CRÔNICA HISTÓRICA DE SÃO SEBASTIÃO DO PARAÍSO:

Recenseamento escolar de 1913

Por: Luiz Carlos Pais | Editoria: cidades | 07/08/2017 | Visualizações: 210

- Foto de Reprodução

Para se ter uma ideia da realidade da educação escolar em São Sebastião do Paraíso, Minas Gerais, antes da instalação do primeiro Grupo Escolar, ocorrida em 1 de fevereiro de 1916, consideramos os resultados de um recenseamento escolar elaborado pelo professor Gedor Silveira, no ano de 1913, a partir de uma exigência do governo estadual. Nessa época, estava ainda na fase inicial a expansão a instrução escolar primária pública gratuita e a grande maioria das classes populares não tinha acesso ao estudo das primeiras letras, predominando o acesso das famílias que podiam manter seus filhos em escolas particulares.
Depois de exercer o magistério público por mais de uma década na cidade, Gedor Silveira havia conquistado reputação de mestre-escola competente, enérgico e excelente alfabetizador. Estava sempre disponível a contribuir, no que fosse possível, para expandir as condições da educação para as classes populares. A realização do trabalho estava na esfera das obrigações do inspetor escolar, José Aureliano de Paiva Coutinho, conforme previa o regulamento de instrução pública do Estado de Minas.
O inspetor escolar era encarregado de visitar as escolas do município, observar o método adotado pelo professor, os livros usados, as anotações mantidas pelo mestre, verificar o nível de aprendizagem dos alunos, preencher os mapas e repassar as informações ao governo estadual. Naquele ano, o governo determinou a realização de um levantamento para verificar quantas crianças tinham acesso à escola elementar e o generoso professor Gedor Silveira não mediu esforços para assumir o trabalho.
O recenseamento cadastrou todas as crianças residentes no município, na cidade, nos distritos e na zona rural, com idade entre 7 a 14 anos, verificando a situação das condições de oferta de instrução primária, o que corresponderia atualmente aos cinco anos iniciais do ensino fundamental. O professor Gedor elaborou um tratamento detalhado, constando que se tratava de uma análise objetiva primorosa. O relatório final desse foi enviado, pelo inspetor escolar, ao governo do Estado de Minas.
Os resultados não foram nada elogiosos ao rico município cafeeiro, pois do total de 2.805 crianças cadastradas, havia 1.174 que não tinham acesso a nenhum tipo de instrução, vivendo nas “medonhas trevas do analfabetismo”, conforme expressão usada pelo referido educador. Em termos percentuais, 42% das crianças em idade escolar não tinham acesso a nenhuma instrução escolar, nem mesmo à instrução doméstica, quando os pais tinham condições de ministrar a instrução elementar na residência da criança ou pagar para um professor particular ministrá-la. 
Ao finalizar o relatório, o professor Gedor expressou sua opinião: “Consola-nos, porém, vermos que dentre a população escolar do município, recebem instrução nas escolas estaduais 720 crianças e 411 nas escolas mantidas pela nossa edilidade, particulares e domiciliares.” Em outros termos, as escolas primárias públicas estaduais atendiam 25% das crianças em idade escolar, enquanto apenas 14% das crianças em idade escolar eram atendidas pelo Município. A elaboração desse recenseamento ilustra o engajamento do professor Gedor Silveira em favor de projetos sociais que beneficiaram a população paraisense. Nas duas décadas em que viveu na cidade o educador deixou muitas lembranças no imaginário social, por ter sido um excelente alfabetizador, fundador da caixa escolar e um dos principais colaboradores do Padre Benatti, na criação do primeiro curso secundário regular no Ginásio Paraisense.

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