TESE

Doutora em Linguística disponibiliza tese que discute constituição do corpo na mulher na sociedade

Por: João Oliveira | Categoria: Educação | 04-07-2018 17:07 | 2458
Disponibilizado pela editora Letraria, download pode ser feito pelo endereço eletrônico www.letraria.net/a-silhueta-feminina/
Disponibilizado pela editora Letraria, download pode ser feito pelo endereço eletrônico www.letraria.net/a-silhueta-feminina/ Foto de Reprodução

A paraisense, doutora em Linguística pela Universidade Federal de São Carlos e docente na Universidade Estadual de Minas Gerais, Michelle Aparecida Pereira Lopes, disponibilizou pela editora Letraria para download gratuito sua tese de doutorado que discute sobre a constituição do corpo da mulher diante da sociedade e os reflexos disto ao longo da história do século XX e XXI. O que havia nascido da curiosidade da aceitação do termo plus size ao invés de gordo, ambos para se referirem ao corpo da mulher, tornou-se uma pesquisa aprofundada que revelou os efeitos que a mídia causa diante da imagem do corpo feminino.
De acordo com Michelle, a partir da observação do discurso midiático foi possível escrever a história das mulheres e seus corpos a partir de tudo que se disse (e diz) sobre isso ao longo do século XX e XXI. “A Análise do Discurso, teoria que sustentou meus estudos, nos ensina a perguntar: o que é a silhueta? Como ela significa ou é significada? Em quais ditos ela emerge? E, quando emerge, quais sentidos ela produz? Que dizeres ela legitima e quais verdades ela autoriza? A partir dessas indagações, surgiu minha pesquisa de doutorado, tese defendida em dezembro de 2017 no Programa de Pós-Graduação em Linguística pela UFSCar e, agora, o e-book publicado pela Editora Letraria, de Araraquara”, destaca.
Lopes defende que apesar das mulheres no passado terem requerido o direito ao controle de seus próprios corpos, balançando as relações de poder entre os gêneros, tanto na esfera pública, quanto na particular, as mulheres deste século XXI ainda se veem no cerne de um controle milimétrico sobre seus corpos, aquele, conforme explica que visa determinar o peso ideal e as medidas recomendadas. “Essa história, sem dúvidas, deixou vestígios do controle mediante o qual tendemos as mulheres se constituem como sujeitos. Trata-se de um cenário assustador em que a objetivação feminina se dá conforme a correspondência e obediência aos tamanhos impostos”, elucida.
“Posso dizer que meu objetivo maior ao tornar públicos os resultados da pesquisa de doutorado que deu origem a este e-book é dar a ela os ares da resistência, problematizando o dispositivo de controle do corpo feminino e desconstruindo os discursos que tendem a impor às mulheres o certo e o errado quanto a seus corpos. Mais do que isso, esse e-book busca ressignificar esses dois objetos de estudo (corpo e silhueta), justamente por contestar a normatização e o controle sociais exercidos sobre ambos. Que a leitura dessa história seja prazerosa, ou pelo menos, proveitosa para que possamos nos perguntar, diariamente, a que temos nos submetido”, completa.