BROCA DO CAFÉ

Controle da broca do café tem que começar já na colheita, afirma especialista

Por: Redação | Editoria: agricultura | 30/06/2017 | Visualizações: 757

- Foto de Reprodução

O controle da broca, uma das principais pragas do café no Brasil, está cada dia mais difícil. A falta de defensivos eficientes no mercado dificulta o combate, por essa razão, os técnicos recomendam que a melhor maneira de evitar maiores problemas é o manejo preventivo, que deve ser feito começa já na colheita do café.
A broca é causada pela fêmea de um besouro, que perfura a região da “coroa” do fruto do café e deposita os ovos em seu interior. As larvas que nascem daí se alimentam da semente e causam perdas de até 20% no peso do grão. A praga também prejudica a classificação do café e a qualidade da bebida.
O cafeicultor Alisson Bueno Rossi, de Muzambinho (MG), conta que alguns talhões de sua propriedade apresentam índices de infestação por broca de até 5%. Os impactos já são percebidos nos primeiros grãos colhidos nos pés de café, que ocupam 11 hectares.
“Isso vai aumentar a catação, o que gera impacto no custo: em média, R$ 1,50 por ponto de catação. Considera-se um defeito cada três grãos danificados”, diz Rossi.
Ambientes úmidos e com baixa luminosidade favorecem a infestação. Outro ponto importante é evitar a permanência dos frutos, tanto na planta como no chão, entre uma safra e outra, já que eles poderiam servir de alimentos para o inseto durante o período de entressafra.
O besouro permanece nos grãos remanescentes da safra anterior. Após a florada, o inseto começa a se deslocar para os novos frutos, que estão na fase de chumbinho. Esse processo é conhecido como período de trânsito e ocorre entre os meses de outubro e novembro. O professor Alberto Donizete Alves, do Instituto Federal do Sul de Minas, explica que este é o melhor momento para o agricultor iniciar o monitoramento da lavoura, para verificar o índice de infestação da praga.
O monitoramento é feito por amostragem. Nos talhões mais suscetíveis à praga, são coletados cerca de cem frutos, na região apical, na mediana e no baixeiro da planta. “Normalmente, são utilizados em torno de 50 plantas por talhão, nas quais se faz a contagem e verifica a quantidade de frutos broqueados e sadios, para calcular a porcentagem”, explica.
Os defensivos disponíveis não são eficientes no controle da praga. O uso dos produtos só é recomendado quando o índice de infestação é superior a 5%, por causa do alto custo da aplicação. Para evitar grãos remanescentes de uma cultura para outra, o produtor pode utilizar algumas técnicas após o término da colheita. Uma delas é o chamado esqueletamento, um tipo de poda feito para arejar a cafezeiro. “Uma planta com maior ventilação tem menos problema”, diz Alves.
A colheita mal realizada deixou o produtor Ari Martins de Queiroz em maus lençóis. Alguns talhões de sua propriedade de 45 hectares registram índices de até 30% de infestação de broca. “Fizemos duas aplicações (de inseticida), mas não teve o efeito que nós esperávamos. A broca ficou e está causando prejuízo”.
Mesmo em áreas montanhosas, onde a colheita representa mais de 50% do custo de produção, a retirada do produto das lavouras deve ser bem feita para evitar prejuízos no futuro. O professor Alves lembra que uma colheita bem feita custa menos do que fazer aplicações químicas. “Além disso, a presença do inseto na lavoura vai trazer danos na quantidade e na qualidade do café”, diz.

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