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Ângelo Português: um sonhador que carrega no sangue o amor pelas artes e devoção por Itamogi

Por: João Oliveira | Categoria: Entretenimento | 17-03-2018 17:03 | 6833
Ângelo Joaquim dos Santos, ou melhor dizendo, Ângelo Portuguê
Ângelo Joaquim dos Santos, ou melhor dizendo, Ângelo Portuguê Foto de Nelson P. Duarte

Difícil é citar os muitos predicados que acompanham Ângelo Joaquim dos Santos, ou melhor dizendo, Ângelo Português. No entanto, um em especial é a palavra que melhor o descreve: versatilidade. O Português é um homem apaixonado pelas artes e viu nelas uma forma irreverente e apaixonada de representar a vida e falar sobre a cidade que o acolheu (ou sendo mais honesto, que ele acolheu no coração). Já fez de tudo um pouco na vida, e hoje divide o tempo atuando como identificador da Delegacia de Polícia Civil, como locutor na Rádio Arari FM, onde é sócio, e nas inúmeras atuações que já lhe rederam reconhecimento e garantiu a alegria de muita gente. Ao lado do amigo (e irmão de coração), Agmar Paris, já protagonizou dois longas metragens e atualmente está no seu terceiro filme, além das produções que ele faz paralelamente e são difundidas pela rede social Youtube. Também, ao lado do amigo, comanda a TV WEB, que leva ao cidadão itamogiense e quem a acompanha nas redes sociais, todo o tipo de informação. Aos 53 anos, o caçula de onze irmão do casal  José dos Santos e Ernesta Bonfante dos Santos, vive (e não tem planos de sair), em Itamogi, ao lado da esposa Geovana Carti dos Reis e dos filhos, Gleyser dos Reis Santos, de 27 anos, e da filha caçula, Isis Mariana de Fátima Santos , de 21. Foi com muito carinho que Ângelo recebeu em sua casa a reportagem do Jornal do Sudoeste para contar um pouquinho da sua trajetória.




Jornal do Sudoeste: Português? De onde vem esse apelido?
Ângelo Joaquim dos Santos: Da família do meu pai, que veio de Portugal ainda pequeno e todo mundo  o conhecia como “Zé Português”. À época eles vieram para morar em uma fazenda da região do município de Paraíso, fazenda a qual ele tomou conta por 32 anos. Então, todo mundo nos conhecia como a família dos Portugueses. Quando eu comecei a trabalhar com rádio, surgiu o nome Ângelo Português e ficou. 




J.S: Você nasceu em Itamogi?
A.J.S: Na realidade eu nasci na roça, nessa fazenda onde meu pai tomou conta, mas saí de lá ainda muito pequeno, e moramos em outras fazendas da região, até chagar a Fazenda Paulis-ta, onde morei dos 6 aos 17 anos. Colhi café, carpi, mexi com trator, enfim, fiz de tudo um pouco na roça. Era uma fazenda grande e minha juventude foi praticamente toda ali.




J.S: E como foi sua formação escolar aquele tempo?
A.J.S: A Fazenda Paulista era muito grande e tinha muitos colonos, e devido ao número de crianças montaram uma escola rural, inclusive quem dava aulas era a dona Edna Castro, que tenho prazer de sempre encontrar. Nesta fazenda fiz até a terceira série, mas logo a escolinha foi fechada por haver poucos alunos. Quatro anos depois, eu fui estudar no Vidigal, tinha que andar 6 quilômetros para chegar até lá. Mas também não deu para terminar a escola, tempos depois vim para Itamogi e fiz um teste de avaliação para entrar no ginásio e terminar o fundamental e o ensino médio, e conclui.




J.S: E depois disto, o que você decidiu fazer?
A.J.S: Depois que conclui fiz alguns cursos por correspondência e cheguei a trabalhar na roça antes de me mudar para São Paulo, onde fiquei por um tempo na casa de uns amigos. Na época, tive muito contato com algumas pessoas que faziam teatro e a visitar algumas emissoras de televisão. Recordo-me que na época conheci o Reginaldo Faria no SBT e estava começando a fazer mais sucesso a Praça é Nossa, foi quando recebi o convite para participar e voltei para Itamogi, com o contrato na mão. À época minha mãe me disse que se fosse para meu bem, que eu fosse, mas eu havia conhecido a minha esposa, tínhamos começado a namorar e então decidi ficar, não por causa do namoro, mas porque eu sempre pensei que se fosse para algo acontecer alguma coisa, que seria na minha cidade, por mais que aqui não oferece muita coisa.




J.S: Foi a partir daí que você começou a atuar em peças teatrais?
A.J.S: Sim, nesse meio tempo, nos idos de 80. Nessa época eu fiz uma peça teatral, “o Cristo”, e comecei como soldado romano. O teatro acontecia na Praça e reunia cerca de 5 a 6 mil pessoas. Nós também rodávamos a região toda, era um grupo daqui mesmo de Itamogi, o GTP (Grupo Teatral Primavera), comandado pelo professor João Lemes Sobrinho. Éramos em 84 pessoas trabalhando neste grupo e eu comecei atuando no papel de soldado romano e sempre tive essa “coisa” de liderar, sem me esforçar para isto, inclusive, quando fiz parte do grupo de jovens por cerca de sete anos era eu quem ficava à frente, foi a época que houve maior movimento no grupo.  De soldado passei a interpretar o “bom ladrão” e depois o Cristo, tendo atuado neste papel por sete anos.




J.S: Desde então você sempre esteve envolvido com atuações?
A.J.S: Sim. Também, nos idos de 83 fiz uma peça que chamava “o vampiro nacional”, até brinco que o Chico Anísio copiou de nós ao criar o “vampiro brasileiro” (risos). De lá para cá fizemos várias peças teatrais, fazíamos a “terapia do riso”, às vezes era somente eu, às vezes alguns amigos me ajudavam. Eu fazia o palhaço Guarda Chuva e à época veio um circo a Itamogi, um circo grande, do Mauro Lucio, bem famoso inclusive. Em conversa com ele, fomos convidados a fazer uma apresentação na segunda, que costumava ter um público menor, mas a dupla Barbatana e Guarda Chuva foi um sucesso e passamos a nos apresentar nos sábados também. Recebemos um convite para ir embora com esse circo, inclusive minha esposa, que sempre foi apaixonada pelo mundo circense, assim como eu, me incentivou muito na época a ir, porém tínhamos acabado de ter um filho e para isso teríamos que ficar em barraca e eu não achei que isso seria bom para ele. Aquele circo ainda não utilizava treilers. 




J.S: E esse lado artístico, de onde veio?
A.J.S: Acredito que do meu pai. Ele, a vida toda, mexeu com Folia de Reis e comandava uma junto com meus irmãos, lá nos Candinhos, por quase 36 anos. Costumávamos falar que ele cantava nas sete vozes, ele gostava de cantar e fazia várias modinhas e acredito que esse meu lado artístico veio dele. Todos os meus irmãos tocam algum instrumento, além de cantar. Costumo dizer que sou o mais ruinzinho, tenho meu violão que costumo tocar de vez em quanto e cantar. Mas, enfim, todos meus irmãos são engajados nesse lado, mas meu pai que era o mais voltado para esse lado e nos influenciou a gostar. Tanto, que eu também tive um terno de Congo, que chamava Santa Luzia, era muito bom e até hoje eu gosto. Atualmente eu somente filmo, tanto que estou terminando de renderizar um vídeo que montei da Congada e Moçambique aqui em Ita-mogi, isso sem ganhar um centavo, mas a gente faz porque gosta. Inclusive, veio aqui um capitão do terno Sabiá, de Paraíso, o Tiaguinho, e quando me viu filmando, sem me conhecer fez um versinho para mim, foi muito legal.




J.S: Quando a rádio surgiu na rua vida?
A.J.S: Na época eu trabalhava como vendedor de livros e viajava bastante por causa da profissão, foi quando veio uma rádio para Itamogi, e que mais tarde foi para São Sebastião do Paraíso, a Rádio Ativa FM, do Mario Romanine. Ele procurava por um locutor e me recordo que o primeiro a fazer a locução foi o Fernando Dias. À época, ouvindo a rádio, achei bacana e fui lá conhecer, foi quando o Fernando me indicou, mas passou pouco tempo a emissora foi fechada. Um pouco antes disse eu chamei o Agmar Paris para trabalhar comigo, e que inclusive é meu sócio, ao lado do meu irmão Brás Português, da rádio que temos hoje, a  Arari FM, que completou 22 anos.  Desde então, estamos na estrada. Depois que eu me apresento na rádio, ainda vou para Delegacia de Polícia Civil, onde trabalho como identificador (datiloscopista). 




J.S: Você também faz muitos vídeos e, inclusive chegou a ter uma repercussão muito grande com um deles, não é mesmo?
A.J.S: Sim. Nesse meio tempo surgiu o YouTube, comecei a gravar alguns vídeos e começou a dar resultado e a chamar atenção. Dessas minhas brincadeiras fazendo vídeos para YouTube tem dois que eu filmei e foram parar na TV, um deles para o programa do Silvio Santos, que foi uma sátira da música “Menino da Porteira”, e concorremos a R$ 50 mil na época. Não ganhamos, mas só de passar quatro vezes no Programa do Silvio, que é uma pessoa que eu admiro muito, e falar o nosso nome na tevê, foi ótimo e nos deixou muito envaidecidos.




J.S: Desses trabalhos começaram a surgir projetos maiores?
A.J.S: Sim. O primeiro longa foi  “De volta para a minha terra”, com a direção do Agmar Paris, nos idos de 2007 e 2008. O enredo é a história de um peregrino itamogiense que foi embora para tentar a vida lá fora, não deu certo, voltou para Itamogi, chegando aqui  descobriu que a mãe estava morrendo e ele herdou essas terras e que tentaram tirar dele depois, enfim, uma história bem dramática.




J.S: E como surgiu a ideia de atuar e produzir um filme?
A.J.S: A partir dos teatros que fazíamos. Minha esposa costuma dizer que o Agmar Paris sonha e eu o ajudo a realizar esses sonhos. O Agmar sabe que eu gosto e tem uma facilidade muito grande de criar história. Inclusive, nós montamos a TV Face e a TV Web por “culpa” dele. Então, ele queria produzir um longa metragem, era uma ideia que ele tinha e me convidou para participar.  Depois deste primeiro ele queria fazer outro, mas era uma comédia, que é algo que eu gosto muito de fazer, então nasceu “O Picirico doido e o toque final”, que narra a história de um senhor de idade que morava na roça e precisava fazer o exame de próstata e não sabia como era, e quando descobre não quer fazer de jeito nenhum (risos). Agora estamos no terceiro filme, “Picirico, um dengoso na terra da padroeira”, sobre a dengue. Então, sempre fazemos algo trazendo uma mensagem educativa. Até o final do ano essa produção deve ficar pronta. Este primeiro, exibimos nos cinemas da região, inclusive chegamos a participar do Festival de Filmes de Gramado e tivemos muita sorte em chegar lá.




J.S: Você já recebeu convite para participar de outras produções daqui ou da região?
A.J.S: Sim. Recebo convite de várias cidades para participar de algumas tramas teatrais, inclusive tem uma produção do Ademir Alves, que deve estrear em breve em Paraíso, “Mário, Maria e Mário”, e fui convidado a participar. Porém, devido a muitos compromissos aqui em Itamogi e muitas tramas que estamos trabalhando eu tive que recusar o papel. Mesmo assim fiquei muito feliz e agradeci muito a oportunidade que ele me deu!




J.S: Quando nasce a TV Web?
A.J.S: Em 2016. Foi uma brincadeira que nós começamos e o Agmar sugeriu que tornássemos esse projeto maior e desde então temos corrido atrás para conseguir realizar esse trabalho. Já fizemos várias entrevistas e trouxemos várias pessoas renomadas no estúdio da TV, que é anexo a Rádio.  O bom é que nós vamos fazendo contato com diversas pessoas, e fazemos tudo na raça. A Rádio, por exemplo, quando começamos não tinha documentação, por causa disto passamos muito sufoco a ponto de quando parava um carro diferente, a gente pegava o transmissor e saia com ele pela janela pensando que se tratava de fiscalização. Era o equipamento mais caro que eles poderiam levar da gente. Passamos muitas dificuldades nesse começo da Rádio, mas depois com muito trabalho regularizamos a papelada..




J.S: Você nunca se sentiu desanimado?
A.J.S: Muitas vezes. Por  ver o que está passando, que está sacrificando sua família, os filhos, e vendo que aquilo talvez não fosse dar em nada. Eu chegava a desanimar, mas a vontade de trabalhar em prol da cidade era maior e é por isso que eu falo que se tiver que acontecer algo maior seria aqui. ]




J.S: Apesar das dificuldades, há uma recepção positiva, não?
A.J.S: Sim, claro, têm aqueles que são fãs mesmo, que acompanham e querem saber quando será o próximo trabalho. Tanto que, com esses vídeos que nós gravamos, um vai passando para o outro e nós somos sempre muito bem recebidos não importa onde estejamos. Além disso, eu sempre fui muito brincalhão, já apresentei muitas quermesses e são situações que vão cativando a população de certa forma. O meu endereço, lá na entrada da cidade se você perguntar, as pessoas saberão informar. Além, disto, uma coisa boa do meio artístico, também, é quando você é reconhecido por pessoas de fora, já me aconteceu diversas vezes. Certa vez um casal de Lagoa da Prata me reconheceu e queria tirar um foto comigo para mostrar para os amigos; é muito bom. Em uma brincadeira no Facebook eu fui escolhido como a pessoa mais popular de Itamogi e fiquei muito feliz com esse título virtual.




J.S: O que a arte representa para você?
A.J.S: Atualmente estou fazendo um curso de Artes Cênicas, e quem tem a oportunidade de fazer isto é algo realmente incrível. A arte representa tudo, e o modo de mostrar a vida de outra forma. Você transforma uma tragédia, por exemplo, em uma representação, é mais do que ouvir que aquela história aconteceu, é vê-la acontecer novamente. Então, a arte está presente em tudo o que fazemos, tudo é uma representação. A arte é o começo para chegar onde se quer.




J.S: E o amor por Itamogi, de onde vem?
A.J.S: Meu amor por Itamogi é federal. Um amigo até me questionou certa vez porque tudo o que eu faço o por quê de colocar o nome de Itamogi. Faço para mostrar a minha cidade, tudo que a gente faz é por amor a Itamogi e faço com gosto, sem esperar retorno. A nossa gratificação é esse carinho que temos da população. Meu amor por Itamogi é muito grande. Eu não conseguiria ir embora, somente se fosse para fixar residência aqui e poder voltar sempre para bater papo com os amigos na praça, no barzinho, conversando ou fazendo um vídeo. Eu vou fazer uma adaptação da canção “Punhal da Vingança”, de José Fortuna, e também o “Soldadinho de Deus”. Já está tudo encaminhado e tudo o que a gente faz é voltado para Itamogi. Eu cito muito o Teixeirinha, que para mim foi um dos maiores cantores solos que já existiu porque tudo o que ele fazia ele citava a terra dele, Passo Fundo no Rio Grande do Sul. Enfim, muitas vezes a gente é cobrado do porquê estamos fazendo isso, e fazemos porque temos que ajudar nossa cidade. 




J.S: E não dá para falar de Itamogi sem citar a política, é algo que você até muito recentemente esteve envolvido, não?
A.J.S: Sim, eu sempre gostei de política e quando tinha 21 anos fui convidado para ser candidato, seria o mais jovem na história de Itamogi, mas eu desisti porque adorava trabalhar na política, sempre gostei e sempre estava em cima de um caminhão falando; isso eu fiz até 2011, quando disse “chega”. Mas aqui o bicho pega, inclusive, em um livro do Cajá, “Ita Ribeirão das Pedras”, ele coloca Itamogi como uma cidade ordeira e hospitaleira, mas que na época da política vira duas tribos de índio (risos). Enfim, eu sempre gostei da política, mas não do que está por trás dela. Inclusive, quando fui chamado para ser candidato, a gente tinha aquela vontade de revolucionar, de mudar tudo, mas você vê que tudo é muito limitado e sempre depende do outro, então não se consegue fazer nada. Mas o motivo que me levou a me afastar de tudo de vez foi quando eu percebi que não tinha inimigos, decidi fazer como o Pelé: parar enquanto estava no auge.




J.S: Há algum fato curioso que você se recorda dessas produções que trabalhou?
A.J.S: Quando a gente para pra pensar são muitas coisas que já aconteceram, algumas muito inusitadas, inclusive. Certa vez estávamos gravando uma cena para o Picirico, e nesta eu atravessa um pasto com a Vavá, e alguém disse que uma das vacas iria me pagar, claro que eu disse que aquilo era coisa de vaca, mas o resultado é que eu tive que fugir e passei por uma cerca e até não sei como. A roupa que eu estava não dava mais para usar, ela partiu. A cena foi incluída no make off do filme. São situações que acontecem, às vezes a gente está gravando e sempre aparece alguém desavi-sado, principalmente aqui em Itamogi quando estamos gravando. Certa vez estávamos fazendo uma cena e uma senhora bateu nas minhas costas bem no meio da gravação querendo saber que dia eu iria atender na delegacia (risos), então a gente começa rir e é muito bom, são situações que valem a pena. A população nos dá muito apoio.




J.S: E qual o balanço que você faz desses 53 anos?
A.J.S: Com esses 53 anos eu me considero uma pessoas vitoriosa e só não tive mais porque eu não fui atrás.  Considero-me uma pessoa abençoada, tenho uma família maravilhosa e é o que mais prezo na vida. Fui educado como católico, mas hoje tenho a doutrina Espírita, inclusive passei a me interessar pela doutrina em conversas com o Nelson Duarte e lia também as matérias que o pai dele escrevia para o Jornal do Sudoeste, era uma coluna espírita fantástica. Conheci a apometria e com isso, passei a dar mais valor ao próximo, no que eu fazia, e passei a entender que tudo o que você faz tem um merecimento, nada é por acaso. Sobre a idade, não me considero com 53 anos. Eu sempre brinquei com quem tinha “meio século”, hoje já não falo mais (risos). Eu também tenho um time de futebol, o Canindé, são 16 pessoas, e jogo no meio da molecada, não sei se ainda porque sou o dono do time e da bola. Brincadeiras à parte, eu não me considero com esta idade e vejo pessoas tão mais jovens se sentindo ranzinzas, amuadas, desanimas e eu, graças a Deus, não. Sou muito aventureiro e dizem que eu sou hiperativo, não sei ficar quieto. Estou sempre em movimento, me considero abençoado. Futuro é uma coisa que não me preocupa, essa história de guardar dinheiro, não é comigo, temos que aproveitar a família, sair, divertir e aproveitar o agora, não teremos isso para o resto da vida.