ENTRETANTO

Entretanto

Por: Renato Zupo | Categoria: Justiça | 20-06-2018 22:06 | 145
Foto de Reprodução

LÁ VEM O CIRCO
Um amigo policial me disse certa vez que noções básicas de Direito deveriam ser ministradas obrigatoriamente no ensino médio das escolas. Assim como ocorre atualmente na filosofia, curso do qual nos privaram nos anos de regime militar e que em boa hora voltou à grade curricular de ensino. É que sabendo um pouquinho de Direito a moçada, automaticamente, também aprende sobre seus deveres, ainda que não os cumpram. Pelo menos haverão de falar menos besteira. Sobre os réus da Operação Lava Jato, por exemplo, saberiam que José Dirceu foi preso, solto e depois preso, porque cumpria uma condenação, obteve progressão de regime por ela para meio livre e, enquanto cumpria a primeira pena, foi novamente condenado por novo crime. Ocorre aqui o que se chama de unificação de penas e, conforme os delitos, sendo o somatório superior a oito anos o condenado volta mesmo para a tranca. Não há circo neste “prende-solta”. Isso é o Estado-juiz funcionando, para lembrar dizeres do Ministro Dias Tóffoli. Circo há no “prende-solta” do cotidiano forense, agora premido por audiências de custódia em que criminosos com extensa folha corrida são postos em liberdade sem que ao menos se indaguem seus antecedentes. Frustra a qualquer homem da lei isso, desilude o cidadão, e não é culpa da polícia, que cumpre com o seu dever de prender e investigar.




LULA CANDIDATO
O PT presta mais um desserviço para a nação ao jogar gasolina na fogueira e insistir na candidatura à presidência da República do seu principal líder e fundador, Lula. Ele está preso, cumprindo pena e inelegível. Se neste país regras jurídicas e de ordem lógica fossem seguidas à risca, diria eu que a candidatura de Lula nesta eleição é mais difícil que touros amamentarem bezerros. Como estamos no Brasil, é melhor aguardar, porque aqui touros transgêneros podem sair do armário. De qualquer modo, a chance disso acontecer é irrisória, nula, zero, à luz da lei. E o PT sabe disso. Então, por que aporrinha? O processo de eleição presidencial já vai ser complicado, com candidatos extremistas a suceder um presidente com popularidade baixíssima e que governa um barril de dinamite prestes a explodir. Não há necessidade de mais tensão nessa barafunda. O que o PT faz é esfregar suas razões na cara da população como se fossem cláusulas pétreas constitucionais. Seus líderes confundem o que gostam e querem com aquilo que de fato existe, é legal e é possível. Confundem sonhos com a realidade nua e crua do sistema judiciário que condenou Lula depois de julgado por três instâncias absolutamente imparciais. Não consigo entender quem ganha com a anarquia – o sistema democrático, já depauperado em nosso país, só se ressente disso.




É A ECONOMIA...
Cobertor de pobre quanto tapa a cabeça, destapa os pés, e vice versa. Arreganhar e afinar para os caminhoneiros, como fez Michel Temer ao conceder tudo o que os transportadores de carga pediram, inflou-lhes a importância, mas põe a economia nacional em maus lençóis. A conta é simples. Abaixar preço do Diesel e do pedágio envolve renúncia fiscal – e com isso o Governo Federal arrecada menos. Dinheiro a menos no embornal significa menos recursos para a saúde, educação, segurança, e por aí vai. Mas até aí, seria um problema só nosso com o governo, uma equação mais simples. Há as outras classes trabalhadoras afetadas com os benefícios concedidos aos nobres caminhoneiros. Com o aumento do preço dos fretes são os produtores de grãos que começam (com razão) a reclamar, porque vão ter que gastar mais dinheiro para escoar sua mercadoria. É claro que esse aumento vai influenciar no preço final, na gôndola do supermer-cado, na economia doméstica.  Todos esses “fenô-menos” já estão sendo vivenciados pela população brasileira, e vão além: atiçam a inflação, influenciam na variação cambial, detonam a nossa moeda e nossa credibilidade internacionalmente. A economia deve ser vista como um todo, como um navio que, se afundar, afunda pra todos. Se permanece singrando os mares, mantêm-nos todos à tona. Lição básica, clara, simples, ignorada por um governo pusilânime.
RENATO ZUPO, Magistrado, Escritor