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Zilmah Monteiro de Melo: A dança como benefício para a alma

Por: Heloisa Rocha Aguieiras | Editoria: cultura | 28/02/2017 | Visualizações: 114

“Se enviarmos energia positiva o universo nos devolve positividade” - Foto de Silvia Queiroz

Zilmah Monteiro de Melo nasceu no interior de Goiás, em Itauçu e veio ainda menina com sua família para São Sebastião do Paraíso. A dança é sua paixão presente em suas lembranças desde quando ela tinha cinco anos, quando não havia nem rádio em sua casa, mas a irmã cantava para que ela dançasse, encantando o pai João Monteiro da Silva e a mãe Luzia Benedito Diogo da Silva, que já são falecidos. Muitos anos mais tarde conseguiu realizar o sonho de dançar e com ele, vieram muitas outras realizações. Zilmah se casou com Donizete e é mãe de Diego e Ludimila. Atualmente é proprietária do estúdio de dança “Espaço Árabe Ayuni”.


 


Jornal do Sudoeste – Como sua família veio morar em São Sebastião do Paraíso?


Zilmah Monteiro de Melo – Tenho uma irmã, a Ilma, que sofreu paralisia infantil e ficou paraplégica. O melhor tratamento que nos foi recomendado era em Belo Horizonte e a informação que tínhamos é que São Sebastião do Paraíso fazia o encaminhamento. Meu pai vendeu tudo o que tínhamos e viemos embora. O tratamento era experimental e, infelizmente, não deu certo. Ela chegou a ficar internada no Hospital Sara Kubitschek e a fazer alguns tratamentos em Ribeirão Preto, mas sem o sucesso que esperávamos também, porém ficou a família inteira aqui, incluindo os quatro filhos.


 


Jornal do Sudoeste – Como foram seus estudos?


Zilmah Monteiro de Melo – Fiz até o ensino médio, depois veio a época do meu filho. Não fiz faculdade, mas agora estou querendo fazer um curso técnico de dança que é reconhecido pelo MEC (Ministério da Educação). Outro dia quase me entristeci por estar chegando nos 40 e que tenho que parar, mas me dei conta que dos 40 para os cem é muito tempo, como viverei até os cem...(Diz com bom humor). Esse curso é em São Paulo, presencial em uma vez ao mês, parece uma especialização, destinado a quem tem mais de dez anos de carreira na dança.


 


Jornal do Sudoeste – Quando foi que você resolveu que seria uma bailarina?


Zilmah Monteiro de Melo – Desde que me conheço por gente eu já danço. Não pode ser aquela menininha que foi colocada no balé. Minha mãe foi uma mulher muito doente; quando mudamos para Minas, tudo aconteceu. Um prego enferrujado feriu a perna da minha mãe, abrindo uma ferida, que nunca sarou e trouxe várias complicações e também vivíamos a ilusão de minha irmã poderia voltar a andar e não sobrava dinheiro. A gente era tão pobre que não tinha um rádio. Minha irmã via os programas de auditório, decorava a música e cantava para que eu dançasse e meus pais vissem. Quando eu estava no grupo, eu e duas coleguinhas montamos um grupinho de jazz, afinal ela tinha aula de jazz e eu tinha vontade; na escola onde elas tinham aulas tem um tipo de uma vitrine e eu ficava olhando as meninas tendo aulas. Minhas duas amigas, com pena de mim, me emprestaram uma polaina, um colant, uma calça de lycra e fomos dançar, arrasamos na escola. O tempo passou, casei, fui realizar outro sonho de construir minha casa, criar os filhos.


 


Jornal do Sudoeste – Mas você não esqueceu o sonho da dança?


Zilmah Monteiro de Melo – De jeito algum. Quando foi lançado o grupo “O Tchan”, eu e Carla Peres parecíamos amigas íntimas, eu sabia todas as coreografias, com a “Banda Calipso” acontecia a mesma coisa, eu nem olha a cantora Joelma, eu só tinha olhos para os bailarinos de palco que dançavam atrás dela. Meu sonho era ser bailarina da Joelma e eu já tinha uns 24 anos. Comecei a fazer dança na academia Impacto, pensando em cuidar um pouco de mim.


 


Jornal do Sudoeste – Você partiu para a profissionalização?


Zilmah Monteiro de Melo – Passei a acordar de madrugada, ia para a academia e corri atrás. Aí a Geovana, proprietária da Impacto Academia, me convidou a dar aulas porque a professora Cyntia Araújo ia embora. Mas eu me achava muito dura e queria algo que pudesse me dar feminilidade. Fui atrás de aprender balé, mas na época não oferecia turma adulta. Fiquei sabendo de uma moça que estava dando aulas de dança do ventre e fui fazer, depois de um tempo eu já queria mais. Fui atrás de fazer cursos fora de Paraíso, o primeiro foi em 2006. Fui fazer aulas de uma porção de técnicas em Ribeirão Preto, São Paulo, Araraquara, Franca, Belo Horizonte e Buenos Aires.


 


Jornal do Sudoeste – Foi assim que você optou pela dança do ventre?


Zilmah Monteiro de Melo – Atualmente estou fazendo aulas em Ribeirão Preto de especialização para profissionais. Eu me encontrei com a dança do ventre. Para mim é uma das modalidades de dança mais completa e mais complexa, tem uma grande influência no balé, trabalha intensamente o tônus muscular, ajuda a coordenação motora, é excelente para o aspecto psicológico.


 


Jornal do Sudoeste – Quando foi que você resolveu dar aulas de dança?


Zilmah Monteiro de Melo – Tive uma decepção e me desfiz de tudo, CDs, roupas e fui fazer tai chi chuan, em busca de uma cura interior, fiz vários cursos, até que o mestre Márcio Zaqueu disse que me colocaria para dar aulas. Fui para casa e pedi em oração para que Deus me mostrasse o caminho certo para minha carreira. Fiquei sabendo que uma bailarina famosa, Nágila Gobe estava ministrando um curso em Ribeirão Preto de dança do ventre e dança folclórica. Eu queria muito fazer esse curso porque ela era uma bailarina de meia idade na época e maravilhosa, um show. Depois resolvi ir dar aulas na Impacto. No primeiro dia, minha aula ficou lotada, na terceira semana não tinha mais ninguém. Orei de novo e pedi um sinal para saber se a dança era para ficar na minha vida, na aula seguinte, lotou; fiquei cinco anos na academia. Fiz jantares, vários eventos. Abri um espaço muito pequeno em 2012, e ainda trabalhava na empresa de consórcios, vendendo motos. Em dois anos, meu espaço ficou pequeno e me mudei para o espaço onde é o estúdio atualmente. Nesse período fui me especializando, fiz inúmeros cursos e atualmente trabalho com Rossana Mello, que é minha coach profissional.


 


Jornal do Sudoeste – Como é o seu estúdio de dança atual?


Zilmah Monteiro de Melo – É o “Espaço Árabe Ayuni”, palavra que quer dizer “a luz de meus olhos”. De todas as dores que passei, afinal a vida não é fácil, a dança é onde me encontrava, era o que dava luz aos meus olhos. Era um galpão grande e fui arrumando. Ofereço aulas de dança do ventre (para formação de profissionais), zumba, fit dance, jazz, dança, axé, funk e alongamento. São 118 bailarinas, mas os planos são de ter 250. Trabalho com crianças a partir de cinco anos a 75 anos. Não tenho homens na dança do ventre, porque aqui não surgiu ainda. Em outras escolas em grandes centros há homens que fazem dança do ventre. Tenho alunos no jazz e nos ritmos, com ideia de colocá-los nas apresentações de fim de ano, quando encenaremos “Alad-din”, pois sempre preciso trazer bailarinos de outras cidades para completar o quadro que os espetáculos exigem.


 


Jornal do Sudoeste – Como a religiosidade entrou em sua vida


Zilmah Monteiro de Melo – Sou muito mística, desde sempre. Acredito em um Deus muito perfeito, sou evangélica e frequento a Igreja Universal. Conversei com o pastor, contando a ele que acredito em outras coisas e disse que iria me afastar da igreja por causa disso. Ele me perguntou se eu acreditava de todo o coração no que eu fazia e disse que sim, então ele me respondeu que tudo estava perfeito. Eu me apaixonei pela Igreja Universal por isso. Eu acredito na força da natureza, acredito que emanamos energia para o universo que devolve aquilo que emitimos; se enviarmos energia positiva o universo nos devolve positividade. Sou mística mesmo.


 


Jornal do Sudoeste – Sabemos que você faz produções para artistas que estão começando. Como é essa atividade?


Zilmah Monteiro de Melo – O primeiro artista que produzi foi o músico Maycon Priorato, com quem iniciei o trabalho no ano passado. Apesar de ter vários cursos na área de preparação artística, é um trabalho novo para mim. Minha experiência vem muito de preparar a alunas da dança para as apresentações, com o olhar, os sorrisos no momento certo, a postura para evidenciar o melhor do rosto, como atrair a atenção do público e disfarçar o nervosismo e outras situações. Agora estou fazendo essa mesma preparação com a cantora mirim Lawany Ferreria, que despontou no programa “The Voice Kids”. Gosto muito dessa área.


 


Jornal do Sudoeste – Conte-nos a história do evento que você promove, chamado “Chão de Estrelas”.


Zilmah Monteiro de Melo – Há quatro anos, minhas alunas queriam participar de eventos que eu já fazia como o show do Dia das Mães e de fim de ano. Como o número de alunas havia crescido muito, eu não sabia como dar essa oportunidade a todas, então pensei em um concurso de dança, nos moldes dos que acontecem nos grandes centros. Em dois dias, reunimos bailarinos para administrar workshops profissionalizantes, com certificado; recebemos em torno de 40 cidades e o meu estúdio não participa do concurso para não haver qualquer manifestação de que há privilégios. No primeiro evento, trouxe duas professoras, a Ju Marconato, de Arara-quara e Fabiana Rodrigues, de Paraíso e deu tudo certo. No segundo ano, trouxe uma bailarina que havia chegado recentemente da Tunísia naquela época, Esmeralda Colabone, no Teatro Municipal “Sebastião Furlan”, mas não cabia o número de pessoas e cheguei a ficar desesperada e não sabia o que fazer. No ano passado foi no “Espaço 88”, e lotou. Este ano será com o meu professor argentino Pablo La Costa, mundialmente conhecido, com apresentações em mais de 25 países e será em 8 e 9 de julho, no espaço de eventos “Evelina Buffet”. As inscrições já estão acontecendo. Para o Dia das Mães estamos preparando uma apresentação com o tema rock. Um ano antes já estou pensando no próximo, apesar de todo ano eu dizer que não farei outro por cansaço, disse que esse ano será o último, pois receber o Pablo será uma grande responsabilidade. Apesar disso, penso em trazer uma bailarina russa ano que vem (diz com bom humor).


 


Jornal do Sudoeste – O que a dança traz?


Zilmah Monteiro de Melo – Como eu sou muito mística, peço sempre a Deus que eu tenha o poder de cura e acredito que a dança é capaz disso. Uma moça de Passos com depressão recebeu a recomendação de seu médico para procurar minha escola para fazer dança como forma de terapia. Há um trabalho psicológico dentro da sala de aula de dança. A dança do ventre favorece a autoestima, faço a aula do “eu me amo”, quando coloco minhas alunas em frente ao espelho, peço para que se olhem e apontem seus pontos fortes a se namorarem. Antes da bailarina vem a mulher, acredito muito no poder feminino que é muito forte, eu as convido a saber o valor que elas têm.


 


Jornal do Sudoeste – Qual é o seu maior desejo?


Zilmah Monteiro de Melo – É que a dança do ventre seja melhor vista. Ela sofre muito preconceito. Convido todos a conhecer o trabalho do meu estúdio, é uma dança para mulheres fortes e bem resolvidas. Quando comecei quase me sentia uma prostituta, de tanto preconceito e como a dança era mal vista e não é nada disso. As pessoas precisam conhecer.


 

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