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Leonardo Lima Diogo: simplicidade e amor pela família como norte para uma carreira de sucesso

Por: João Oliveira | Categoria: Cidades | 23-04-2017 23:04 | 911
O advogado e contador Leonardo Diogo, também é presidente do Sicoob Nossocrédito
O advogado e contador Leonardo Diogo, também é presidente do Sicoob Nossocrédito Foto de João Oliveira/Jornal do Sudoeste

O advogado, contador e presidente do Sicoob Nossocrédito, Leonardo Lima Diogo, filho de Luiz Carlos Diogo e Terezinha Carolina de Lima Diogo, aos 40 anos diz que tem uma vida completa pelo o que ele mais valoriza: a família. Casado com Marisa Volpe Diogo é pai do Luiz Maurício e Luiz Diogo, de 8 e 3 anos. Ele diz que os filhos são seus maiores tesouros na vida e o amor pela esposa, a quem lembra com carinho e sorriso no rosto a todo o momento, é o que preenche sua vida. Advogado de carreira, natural de Barretos, viveu boa parte da infância e juventude em Campinas, mas veio com a família morar em São Sebastião do Paraíso, terra dos seus avós paternos, aos 14 anos, onde se formou em advocacia pela Unifenas. Saiu da casa dos pais aos 23 anos para  morar e estudar em São Paulo, onde viveu por cinco anos e, após conhecer sua esposa em Paraíso, decidiu fincar suas raízes por aqui. É com carinho que ele recorda da infância, da adolescência em Paraíso e da casa dos avós na roça.  




Jornal do Sudoeste: Você é natural de Barretos (SP)?
Leonardo Lima Diogo: Sim. Eu sou paraisense de coração, mas nasci em Barretos, ocasião em que meu pai era funcionário da Hidrelétrica de Furnas, ele era eletrotécnico e viajava muito, eles moravam em um acampamento em Furnas que chamava Planura e o local que tinha melhores condições e hospital, isso em 1977, era Barretos, então fomos pra lá para eu nascer. Fui batizado em Frutal, minha religião é Católica, passei boa parte da minha infância e juventude em Campinas.  Quando meu pai se aposentou, e já mexia com a área rural em Paraíso, em meados 1992 nos mudamos para cá e eu pude vivenciar um pouco da juventude em Paraíso.




Jornal do Sudoeste: Pode-se dizer que você ama nossa cidade?
Leonardo Lima Diogo: A família dos meus pais são paraisenses. É uma cidade que eu sou apaixonado e tem uma logística muito boa; é próxima de grandes centros e pode oferecer grandes oportunidades a quem tenta anseios profissionais e é uma cidade que as coisas estão por fazer. Voltei a morar em São Paulo para voltar a estudar e trabalhar, mas consegui retornar a Paraíso, onde eu fixei realmente minhas raízes, ocasião onde conheci a minha esposa, começamos a namorar e ela não tinha interesse em morar em São Paulo. Aqui tive a oportunidade de advogar, mas sempre continuei estudando. Eu estudei contabilidade, gerenciamento de cafeicultura, fiz um curso de especialização sobre tributos, não só advoguei, mas também fui professor, que é uma profissão que eu admiro muito e tenho orgulho de dizer que trabalhei como professor durante nove anos no curso técnico ETFG no Ceduc; é uma profissão que eu admiro muito por ser instrumento de informação, formação e de busca de inserção social e melhoria da sociedade como um todo. Hoje ocupo a presidência do Conselho Administrativo do Sicoob Nossocrédito. É um desafio porque assumi esse cargo por meio de um convite feito a mim, para ser presidente de uma empresa a qual vinha sendo administrada pelo meu pai. 




Jornal do Sudoeste: Por que um desafio?
Leonardo Lima Diogo: Nesses 30 anos de Sicoob, meu pai trabalhou quase 18 anos. Para mim é um desafio porque eu tenho a necessidade de manter o legado que ele proporcionou aos associados e de não desapontá-lo enquanto pessoa. É desafiador, mas nada impossível quando se tem três pilares de sustentação, e eu costumo dizer muito isso, que é os três “Cs”: o primeiro dele é a capacidade, a pessoa precisa buscar sua capacidade, nós precisamos estudar muito, precisamos nos atualizar sempre e hoje eu sou certificado pelo Sicoob Universidade, uma prova que eu fiz na Fundação Getúlio Vargas onde são mensurados os conhecimentos de uma pessoa para que ela possa exercer uma atividade em um conselho de uma cooperativa de crédito. O segundo C é o compromisso: nós temos que ter compromisso com o objetivo com o qual a instituição existe que é o associado e o fomento de uma economia sustentável, vocacionada a atender o interesse dos associados. Por último, o caráter: os gestores precisam ter esse caráter; isso porque uma empresa sobrevive por duas situações, a primeira é o resultado, precisa-se ter resultado econômico, sim, todos precisam; a segunda é os valores, que são vinculados a questões éticas e morais, nós conhecemos empresa que tem bons resultados, mas que faltaram com os valores e cometeram ilicitudes. Isso nós temos aqui, bons resultados e valores que nos norteiam sempre.




Jornal do Sudoeste: O que te deixa mais satisfeito hoje?
Leonardo Lima Diogo: Minha família. Claro que a questão financeira é interessante, eu conseguir uma certificação do Instituto Getúlio Vargas e é realmente louvável e também ocupo um cargo que é interessante; eu fui convidado para fazer parte do Conselho Fiscal do Fundo Garantidor da Central Crediminas, que é uma responsabilidade muito grande e foi um convide feito pelo presidente da Central e que demonstra que o nosso trabalho hoje está sendo relevante para o sistema como um todo. Mas o que me preenche e que me deixa realmente satisfeito é dizer que sou pai, que tenho minha esposa, que tenho uma família que me completa, é conhecer minha esposa e depois de dez anos continuar dizendo que a amo, isso é sinal que fiz uma boa escolha.




Jornal do Sudoeste: Como você e a sua esposa se conheceram? 
Leonardo Lima Diogo: Eu a conheci num baile de Carnaval em março de 2003, no Clube Ouro Verde. É engraçado porque dizem que amor de carnaval não dura e o meu durou (risos). Ela morou na zona rural no município de Itamogi até seus 20 anos e depois veio morar em Paraíso com a irmã, então se pode dizer que ela é paraisense também. Eu a conheci nesse baile, em uma manhã, combinamos de sair, e na época eu ainda morava eu São Paulo, daí pra frente começamos um pequeno namoro, depois um namoro mais sério e resolvemos ficar noivos. Eu me recordo que tive que ir até o sítio onde meu sogro mora até hoje para pedir a mão dela em namoro e eu nunca pensei que passaria por uma situação dessas, mas aconteceu. Casamos em 2007, nosso primeiro filho nasceu em 2009 e tivemos mais uma bênção divina que foi o nascimento do nosso segundo filho, em 2013. Isso é realmente fantástico, é o que nos move; os cargos são passageiros, as satisfações profissionais são frutos e consequências do trabalho que temos que ter, e é natural; mas o que realmente nos completa é a família.




Jornal do Sudoeste: E os seus irmãos?
Leonardo Lima Diogo: Eu tenho dois irmãos, o mais velho, que é ortodontista aqui em Paraíso, o Eric Lima Diogo e o mais novo, que é o Breno Lima Diogo e é publicitário, ele mora em Vinhedo. Todos os dois são casados e tem famílias muito bonitas. Há uma curiosidade porque o Eric teve duas meninas lindas, a Melisa e a Valentina e eu tive dois meninos; então meus pais tiveram esses quatro netinhos e o Breno, que é o mais novo, veio para desempatar esse número e teve um menininho lindo, o Lucas, de um ano. Eu sou um tio muito babão e amo crianças, elas são muito puras e verdadeiras.




Jornal do Sudoeste: Falando em criança, quais recordações você guarda da sua infância em Paraíso?
Leonardo Lima Diogo: Tenho muitas lembranças boas, uma delas é o bolinho de chuva da minha avó, a Cândida Carvalhais Diogo, a dona Zica. Ela também morava na zona rural aqui de São Sebastião do Paraíso e quando nós morávamos em Campinas, as nossas férias eram na roça do meu avô Nenem Diogo, o Moacir Diogo Pereira. Minhas lembranças são aquelas do tempo da roça, de andar descalço, de brincar com barro, cair de árvore, de andar em um cavalo branco que chama Javanês. Também tenho lembranças das conversas que tínhamos quando dormíamos na roça e me recordo da minha avó contar histórias de terror pra fazer os netos ficarem quietos, e nós éramos muito bagunceiros e fazíamos muitas “artes”, mas eram artes boas. Eu me emociono muito de lembrar desta época, tive uma convivência fantástica com o meu tio, irmão do meu pai, que já faleceu, o tio Paulinho; eram momentos mágicos. Talvez também porque morávamos em apartamento em Campinas e quando chegávamos aqui tínhamos esse momento de liberdade. Lembro também de tomar a famosa “vaca preta”, coisa que não existia em cidades grandes.




Jornal do Sudoeste: Foi difícil deixar Paraíso para ir pra São Paulo?
Leonardo Lima Diogo: Muito. Muita gente diz que São Paulo é uma cidade para se visitar, e eu também acho isso. Mas não é uma cidade para se morar. Quando vivi lá, era muito difícil; recordo-me que eu gastava cerca de 1h30 para sair da minha casa e chegar ao meu trabalho, eu já advogava. Era muito cansativo, porque eu saia às 5h e volta às 22h. Foi um período de muita economia, é um lugar muito caro de se viver, mas valeu a pena porque me deixou uma pessoa muito mais forte. Eu aprendi muito profissionalmente, a andar e viver em uma cidade grande e a descobrir que o mundo não é um local isolado e São Paulo lhe oferece isso, você está a todo o momento tendo choques culturais. Isso é muito bacana, porque você aprende a respeitar culturas, a respeitar pessoas e a individualidade de cada um e isso faz com que sejamos pessoas melhores. Não me assustei em deixar Paraíso e ir para uma cidade grande porque eu vivi grande parte da minha juventude em Campinas, o que me assustou foi o fato de eu estar deixando a casa dos meus pais para começar a realmente a escrever a minha história.




Jornal do Sudoeste: E o principal motivo do seu retorno à Paraíso?
Leonardo Lima Diogo: Foi minha esposa. Eu tinha a conhecido, estava apaixonado por ela e ela não tinha essa vontade de ir para São Paulo. Então me mudei para cá, onde advoguei, montei escritório e sempre trabalhei na área de direitos empresariais. As coisas foram dando certo; fiquei advogando, também fiz outros cursos e tenho muito orgulho de dizer que também sou contador, que é uma profissão fantástica; também fui convidado para ser professor no Ceduc. Apesar de morar em uma cidade pequena, aqui minha vida também foi atribulada; mas é bacana porque isso nos preenche e nos motiva ainda mais. 




Jornal do Sudoeste: Como é sua história com o Sicoob Nosso-crédito?
Leonardo Lima Diogo: Eu prestei serviços jurídicos para a Cooperativa. Eu ainda sou diretor jurídico na Acissp, que é uma associação onde eu tenho orgulho de fazer parte daquela equipe. Além disto, sempre estive muito próximo à Cooperativa e sempre trabalhei muito próximo ao meu pai também. Ele resolveu se aposentar, devido ao cansaço, é um trabalho que exige um fluxo constante de atualizações e nós viajamos muito. Nesse meio tempo eu fui indicado para a presidência do Conselho Administrativo do Sicoob, então eu assumi. Eu demorei muito para aceitar o pedido porque eu teria que deixar a advocacia e também as aulas que ministrava na ETFG. Pensei muito e disse sim, hoje estou muito feliz e satisfeito com isso. Nossa cooperativa, de 86 ela é a 6.ª maior em resultados na rede Credminas. Somos relevantes no meio onde estamos e somos referência ao sistema ao qual fazemos parte.




Jornal do Sudoeste: E o que você destaca sobre esse trabalho realizado pelo Sicoob?
Leonardo Lima Dioga: Hoje temos muitos projetos educacionais, projetos que inclusive são copiados pelo sistema Credminas, inclusive em Belo Horizonte. Projetos como o “Nossocré-dito Cidadania”, onde nós tivemos uma inserção de mais de 5 mil alunos do ensino fundamental e tem como norte explicar o que é o cooperativismo para as nossas crianças. Foi um projeto muito bem aceito pelas escolas municipais e estaduais onde nós tivemos um dia onde levamos essas informações a essas crianças, que trabalharam a questão, principalmente de cooperativismo de crédito, e noções de aritmética, português e história (a história do dinheiro); com isso esses alunos produziram redações e frases as quais as melhores foram escolhidas pelos nossos associados e esses alunos e escolas foram premiados. Tivemos um projeto que buscou dar alento aos produtores rurais que foram prejudicados com a chuva de granizo na região de Cássia e Pratápolis, com juros bastante módicos com a finalidade de socorrê-los mesmo e se tornou uma referência. O projeto “Amigos do Bem”, que foi um leilão que realizamos para captar recursos a serem doados às instituições de assistência do município e, agora, recentemente, o projeto “Dia C”, onde viabilizamos a reestruturação e pintura do Asilo, transferência da Casa Menino Jesus para sede própria, enfim, vários projetos sociais que hoje são copiados e que criam um sentimento de pertencimento do associado com a comunidade; quem nos procura terá a certeza que a cooperativa faz algo de importante para a sua comunidade e, deste modo, o associado se sente valorizado e amparado.




Jornal do Sudoeste – Você já fez muita coisa. Qual o balanço que você faz olhando para esses 40 anos de história?
Leonardo Lima Diogo – É uma pergunta interessante. Se eu pensar em estatísticas, daqui pra frente cada ano que se passar eu vou ter mais passado que futuro e isso é bem interessante de se pensar. E se você começa a perceber que terá mais passado que futuro, o seu compromisso em viver bem se torna maior. Quarenta anos de existência é pouca experiência, muita vontade, muitos sonhos a se realizar e muita ingenuidade, para se dizer a verdade. Há uma ingenuidade, sim, nos jovens e eu me considero uma pessoa que está se aprimorando e se lapidando. O que esperar para mais quarenta, cinquenta, sessenta anos? Esperar uma sociedade mais justa. Esperar a possibilidade de vivermos em um mundo melhor como um todo. Eu acredito nisto; eu acredito que nós estamos caminhando por mudanças onde nós vamos ter pessoas que terão orgulho de dizer que exercem determinada atividade aqui ou ali, atividades representativas; eu quero que tenhamos orgulhos de dizer que existem políticos; eu gostaria que as profissões que entrassem em decadência fossem guardas, policiais, juízes, promotores; eu gostaria que tivesse menos trabalho jurídico na nossa sociedade, isso demonstraria que existem menos conflitos e que estamos maduros suficientes para conseguir resolvê-los por conta própria. O que eu espero de futuro para nosso país, para minha vida, é que consigamos enxergar embriões que sejam germinados para que tenhamos uma sociedade mais justa, mais igualitária. Uma sociedade que não haja tantas discrepâncias em indicies inadmissíveis em um mundo contemporâneo como, por exemplo, somos recordistas na safra agrícola, mas ainda temos fome; é tão triste quando percebemos que há dificuldade entre os povos de se entenderem seja por brigas religiosas ou por preconceito que ainda existe na nossa sociedade e isso é inconcebível. Eu espero que essas situações dicotômicas acabem. Eu quero isso, porque quero que meus filhos vivam em um mundo melhor, um mundo onde há evolução social assim como nós estamos vivenciando a evolução tecnológica. E isso nós conseguiremos por intermédio de um único instrumento: a educação. O povo que não tem uma educação justa é um povo carente de valores.