42 anos APAE

Apae comemora 42 anos de fundação

Por: João Oliveira | Categoria: Entretenimento | 27-12-2017 15:30 | 17175
Nival Andries Pires, Waldir Marcolini, Espir Attie, José Gonçalves, Geraldo de Paula, Sebastião Lopes, Robério Nogueira e Aparecido Silva na fundação da Apae em 22 de dezembro de 1975
Nival Andries Pires, Waldir Marcolini, Espir Attie, José Gonçalves, Geraldo de Paula, Sebastião Lopes, Robério Nogueira e Aparecido Silva na fundação da Apae em 22 de dezembro de 1975 Foto de Reprodução

A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de São Sebastião do Paraíso (Apae) comemorou ontem (22/12) mais um ano de fundação. Em 42 anos assistindo pessoas com necessidades especiais no município e região, os avanços estruturais e tecnológicos da Associação ao longo desse tempo somente contribuíram para que ela se tornasse uma referência em atendimento de qualidade.
Fundada em Paraíso em 1975, a Apae é um projeto que nasceu por iniciativa do filantropo Espir Attiê e contou com a ajuda de membros da maçonaria, que até os dias de hoje dá total apoio à instituição. Espir tinha um sobrinho com deficiência intelectual que morava em Belo Horizonte e, em contato com as dificuldades que a família passava, teve a ideia de iniciar o projeto Apae em São Sebastião do Paraíso. Um projeto que deu muito certo.
Para o diretor da Associação, Ademar Paschoalino, o ano em que a Associação completou seus 42 anos de funcionamento, não foi fácil, porém foi de muito trabalho e diversas conquistas para a Instituição. “A Apae vem crescendo e demonstrando o apoio do povo e a força que ele nos dá. Nesses 42 anos, viemos prestando um serviço enorme para a nossa população, assim como a população de São Tomás e Jacuí. A nossa pretensão, com o apoio de todos, é sempre melhorar e acolher aqueles casos que nos procuram”, ressalta.
Conforme destaca a psicóloga da Instituição, Lucilaine de Pádua, que também completou 42 anos, 2017 foi marcado por diversas conquistas na Associação. “Estamos completando 42 anos e vemos as diferenças, não apenas em espaço físico, porque houve ampliação, construções, reformas e adequações no decorrer desse tempo, mas também em qualidade de atendimento”.
Lu comenta que nesse tempo a Apae conseguiu conquistar a construção de elevador, que não tinha, adequações em salas de aula, construção da quadra coberta, piscinas e sala de exames de audiometria, ‘Bera’ e o teste da orelhinha. “É uma novidade para o município: antes as mães tinham que viajar com seus bebes recém-nascidos a Passos, que era o lugar mais próximo para se realizar esse exame. Agora a Apae trabalha em prol da comunidade que tanto colabora conosco”.
Entre os projetos desenvolvidos pela Associação, um que tem se destacado há anos é o Tai Chi Chuan da Apae, que já rendeu aos meninos conquistas em nível regional, estadual e nacional. “Tivemos também esse ano um projeto em parceira com a Secretaria Municipal de Segurança Pública e a Guarda Municipal, o “Eu sou a mudança”. Foram 40 meninos que participaram e se formaram; para nós foi brilhante e muito emocionante”, recorda a psicóloga.
Segundo explica Lu, o projeto “Eu sou a mudança”, trabalha questões como inclusão, autonomia, postura, limites, regras e até mesmo a descoberta das potencialidades, o que é muito priorizado pela Instituição. “Tiveram aulas de Tai Chi, pintura, fizeram passeios, entre eles no Parque da Serrinha, onde aprenderam um pouco sobre a natureza. Esse projeto também proporcionou um passeio ao Bosque de Ribeirão Preto, o que foi muito legal porque alguns meninos jamais teriam a oportunidade como esta e foi uma realização de sonhos”, acrescenta.
Lu relembra que muitos alunos se emocionaram no dia da apresentação, ao cantar o Hino Nacional. “Algumas famílias não acreditam que eles podem ir além. Então, receber um certificado, estar em uma formatura, é muito gratificante para os alunos. Muitas famílias apoiam, sim, fazem de tudo para que os meninos cresçam e sejam inseridos no mercado de trabalho, mas ainda temos a questão de não valorizar as habilidades deles. E isso, às vezes, acontece por desconhecimento da família em não saber lidar com a situação e até mesmo de uma cultura que não acreditava que eles podem ser capazes de realizar conquistas, mas isso vem acontecendo e eles vêm se destacando muito”, ressalta.
Entre os projetos, Lu também destaca a 10ª  Olimpíada Regional das Apaes do Sudoeste, onde diversos assistidos de Paraíso se destacaram e competiram em nível estadual em Belo Horizonte, onde receberam medalhas. Também houve o Festival de Artes, onde alunos de Paraíso também foram destaques e devem participar de etapa Estadual no próximo ano. “Tudo o que se faz é com amor, eles sentem isso e vencem os próprios obstáculos, os medos, as angústias e vão além”.
Em 42 anos, houve crescimento para a Apae de Paraíso, em termos de espaço físico e atendimento. Hoje a Associação conta com cerca de 45 profissionais para atender aproximadamente 350 apaeanos. A Apae conta com cozinha experimental, onde os alunos preparam o próprio lanche que irão consumir durantes a semana; há a oficina de sorvete; tem o Coral da Apae; oficina de arte com professor voluntário; o programa Autodefensor; a Escola de Formação da Família, que busca ensinar, além de questões jurídicas, a realidade das famílias, onde eles aprendem o que são as deficiências e síndromes e adquirem uma visão ampla para que as famílias possam lutar pela garantia dos seus direitos.
A Apae também conta com sala de estimulação sensorial, tecnologia assistida, sala de mães e voluntárias, onde elas produzem artesanatos que são vendidos e revertidos para a própria associação para aquisição de materiais e remédios do dia a dia. Entre os profissionais que atendem a associação, há dentistas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, neurologista, fisioterapeutas, médicos, pedagogos, psicopedagogos, nutricionista e enfermeira. “É uma equipe muito grande, além dos ajudantes, orientadores de sala, cozinheiras, zelador e motoristas”. Além dos projetos, também há os eventos tradicionais da Apae, como a Feijoada, que completou 33 anos e o Bazar da Apae, que já existe há mais de 20 anos.
Para a coordenadora da Associação, Ana Maria dos Reis, os 42 anos da Associação representam amor, superação, vitórias, derrotas, risos, choros, alegrias, lutas, persistência, cansaço, e esperanças. “Um dia após outro... buscando o bem estar e a melhoria da qualidade de vida das pessoas com deficiência. Esses 42 anos representam dignidade, inclusão, garantia dos direitos. São tantos significados. Quando eu conheci a Apae, há 30 anos, era apenas aquele setor técnico, foram tantas mudanças... Tantos já se foram.. é difícil colocar em palavras aquilo que só o coração sabe”, diz.
Também apaixonada pelo trabalho e pela Associação que a acolheu, é feliz que a psicóloga Lu de Pádua comemora mais um ano de Apae. “Cada ano é uma história diferente, mas só aumenta o amor, o conhecimento, eu aprendo todos os dias, com os meninos, com as mães, porque acho que ser mãe não é uma tarefa fácil e ter uma criança com deficiência em casa elas acabam abrindo mão de suas vidas e às vezes um pouco da vida da família em função dos filhos. Eu só aprendo todos os dias e isso faz com que eu acredite na função da Apae e em tudo o que ela pode proporcionar às famílias. Ela completa 42 anos no ano que eu também completei 42 e eu sou muito feliz. Acho que estou no lugar certo, na hora certa”, completa.

Equipe de Tai Chi Chuan da Apae; grupo já possui diversas vitórias em nível regional, estadual e nacional
Formatura do Projeto Eu Sou a Mudança em parceria com a Guarda Muncipal e a Secretaria Municipal de Segurança Pública