até por volta das 22h. Terminado os treinos, ou a corrida, uma grande parte dos policiais em serviço batem em retirada deixando o pessoal da Fórmula 1 e jornalistas que também trabalham até mais tarde, à mercê da sorte.
Tais episódios não tiram a Fórmula 1 de São Paulo. Já há inclusive movimentações entre os organizadores do GP do Brasil e do grupo Liberty Media, dono dos direitos comerciais da Fórmula 1, para que o contrato seja estendido após 2020, quando termina o atual, ainda que pese a insistência do prefeito de São Paulo em privatizar o Autódromo de Interlagos. Isso sim, gera incertezas quanto ao risco de a Fórmula 1 sair da capital paulista.
Sobre a violência, João Doria disse que “a privatização traria mais segurança para a Fórmula 1 em São Paulo”, o que na leitura deste colunista não faz sentido já que a violência acontece do lado de fora do autódromo, e não em seu interior. E quais investimentos faria um potencial comprador de Interlagos para manter a ordem do lado de fora onde é de responsabilidade do poder público?
O Jornal do Sudoeste mais uma vez cobriu o GP do Brasil. Foram dias intensos, no bom sentido da expressão, em Interlagos, de muito aprendizado dividindo a sala de imprensa com jornalistas do mundo inteiro. A cereja do bolo foi quando eu e um grupo de colegas entrevistávamos Emerson Fittipaldi e, de repente, uma pausa com a chegada de ninguém menos que ‘Sir’ Jackie Stewart, lenda viva da Fórmula 1, tricampeão mundial em 1969/71/73 para descontração geral. “Ele foi uma pedra no meu sapato”, disse Emerson. Este foi um momento especial que vivi em Interlagos.