INTEGRAL

SEE apresenta política de educação integral para a juventude em Minas

Por: Roberto Nogueira | Editoria: educacao | 30/06/2017 | Visualizações: 751

Algumas escolas de Paraíso já realizam atividades em tempo integral - Foto de Arquivo "JS"

A SEE (Secretaria de Estado da Educação) realizou nesta semana as atividades do "Encontro das Escolas Polem: Caminhos para a Consolidação da Educação Integral e Integrada em Minas Gerais". O evento teve por objetivo apresentar aos representantes das SRE (Superintendências Regionais de Ensino) e das 58 instituições de ensino estaduais que se tornarão Escolas Polos de Educação Múltipla, a partir do dia 1º de agosto. "Com a contribuição dessas instituições, queremos fazer florescer a maior e melhor Educação Integral e Integrada do país", destacou Cecília Resende, superintendente de Desenvolvimento do Ensino Médio da SEE.
O primeiro dia de encontro contou com a presença de 326 profissionais da educação, entre servidores que atuam no órgão central da SEE, representantes das SRE's, das 44 escolas que integram o Programa de Fomento à Educação em Tempo Integral no Ensino Médio e das demais 14 escolas POLEM. Estas instituições foram selecionadas por corresponderem a diversos critérios, como ofertarem o Ensino Médio em Tempo Integral e cursos da Rede de Educação Profissional; pela quantidade de alunos na Educação Integral e por oferecer atividades no eixo do esporte, saúde, culturas e artes.
Até 2014 Minas Gerais não possuía uma política ampla de Educação Integral. Segundo especialistas a oferta era oscilante e sem proposta de ampliação; a ênfase estava no reforço escolar, na avaliação externa e na oferta de macrocampos do programa Mais Educação. Com a criação das escolas POLEM, além de abrir caminhos para a Educação Integral e Integrada, está sendo assegurado acesso e a permanência dos educandos na educação básica. A intenção é a de garantir a efetiva aprendizagem, pautando-se, por meio da gestão democrática e participativa, pelo respeito à diversidade, pelo protagonismo estudantil e relação com a comunidade, além da valorização do profissional da educação e do trabalho coletivo.
Ao envolver toda a comunidade escolar como estudantes, professores, diretores, pedagogos e demais atores, além das superintendências regionais de ensino, SEE, entes públicos e comunidade externa, a educação múltipla, pretende, entre outros pontos, ocupar o tempo integral para o desenvolvimento da aprendizagem e construir atividades pedagógicas que potencializem o desempenho escolar, os saberes e capacidades dos educandos, extrapolando o simples preenchimento da jornada ampliada.
Para a analista educacional Vanessa Soares, da 35ª SRE de São Sebastião do Paraíso, as escolas POLEM e o Ensino Médio em Tempo Integral modificarão a realidade dos jovens mineiros. "É uma ótima iniciativa, pois oferecerá possibilidades tanto acadêmicas como profissional. Escutando os estudantes e verificando suas necessidades reais, essas ações diminuirão a evasão escolar e tornarão o espaço estudantil mais atraente", ressaltou. A Regional de Ensino de Paraíso conta com 22 escolas que ofertam o Ensino Médio e uma terá uma Escola POLEM.
A secretária de Estado de Educação, Macaé Evaristo, também reforçou que a agenda da educação integral vai além da ampliação do tempo e perpassa as metas estabelecidas no Plano Nacional de Educação (PNE). "Quando a gente fala do acesso e da garantia do direito à educação infantil, ao ensino médio para todos os jovens; à educação de jovens e adultos; do reconhecimento e do tratamento das diferenças; do olhar para as escolas do campo, indígenas, quilombolas; e tantos outros aspectos, estamos falando de integralidade ao longo da vida" conclui.


OFICINAS
Na terça-feira,27, segundo dia do encontro, os representantes da Subsecretaria de Educação Básica da SEE reuniram-se com os diretores das SRE's e das 58 instituições de ensino para conversarem sobre o projeto de implantação das Escolas Polos de Educação Múltipla (POLEM). Ao mesmo tempo, os coordenadores do Programa de Fomento à Educação em Tempo Integral no Ensino Médio das 44 escolas e os analistas do Ensino Médio das SRE's debatem o currículo e os campos de integração curricular propostos para o Ensino Médio Integral e Integrado.
Na quarta-feira,28, encerrando o evento, a SEE apresentou aos 44 coordenadores do Programa de Fomento à Educação em Tempo Integral no Ensino Médio e aos analistas do Ensino Médio das SRE's as disciplinas Pesquisa e Intervenção e Diálogos com a Cidade, além da metodologia da pesquisa-ação como possibilidade de trabalho nas disciplinas. Já os diretores das SREs, diretores e especialistas das 58 escolas POLEM; analistas da Educação Integral e assessores pedagógicos das 32 SRE's participaram de palestra que abordou as estratégias de gestão.


ENSINO MÉDIO INTEGRAL
Em Minas Gerais, o Ensino Médio Integral será ofertado por 44 escolas estaduais que aderiram e corresponderam aos critérios estabelecidos na portaria 1.145/2016, do Ministério da Educação, que instituiu o Programa de Fomento à Educação em Tempo Integral. A implementação ocorrerá de forma gradual, iniciando com 9.640 alunos do 1º ano do Ensino Médio e chegando aos demais no final de três anos. Para coordenar o programa, foram contratados professores ou especialistas da educação básica que já atuam no Ensino Médio de cada instituição. 
A proposta pedagógica das escolas estaduais de educação em tempo integral no Ensino Médio tem por base a ampliação da jornada escolar, com 9 horários diários, que representam 45 horas-aula semanais, e a formação dos estudantes tanto nos aspectos cognitivos quanto nos socioeconômicos. O currículo será constituído de duas partes, sendo a primeira de formação básica, que compreende as temáticas de cada área do conhecimento indicadas na Base Nacional Comum Curricular; e flexível, que é composta por três campos de integração, Cultura, Artes e Cidadania; Múltiplas Linguagens, Comunicação, Novas Mídias; e Pesquisa e Inovação Tecnológica; além de um curso técnico profissionalizante. 
A proposta curricular deve considerar a opinião dos alunos do 1º ano do Ensino Médio que, anteriormente, responderam a uma consulta da Secretaria de Educação, cujo objetivo foi saber o que eles queriam estudar, os campos que desejariam investir e como gostariam de aprofundar o conteúdo. A escuta deve ser base da construção da educação integral e integrada, principalmente para os jovens do Ensino Médio. 
Os estudantes também poderão participar de cursos técnicos profissionalizantes que serão oferecidos nessas instituições. A ideia é aliar pesquisa (olhar acadêmico) e capacidade técnica para quem quer já sair qualificado para o mercado de trabalho.

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