AGRONEGÓCIOS

Broca-do-café pode explodir nos cafezais do Brasil, saindo do controle

Por: Redação | Editoria: agricultura | 23/07/2017 | Visualizações: 1042

No café conillon o problema da broca é grave. Se a colheita atrasar, os grãos ficam bem destruidos (direita) e acabam indo para a escolha - Foto de Reprodução

Teremos que conviver com a broca-do-café que atingiu níveis alarmantes e com ampla possibilidade se tornar explosivo. 
Senhores Agrônomos, técnicos, Cafeicultores , Comerciantes e a todos do segmento do Agronegócio, o problema da Broca do Café (Hypothenemus hampei) tornou-se seríssimo.
Teremos que conviver com a broca que atingiu níveis alarmantes e com ampla possibilidade se tornar explosivo. Trata-se de um inseto minúsculo do tamanho de uma pulga com 1,2 mm de comprimento e, com um ciclo de 21 dias. Inicia-se o ataque nos frutos em estádio de formação e dando continuidade, inclusive, no armazenamento. Aqui cabe uma atenção especial ao café estocado.
Com esse ciclo curtíssimo poderemos ter até 7 a 8 gerações numa única safra sem considerar as brocas remanescentes dos frutos da colheita anterior. Somando se as gerações multiplicadas nos frutos sobrados no solo e na planta da colheita passada teremos o dobro, no mínimo, de multiplicações exponenciais porque há possibilidades de até 20 brocas por fruto.
Essa praga além de derrubar os frutos no solo provoca até 20% de queda no peso. As galerias provocadas internamente nos frutos são verdadeiras portas para a entrada de fungos maléficos a bebida como: fusarium, aspergillus entre outros.
Essa situação da elevação a níveis comprometedores decorreu se ao fato de nossas lideranças e do próprio MAPA desconhecerem os riscos que colocaram a cafeicultura brasileira. Lamentavelmente, tomaram uma medida incabível e irresponsável proibindo o Endossulfan sem um substituto à altura. Com essa medida impensada e descabida provocou se um vácuo sanitário e a praga explodiu nesses 4 últimos anos.
Agora, estão surgindo outros produtos para o controle da broca mas, os cafeicultores acostumados com baixa incidência e ao uso do Endossulfan terão que ser reeducados p aprenderem a conviver com essa situação alarmante. Teremos que retomar urgentemente as práticas culturais na tentativa de eliminar frutos no solo e nas plantas. Além disso, os cafeicultores deverão estar cientes que não surgirão produtos milagrosos.
Conhecemos o comportamento dos cafeicultores que são extremamente tradicionalista e hão de sentir o que é realmente a broca. Terão que conscientizar das práticas culturais e acostumarem aos novos defensivos que serão mais caros e terão que ser misturados com óleos minerais ou vegetais p melhorar a eficácia dos produtos.
Estou convicto que teremos sérios problemas num futuro a curto e a médio prazo com essa praga. A broca originou se de Uganda e chegou ao Brasil na primeira/segunda década do século passado e em poucos anos expandiu por todo parque cafeeiro.
Na época lançou se até a criação laboratorial da Vespa de Uganda p povoar nossos cafezais na tentativa do controle biológico. A Vespa de Uganda não encontrou as mesmas condições ambientais no Brasil e o projeto naufragou.
Penso que teremos que fazer uma ampla campanha aos cafeicultores sobre a real situação e mostrar a necessidade dos repasses pós-colheita. Somado a isso terão que aprender a trabalhar e pagar caro pelas novas moléculas e precisam estar cientes que a broca tornou se um sério problema.
Sugerimos ainda que seja destinado no mínimo 20% das verbas do Funcafé para socorrer de imediato o ataque explosivo e subsidiando os cafeicultores, para o repasse que custa muito caro e, financiar com juros módicos por três a quatro anos seguidos os produtos fitossanitários com prazos dilatados para o pagamento desses recursos a serem liberados.
Ainda, deveremos formular produtos à base de Beauveria bassiana, que é um fungo natural, p aplicações nas áreas com altas infestações. O retorno do Endossulfan também será uma medida interessante, mas, os cafeicultores terão que enquadrar as aplicações dentro do que expomos. Quando da época da ventilação da proibição do Endossulfan enviando e mail e outras comunicações ao CNC, ao MAPA e outros, mas, foram mocos como costumeiramente esses coronéis se comportam.
Essa explosão da broca é de total responsabilidade do MAPA e CNC. Aos mocos que não respeitam os cafeicultores precisarão passar a nos respeitar ou precisarão ser substituídos por profissionais empáticos e capacitados p recuperarmos o setor produtivo!
A. Mattiello - SINCAL
Fonte: Revista Cafeicultura

 

 

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