CRISE

Município aparece no Observatório da Crise de Abastecimento da CNM

Por: Roberto Nogueira | Categoria: Comércio | 03-06-2018 20:06 | 1600
Falta de álcool e gasolina provocou corrida aos postos com a chegada de cada carregamento de combustível
Falta de álcool e gasolina provocou corrida aos postos com a chegada de cada carregamento de combustível Foto de Roberto Nogueira

São Sebastião do Paraíso figurou entre os municípios que durante a semana enfrentou dificuldades para ofertar serviços essenciais à população em decorrência da greve dos caminhoneiros. A cidade apareceu entre as centenas que foram destacadas no Observatório da Crise de Abastecimento da Confederação Nacional dos Municípios (CNM). Terminada a paralisação o momento é de reabastecimento como vem ocorrendo com os postos de combustíveis e os demais setores que foram afetados.
Lançado na terça-feira, 29, pela CNM o Observatório da Crise é uma ferramenta com informações que permite mapear os municípios impactados pela crise, para facilitar o monitoramento da situação e buscar medidas de apoio aos gestores municipais. O dispositivo é atualizado com informações encaminhadas diretamente pelos prefeitos. O mapa foi construído com base em cinco perguntas, que mostram, por exemplo, quais serviços estão afetados, como postos de saúde, merenda escolar, coleta de lixo, segurança, ambulâncias, transporte escolar, entre outros. 
Além disso, é possível verificar quais Municípios brasileiros decretaram Situação de Emergência em função da crise. O Observatório também disponibiliza estudo sobre o impacto para os Municípios da redução da Contribuição da Intervenção do Domínio Econômico (Cide) medida adotada pelo governo federal em resposta à paralisação dos caminhoneiros.
O relatório informa, em tempo real, o percentual de Municípios que decretaram situação de emergência em razão da crise e os problemas enfrentados pelos gestores com a greve. Até na a quarta-feira,30, 1.892 prefeitos contribuíram com o questionário. Segundo o relatório, 90,22% dos gestores afirmaram que seus respectivos Municípios estão com algum tipo de restrição decorrente da falta de combustível. Deste total, a falta de gasolina foi apontada por 26,59% dos gestores e a escassez de diesel por 24.39%. A insuficiência de álcool (22,41%) e a ausência do gás de cozinha (20.03%) também estiveram em destaque na pesquisa da CNM. Outros tipos de restrições fizeram parte das respostas de 6,42%. 
No caso de Paraíso, a cidade aparece no mapa do Observatório entre os que apresentaram problemas de abastecimento. No município foi relatado falta de combustível, serviços foram afetados e foi decretada Situação de Emergência pela prefeitura com a falta de vários produtos. O levantamento, porém não registrou na cidade que tenha havido alguma ação judicial pedindo apoio para o trânsito de caminhões com combustível e outros produtos essenciais.
Dentre os gestores (6,42%) que apontaram outras restrições na pesquisa, 54,14% deles disseram que sofrem com restrições nos alimentos. Em Paraíso, por exemplo, uma das preocupações do prefeito Walker Américo de Oliveira e da secretária municipal de Educação, Maria Ermínia Preto de Oliveira Campos era em relação a falta de alimentos para a merenda escolar. “Nesta semana que foi mais curta, conseguimos manter, não sabemos como será daqui para frente e poderemos ter mais dificuldades”, observou o prefeito.
Por esta razão, mesmo com o fim da paralisação na quarta-feira, 30, e em virtude do feriado prolongado, o município decretou situação de emergência. Outra medida anunciada é o retorno da volta as aulas nas escolas municipais e a manutenção dos atendimentos nas creches a partir de segunda-feira, 4. No entanto, a Prefeitura anunciou que não haverá refeições para todos os alunos, com exceção daqueles que estudam em período integral. Nas outras situações será fornecido lanche até a regularização nos recebimentos dos alimentos nas escolas, creches e Centros Municipais de Educação Infantis. 
A pesquisa efetuada apurou também haver falta de medicamentos relatados por 18,35% dos prefeitos pesquisados. Também houve relatos de 12,41% que relataram problemas de falta de ração animal e de água com 3,06%. Os principais serviços que foram afetados são a frota de veículos da prefeitura (16,56%), transporte escolar (15,63%), merenda escolar (12,26%), financiamento dos postos de saúde (9,91%), cirurgias (9,74%), ambulâncias (8,03%) e coleta de lixo (7,80%).