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Susana de Paula de Souza: uma profissional que acredita sempre no melhor da vida

Por: João Oliveira | Categoria: Entretenimento | 26-12-2017 10:12 | 15405
Susana assessorou a Cooparaíso por 20 anos e hoje faz a assessoria da Prefeitura
Susana assessorou a Cooparaíso por 20 anos e hoje faz a assessoria da Prefeitura Foto de Denis Menezes

A jornalista Susana de Paula Souza, aos 41 anos, já passou por diversos momentos difíceis na vida, mas como todo bom brasileiro, nunca deixou de acreditar no melhor que a vida poderia oferecer. Sempre soube aproveitar muito bem as oportunidades que surgiram e nunca deixou de agradecer a Deus por isso. Tendo sido órfã muito cedo, criou-se em meio a família de Dante Giubilei a quem ela tem em alta conta, e que diz que a acolheram com muito amor e caminho. Susana, casada com Adilson Antônio, é filha do cearense José Siqueira Souza e de Geralda de Paula Souza, ambos falecidos, e tem duas irmãs mais velhas, a Valéria e Adriana. Apesar dos percalços, ela nunca deixou de acreditar em si e hoje vive um momento ótimo em sua vida: o filho Victor Antônio. É com muito carinho e agradecida pela vida que ela compartilha conosco a sua história.




Jornal do Sudoeste: Você não é natural de Paraíso?
Susana de Paula Souza: Não, sou natural de São Paulo, capital. Minha mãe foi embora daqui de Paraíso, igual todas as minhas tias, para trabalhar como emprega doméstica em grandes mansões em São Paulo. Ela era daqui mesmo, de Paraíso, família dos Marques. Então, tanto ela quanto minhas tias foram para lá para trabalhar como domésticas e ficaram morando por lá. Quando eu vejo aquele filme “que horas ela volta”, que conta a história de uma mulher que se mudou para São Paulo para trabalhar como doméstica com o intuito de proporcionar melhores condições de vida para a filha, eu vejo a história da minha família. Eu tive uma tia que também foi para lá e deixou os filhos para trás, então é uma história muito parecida. Minha mãe era empregada doméstica, fazia faxina em um apartamento e meu pai era zelador, então os dois se conheceram e se casaram. 




Jornal do Sudoeste: E como foi a infância morando em São Paulo?
Susana de Paula Souza: Foi uma infância complicada. Eu morava em Itaquaquecetuba, bem periferia de São Paulo, meus pais passaram muitas dificuldades, meu pai foi alcoólatra e com seis anos eu tive que enfrentar tudo isto. Quando você está vivenciando aquilo, você não percebe toda a carga emotiva que aquilo carrega. Porém, toda a família do pai era do Ceará, era um povo alegre, barulhento e muito passional, então foi uma infância difícil, mas eu ainda hoje carrego essa energia comigo, que foi muito calorosa e cheia dessas emoções. Eu costumo brincar que eu sou do Ceará e tenho muito orgulho de carregar um pouco desse sangue. Meu pai veio de lá para São Paulo com 18 anos em pau de arara, então ouvi toda aquela história de dificuldade do povo nordestino que sai do sertão cearense para tentar a vida aqui. Lembro-me vagamente dele dizer que comeu carne aos 18 anos.




Jornal do Sudoeste: Não foi fácil enfrentar isso...
Susana de Paula Souza: Não. Foi uma infância difícil. Meu pai morreu por decorrência do alcoolismo eu tinha nove anos à época. Minha mãe ficou viúva, com três filhas pequenas, tendo que arcar com toda aquela responsabilidade, e quando eu fiz 12 anos ela decidiu voltar para Paraíso. Então, uma tia minha arrumou uma casa em uma fazenda daqui da região, na Queimada Velha, e minha mãe veio ser cozinheira dessa fazenda. Quando fez oito meses que já vivíamos aqui, ela também faleceu, vítima de uma meningite bacteriana, ficou 10 dias internada, foi uma fase bem sofrida, bem dolorosa e complicada.




Jornal do Sudoeste: E o que aconteceu com vocês depois disto?
Susana de Paula Souza: Minhas irmãs foram morar com nossa tia e eu com a minha avó. A família não estava preparada para aquilo. Então, com 12 anos fui trabalhar como babá da filha da Norma Perroni, a Yohana Angélica, e com 14 anos foi ser babá na casa do Dante Giubilei e da Rosicler, filha do Zé da Franca, e fiquei morando lá até os meus 26 anos. Eu fiquei órfã muito cedo, porém eu dei chance à vida para que fosse acolhida em outro lar. Tanto que considero o Dante e Rosicler meus pais. O Dante entrou comigo na Igreja, meu filho o chama de vovô e ela de vovó e os filhos deles se tornaram meus irmãos. Trabalhei com eles até os 18 anos e disse a mim mesma que não iria trabalhar como babá o resto da vida, queria algo mais. Foi quando decidi estudar Publicidade e Propaganda na USP e fui embora para São Paulo, morar com umas tias.




Jornal do Sudoeste: Impulsivo, assim?
Susana de Paula Souza: Sim. Eu tinha acordado cedo e falei para o Dante: “Eu não quero ser babá para o resto da vida, não. Eu estou indo embora para São Paulo”. Enchi uma bolsa com livros e cadernos e fui prestar o cursinho da Politécnica. Fui muito impulsiva? Fui. Fiquei lá, acabou que não deu certo de eu passar na Usp e em um telefonema o Dante pediu para eu voltar, que aquela era a minha casa. Disse para eu arranjar um emprego e um cursinho para fazer aqui e foi o que fiz. Voltei e continuei morando na casa deles até fazer 26 anos, quando eu tive condições de ir morar sozinha.




Jornal do Sudoeste: E como ficou sua educação nesse turbilhão todo que viveu durante este período?
Susana de Paula Souza: A educação nós sempre trazemos com a gente, e toda a vida eu sempre gostei muito de estudar e de ler. Meus pais não tinham muita escolaridade, minha mãe fez até a 5ª série no Roque Scarano, e meu pai não lembro qual era a escolaridade dele, mas acredito que não tenha sido mais que algo além da 4ª série. Porém, como convivíamos com filhos de famílias muito ricas em São Paulo, eu lembro que eles tinham estantes repletas de livros, outro que tinha discos com histórias e eu fica ouvindo aquilo e amava. Então, de 1ª a 4ª série estudei em São Paulo e me lembro de sempre estar entre as melhores turmas, era muito boa com o ditado. Quando viemos para cá eu tive a felicidade da minha tia conseguir vaga para nós no Paraisense, que era e continua sendo uma ótima escola e depois fui estudar no Ditão. Minha formação foi muito boa e sempre gostei muito de estudar.




Jornal do Sudoeste: Como foi sua formação como jornalista?
Susana de Paula Souza: Eu entrei na Universidade de Franca quando tinha entre 19 e 20 anos, inicialmente querendo estudar Publicidade e Propaganda, porque toda vida eu fui a criativa da turma, que fazia versos e propagandas e as pessoas diziam que eu deveria seguir isto, estudar PP e fui, porém sempre fui muito crítica e tinha um olhar muito crítico sobre as coisas e a faculdade é um grande laboratório de experimentos; tive a felicidade de já trabalhar na área. Trabalhava na Cooparaíso quando comecei a estudar, e trocava muita experiência com meus professores. Nesse processo lembro-me de meus professores questionarem o porquê eu estar fazendo PP já que tinha um olhar supercrítico, um texto bom e por que não estudar jornalismo? Aquilo me encantou, então decidi que era isto que eu queria e graduei-me em Jornalismo. Foi uma fase muito boa, mas o que eu aproveitei mesmo foi o fato de já trabalhar em uma grande empresa e na área que eu estava estudando.




Jornal do Sudoeste: Cooparaíso. Como foi sua entrada nessa empresa?
Susana de Paula Souza: Foi super tranquila. Na época eu fazia estágio em uma agência de Publicidade, a OZM que atendia a Cooparaíso.  Recordo que a gerente de marketing havia saído eu “calcei” a minha cara e cheguei no Gender, que era diretor à época, para conversar; havia acabado meu estágio de seis meses e disse para ele que talvez poderia ajudar, perguntei o que ele achava sobre o assunto. O Gender concordou e pediu para eu ficar, para ver o que iria virar. Virou que eu fiquei 20 anos na Cooparaíso. Com muito orgulho, tudo o que eu sei hoje apreendi lá. 




Jornal do Sudoeste: O que mais te marcou na Cooparaíso durante esses 20 anos que atuou lá?
Susana de Paula Souza: A Cooparaíso era muito dinâmica, você convivia com grandes profissionais de multinacionais, grandes profissionais internacionais e ali tinha uma vida própria. Também tinha os produtores rurais, que é uma área que eu também amo. Quando alguém me pergunta o que eu gosto, eu digo que da roça. Acredito no produtor, que tem algo muito verdadeiro. Então, eu acordava todos os dias agradecida por estar naquela empresa, que era muito dinâmica e eu aprendia continuamente. Além do coleguismo, tenho grande amigos até hoje que eu fiz neste período. Acredito que tenha sido isto que me marcou.




Jornal do Sudoeste: Infelizmente fechou. Como foi viver isto?
Susana de Paula Souza: Sim. Fechou e fui seguir novos caminhos. Era a segunda maior cooperativa do mundo. Foi muito difícil; eu, particularmente, e acredito que outros colegas também, tivemos que viver esse luto, afinal foram 20 anos trabalhando lá. Imagina você viver esse tempo todo trabalhando e de repende essa empresa fecha... Tive que viver esse luto, mas o que ficou para mim foi tudo de bom o que eu vivi lá, o que eu construí, que foi a minha vida, a minha carreira profissional, tive grandes aprendizados e tive grandes amigos e tenho até hoje. Acho que vivi o luto daquilo não existir mais e o fechamento da empresa trouxe para mim, além de tudo o que eu sou hoje, o aprendizado de que nada é para sempre.




Jornal do Sudoeste: E o que você fez depois?
Susana de Paula Souza: Trabalhei no Buffet Itália, depois fui para o Boticário e acabei recebendo um convite do Sicoob Nossocrédito. Fui para lá, tinha uma proximidade de ideais que eu gosto muito no mundo do cooperativo. Eu acredito que o cooperativismo é uma das grandes soluções para os sistemas que têm hoje, são princípios fantásticos de desenvolvimento regional, de fomento tanto da economia quanto de grupos. Então, eu acredito e compartilho dessas ideias. Mas fiquei grávida à época e acabei saindo. 




Jornal do Sudoeste: Gravidez. Como foi a chegada do filhote,  o que mudou?
Susana de Paula Souza: Até então sempre fui dedicada a minha carreira, mas veio o Victor, que é a grande razão do meu viver e é inexplicável esse sentimento de ser mãe. Você se questiona, depois que tem filho, como viveu todos esses anos sem aquela criança. Parece que após ser mãe, a vida antes daquilo foi uma mera experiência e agora, sim, o mundo passa a existir. A responsabilidade é muito grande e a gente se questiona qual ser humano quer ser para que meu filho se espelhe em mim. Então, todos os dias eu tento ser uma pessoa muito melhor para que meu filho olhe e veja que tem uma mãe 10. Ele é muito peralta e tem muito de mim.




Jornal do Sudoeste: Foi outro aprendizado?
Susana de Paula Souza: Sim, quando eu fui ser mãe fui estudar sobre como era criar um filho e me aproximei de coisas muito boas como Maria  Montessori, que tem uma técnica muito legal. A rede municipal tem uma abordagem muito bacana que é embasada no método Pikler, que é sobre a criança ser criança e você criar vínculos afetivos e emocionais nessa primeira infância; de você mostrar que ele é capaz de tudo e que você está aqui para apoiá-la. 




Jornal do Sudoeste: Agora, fase nova. Como tem sido trabalhar na assessoria da Prefeitura?
Susana de Paula Souza: Estou amando. Eu gosto desse movimento, desse envolvimento. Foi algo novo. Comunicação eu entendo, vivi 20 anos dentro de uma grande empresa, convivendo com grandes profissionais e tive experiências belíssimas dentro da comunicação, pude fazer muita coisa e quando eu cheguei à Prefeitura trouxe toda essa bagagem, mas não tinha o olhar da vida pública, mas tenho um amor muito grande pela população e acredito muito em um mundo melhor, em uma vida melhor e que ainda vamos presenciar coisas muito boas. Eu trouxe essa experiência, tenho amor no coração e uma vontade de fazer muito grande; acredito que temos muitas coisas boas para mostrar dentro dessa administração. Estou trabalhando com pessoas muito boas, competentes, capazes, que foi o que eu encontrei aqui. É um desafio, porque temos que aprender coisas novas e acho ótimo isto, porque estou com 41 anos e descobrindo que tenho coisas para aprender. Isso só me enche de mais vontade de fazer. Eu não sou de Paraíso, mas amo essa cidade!




Jornal do Sudoeste: O que é ótimo, não é mesmo?
Susana de Paula Souza: Sim. E imbuída desse amor, e acredito que nada é por acaso, tenho que contribuir com a nossa cidade. Acordo todos os dias com esse pensamento: o que eu posso oferecer de bom? Então, não negligencio a oportunidade de ser boa e fazer as coisas acontecerem e acredito que a nossa responsabilidade na vida é acordar cedo e fazer coisas boas; Deus te deu o dom da vida para acordar e questionar o que fará de bom e o que fará de diferente. Minha mentora espiritual diz: “Seja a diferença no bem onde quer que a vida te coloque”, então se a vida me colocou aqui eu espero fazer a diferença.




Jornal do Sudoeste: O que dizer sobre 2017 e o que mais te marcou este ano?
Susana de Paula Souza: Acredito que o mais me marcou foi a capacidade que nós temos realmente de acreditar. Foi um ano muito difícil, muito turbulento, não apenas na minha vida, mas o mundo todo está vivendo uma efervescência muito grande. Você olhar para tudo isto e acreditar, no fundo do coração mesmo, que vai dar certo, que quer deixar um mundo melhor para o seu filho, que quer viver um mundo de relações sinceras, preocupado com o coletivo, não entrar nesse turbilhão de desânimo e acreditar que Deus está na frente, é uma lição muito marcante. Eu acredito muito na frase “Deus proverá”, então, sempre que passo por um momento muito difícil, eu paro, respiro e digo “Deus proverá”. E Deus sempre me proveu de muito amor e sempre fui cercada de pessoas que me estenderam as mãos nos momentos certos.




Jornal do Sudoeste: E o que esperar de 2018?
Susana de Paula Souza: Só coisas boas. Eu espero que essa situação, tanto em nível nacional quanto questões no nosso município, que tudo melhore e se acerte. Eu acredito muito em muito mais amor, muito mais saúde, uma vida mais pacífica e que cada um de nós possa se pacificar como seres humanos para que vire uma corrente de bondade e que se torne global. Acredito que 2018 será muito abençoado para todos.




Jornal do Sudoeste: E qual o balanço que você faz desses 41 anos de vida?
Susana de Paula Souza: Muita coisa boa. A vida começa mesmo aos 40. Quando você tem 40, você se diz que agora o que vier é lucro. Tudo o que eu tive a oportunidade de construir, e foram coisas boas, eu fiz: estudei, tive ótimas pessoas que passaram pela minha vida e que construí laços duradouros; eu posso olhar para trás e ver que nunca fiz mal para ninguém; quem eu pude ajudar, ajudei e que pode me ajudar eu aceitei. Então, agora, eu olho para trás e só vejo coisas boas, sempre fui muito crente a Deus e vi nele meu farol para me iluminar, meu guia, meu tudo. Então, quando eu olho para trás, gosto da Susana que eu vejo, que eu construí. Porém eu tenho muito a melhorar, agora tenho um filho para criar, tenho que pensar muito nele, na minha família. Com 41 anos, sinto-me com a vitalidade de uma menina de 15, debutando, começando a vida novamente. É uma idade belíssima.