CRÔNICA HISTÓRICA DE SÃO SEBASTIÃO DO PARAÍSO:

História da imprensa paraisense - Parte 10

Por: Luiz Carlos Pais | Categoria: Cidades | 26-04-2017 08:04 | 633
Foto de Reprodução

O dia 25 de julho de 1928 ficou na história da imprensa paraisense devido ao lançamento de uma nova fase do jornal Nova Era, órgão de divulgação do Partido Republicano Municipal, liderado pelo comendador José Honório Vieira, um dos maiores cafeicultores do estado de Minas Gerais. A referida legenda surgiu como dissidência do Partido Republicano Mineiro, cujo diretório municipal era então presidido, na mesma época, pelo comendador João Alves de Figueiredo. Com o mesmo título, esse jornal já estava circulando em Paraíso, no início da década de 1920, como consta no Lavoura e Comércio, histórico jornal de Uberaba, em edição de 12 de junho de 1921. Esse jornal do Triângulo Mineiro, ao divulgar a inauguração da estação ferroviária de Passos, no sudoeste mineiro, cita como fonte uma notícia anteriormente publicada pelo Nova Era.
Uma semana após o seu reaparecimento, o evento foi noticiado pelo Diário Nacional, em 31 de julho de 1928, divulgando tratar-se de um “novo diário”, cuja chefia de redação era exercida pelo advogado José de Souza Soares, com direção geral do médico Paulo Reis. Na realidade, tratava-se de um semanário e não de um diário, como ficou esclarecido em diferentes artigos redigidos pelo professor Raimundo Calafiori, que exercia as funções de correspondente local do referido diário paulistano. Ainda subsiste na memória de paraisenses agraciados pelos anos longevos, as memoráveis aulas de ciências ministradas pelo saudoso professor que exercia a profissão de farmacêutico.
O professor Raimundo Calafiori publicava, com regularidade, no referido jornal paulistano um resumo dos principais eventos ocorridos na florescente cidade, que respirava momentos áureos como polo da cafeicultura regional. Entre as notícias enviadas, destacavam as relacionadas com festas religiosas, educação e cultura, com várias referências ao Ginásio Paraisense, Colégio Paula Frassinetti e à Escola de Farmácia e Odontologia. O referido mestre exercia atividade jornalística, com alma de educador, com certo traço de objetividade ou, pelo menos, sem subjetividade excessiva, tão comum no clima das acirradas disputas políticas daquele momento. 
O comendador José Honório Vieira era proprietário da tipografia do Nova Era, mas para o relançamento de 1928, mandou comprar e instalar máquinas novas, as quais eram anunciadas como sendo o que havia de melhor em toda a região. Nesse sentido, as indicações memoriais confirmam que o jornal, de fato, era muito bem impresso e composto, sendo sua oficina administrada por um experimente tipógrafo, contratado em outra cidade, especialmente, para relançar o periódico político.
A equipe de redatores contava com o professor de Francisco de Alencar Assis, catedrático de Latim, Filosofia e Português do Ginásio Paraisense, cuja formação humanística fora adquirida durante alguns anos de estudo como seminarista. Entre os colaboradores mais assíduos estavam ainda: José Benício de Paiva, Alfredo Pimenta de Pádua e Antônio Marques de Souza. Estavam vivendo momentos de redefinição dos rumos políticos do país, quando José Honório Vieira reassumiu a presidência do diretório do Partido Republicano Municipal, após um período de afastamento.
Na mesma época, uma terceira frente política começava a se formar na cidade. Alguns trabalhadores estavam organizando a Liga Operária. Para tal, criaram uma animada Banda de Música e uma comissão com a finalidade de angariar recursos para a construção da sede da instituição, no Largo São José. O grupo foi então visitar os dois principais líderes políticos de Paraíso. Na fazenda do comendador Honório Vieira, foram muito bem recebidos, com uma farta mesa de doces, quando discursou o líder dos trabalhistas, ressaltando o espírito progressista do comendador, que abriu o livro de doações com uma generosa quantia. Com a mesma cortesia e generosidade política o grupo foi também recebido na fazenda do comendador João Alves de Figueiredo, que, igualmente, registrou sua generosa oferta para a construção da sede da instituição.