• Dos Leitores •

P. E. C. B.

Por: Redação | Categoria: Do leitor | 20-01-2018 15:01 | 5648
Foto de Reprodução

O povo de São Sebastião do Paraíso lembra que há alguns anos, não muitos, a notícia de uma grande obra do SESC MG seria implantada em nossa cidade. Na época se falava em um complexo de 150.000 metros quadrados. Para se ter uma ideia do tamanho, a Arena do Palmeiras tem um terreno de 90.277m2 e área construída de 93.284 m2. A população nunca soube quais os motivos que levaram ao projeto de uma obra deste tamanho em uma cidade do porte da nossa. Nunca foi dada nenhuma explicação. Foi feita a doação de um terreno no Jardim Mediterranèe, e construídos os muros neste terreno. 
Esta notícia rendeu muitas horas de conversa política e muitas colunas de jornal enaltecendo a obra e seus benefícios. O tempo passou, a obra não ficou pronta, os serviços foram paralisados, foi-se o sonho, e as promessas políticas como sempre; ninguém explica. E agora este jornal publica que estão querendo doar a Praça de Esportes Castelo Branco para o SESC.
Pergunta-se, quando o Sesc aceitou fazer esta obra ele não planejou criteriosamente e não foi feito um contrato com obrigações e deveres de ambas as partes? Se houve o contrato, não estavam ali as regras e prazos estabelecidos para a construção destas obras e sua utilização?  O que deu errado? Se não há mais interesse, que o SESC devolva o terreno e não seja beneficiado com um patrimônio público que com pouco investimento pode ser muito útil ao povo e muito valorizado, pois está no centro da cidade.  Os argumentos não conseguem esconder que é puramente a transferência de patrimônio público para iniciativa privada a custo zero. 
Esta triangulação de patrimônio estadual para interesses privados, de patrimônio municipal para o estado e patrimônio do Sesc para Universidade Pública precisa ser muito bem explicada e é o que não está sendo feito. Embora este jornal diga que esta troca venha sendo discutida há tempos, o povão mesmo, que é a quem interessa, pouco sabe. No final da história a cidade pode perder duas praças de esportes, a Castelo Branco e o campão.
Mais perguntas, se o SESC não cumpriu o acordado quando da contratação inicial, e ninguém executou o contrato existente, se existente, quem garante que vai fazê-lo agora? O terreno do Campão, passando ao estado, quem garante que irá servir ao povo como hoje é utilizado? Quanto a investimentos da Universidade, quem garante que serão feitos e implantados os cursos apregoados? Será que ninguém se lembra que o governo federal de plantão congelou gastos em educação para os próximos vinte anos? 
Todos sabem que existe universidade pública que não tem papel A4 para trabalhar e as autoridades não estão preocupadas. Corremos o sério risco de, dentro de alguns anos termos o Campus da Ufla nas mesmas condições da obra do Sesc atualmente. E sem explicações.
Retornemos alguns anos no tempo; a municipalidade desativou uma praça de esportes e lazer localizada na Avenida Oliveira Rezende, e não providenciou a sua substituição Lembremos que a densidade populacional nas imediações daquela praça, o que inclui também os bairros próximos ao Parque São Judas Tadeu e nas imediações do Cemitério Municipal, é maior do que grande parte dos municípios mineiros. 
Não se discute a utilização pelo Corpo de Bombeiros que presta um serviço inestimável, competente, sério e insubstituível. Deixemos claro, o Corpo de Bombeiros e seus componentes lotados nesta cidade merecem não só nosso respeito, mas nossa imensa gratidão. Esta lembrança só foi para exemplificar o pouco apego que nossas autoridades têm com o esporte de massa, que pode tirar das ruas nossos jovens que hoje estão na mira de negociadores de drogas ilícitas.  O ensino regular em tempo integral é um sonho a longo prazo. Lembremos que foi mudada a destinação dos recursos do pré-sal, que tinha parte destinado a educação, agora não sabemos como será.
O histórico do esporte em nossa cidade é deprimente, exemplos de desmandos existem aos montes. Nossos dirigentes têm de entender que o esporte massificado, em tempo integral, com professores competentes e comprometidos é uma arma grandiosa para salvar a nossa juventude, que hoje a qualquer hora do dia está nas ruas, totalmente desocupada e sem orientação. 
Vamos, portanto, nos apegar ao que é menos oneroso, o esporte, pois utilizar as praças de esportes que já temos e contratar profissionais da área para implantar uma política séria, não custaria tão caro. Mas infelizmente não parece este o desejo, as praças que existem estão subutilizadas e estão querendo se livrar de mais uma; ou duas.  
Lamentável. 
João Batista Mião