TREINAMENTOS

Produtores rurais da Associação das Mercês recebem treinamentos através de parceria

Por: Roberto Nogueira | Categoria: Agricultura | 27-12-2017 15:12 | 9246
Produtores fizeram coleta de sangue para exame de Colinesterase que verifica existência de contaminação
Produtores fizeram coleta de sangue para exame de Colinesterase que verifica existência de contaminação Foto de Roberto Nogueira

As famílias integrantes da Associação dos Produtores Rurais do bairro das Mercês estão recebendo cursos e treinamentos sobre diversas atividades da vida do campo. As ações são partes integrantes do projeto desenvolvido em parceria entre a Prefeitura de São Sebastião do Paraíso e a empresa Olam Cofee Exportadora. Nesta semana foram realizadas aulas sobre técnicas de segurança no trabalho e uso de EPI (Equipamento de Proteção Individual). A secretária municipal de Desenvolvimento Agropecuário (Sedeagro), Iara de Lourdes Souza Borges anuncia que a proposta é ampla que envolve mais ações e abrangerá outras comunidades. “Estamos apenas iniciando e as comunidades das Mercês e da Faxina são as primeiras a serem atendidas, onde levaremos oportunidades diversas nas áreas social, na economia e de conscientização sobre a preservação de meio ambiente”, comenta.
O projeto é fruto da parceria celebrada entre a empresa e a Prefeitura, por meio das secretarias de Agricultura (Sede-agro) e de Meio Ambiente (SEMAM). A proposta é treinar, capacitar e conscientizar os produtores, com ações de sustentabilidade e responsabilidade nos aspecto ambiental, social e econômico. Também atuam como parceiros no desenvolvimento do projeto órgãos como a Emater/MG, IMA, Copasa, Senar e Associação Comercial e Industrial de Paraíso (Acissp).
“Trata-se de um projeto integrado, em vários aspectos, com vertentes relacionadas a preservação de nascentes, análise da potabilidade e vazão das águas e construção de fossas sépticas”, explica Iara. Também serão realizadas ações de consultoria envolvendo aspectos como custos, tratos culturais, além de assuntos relacionados  a segurança do trabalho e uso de EPI’s.  A princípio serão atendidas cerca de 40 propriedades por comunidade.
A produtora rural Thais Helena Dias está encantada com o projeto que está levando novas perspectivas à comunidade. Há dois anos ela deixou a cidade e voltou a morar e trabalhar na zona rural. “Tenho aqui a Associação dos Produtores das Mercês que me proporciona vários benefícios, como este projeto da Prefeitura e da Olam. Tudo isso nos possibilita aprendermos sobre assuntos do cotidiano como a comercialização, pós-colheita, exames para controle de defensivos, estamos participando e usufruindo destes benefícios”, comenta. Durante os cursos, além do aprendizado foram doados kits de EPI e outros brindes. “Estes encontros, esta movimentação reaviva a comunidade que estava morna, adormecida”, conta.




CONSULTORIA
O técnico em segurança do trabalho e consultor Raphael Oliveira Gualberto, foi quem ministrou na terça e quarta-feira os cursos na comunidade das Mercês. “É importante estas reuniões de trabalho, a interação dos produtores, famílias e trabalhadores que recebem as nossas informações sobre técnicas de produção, de comércio, de colheita, de segurança e coloca tudo isso em prática”, comenta. Ele disse ter ficado impressionado com o empenho e a união dos membros da associação rural.
Detalhe que Raphael percebeu e destacou é a presença feminina nas atividades. “As mulheres aqui são muito ativas e participativas quanto aos registros operacionais, na busca de conhecimento de todos para acompanhar a modernidade”. Esta tendência é apontada como positiva e essencial para o desenvolvimento. “Eles querem realmente estar informados com a legislação, as boas práticas, custos operacionais e as certificações situações que a cadeia de produção exige demais atualmente”, esclarece.
O consultor enfatiza que além dos produtores terem uma boa absorção de todo o conhecimento a troca de informação e a interação favorece o aprendizado em comum. “Estes encontros tornaram-se um canal onde passamos muitas informações, mas também fazemos uma boa lapidação para a realidade comum. Eles encaram isso como um diferencial, um fator importante para o crescimento”, completa. Raphael acrescenta que esse tipo de experiência tem sido uma crescente na região. “A parceria é importante, mas, não adianta nenhuma iniciativa sem que exista necessariamente participação e interesse e isso nós temos aqui”, finaliza.
Para o produtor Orotides Auxiliador de Souza, um dos pioneiros da comunidade, a realização dos cursos é importante para fixar o homem no campo, principalmente a juventude. “É preciso que tenhamos mais cursos, mais opções e o que estamos tendo é um excelente começo”, avalia. Ele opina que o fato do menor não poder trabalhar é um dos motivos que levou muitas famílias para a cidade. “Comecei a trabalhar com 14 anos e isso não pode mais e trabalho até hoje, ninguém morre de trabalhar. Temos que incentivar os jovens no mercado de trabalho com estes cursos, treinamentos que estão sendo oferecidos, porque se não daqui a alguns anos não vai ter mais ninguém para trabalhar na roça”, anuncia.
A produtora Thais Dias concorda que estas ações favorecem o enraizamento das pessoas no campo. “A qualidade de vida que temos aqui é compensador. Temos desgastes sim, porque é muito trabalho na verdade, mas é compensador”, aponta. Satisfeita com o apoio ela só tem elogios aos parceiros. “É compensador, diante do que é nosso, das possibilidades de ajuda e de apoio que temos tido da Prefeitura, e de todos os envolvidos. Com certeza, isso vem auxiliar, saímos fortalecidos porque nos juntamos, nos unimos para um fortalecimento, e ganho maior”, finaliza.