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Larissa Altran: Tocando corações e transformado vidas com seu trabalho

Por: João Oliveira | Editoria: entretenimento | 08/08/2017 | Visualizações: 1141

Regente da Banda de Música Municipal de São Sebastião do Paraíso - Foto de Reprodução

A musicista, maestrina Larissa Andreia de Oliveira Altran, de 28 anos, é uma apaixonada pelo mundo da música e sempre nutriu desde pequena a vontade de viver e trabalhar com esta arte. Casada com o também musicista e maestro Luciano Altran, é filha de José Aparecido de Oliveira e de Rosângela Bícego de Oliveira. Larissa é a terceira filha de três irmãs, Marília, Michele e Lenita. Atualmente é regente da Banda de Música em São Sebastião do Paraíso e também dá aula nos projetos Filarmônica da Acissp e com a banda de música itamogiense “Maestro Nino Delicatti”, além da banda que mantém junto ao marido para cerimônias, o Grupo Musical Luciano Altran. 


Jornal do Sudoeste: Como foi sua formação?
Larissa Andreia de Oliveira Altran: Eu sou formada em pedagogia, pela Faculdade Calafiori, e me formei nesta área justamente pelo interesse em dar aula. Eu gostava de ensinar, mas até então não existia um curso perto voltado para a área de música. Quando surgiu a oportunidade, fiz o curso de licenciatura em música pela Universidade de Três Corações, um curso semipresencial. Na região, o lugar mais perto que tinha essa graduação era em Ribeirão, e como eu já trabalhava na área ficava muito complicado viajar para estudar fora. O curso durou três anos e meio.


Jornal do Sudoeste: Ser musicista é algo que você sempre quis?
L.A.O.A: Na minha família não havia músicos e meu interesse veio por vontade própria, é algo que surgiu naturalmente. Eu tive contato com instrumento musical por causa de uma tia que tinha um teclado e às vezes eu ia para a casa dela tentar tocar, e desde pequena eu conseguia tirar música “de ouvido”; era uma habilidade que eu tinha e não compreendia bem. Com 10 anos ganhei uma flauta doce que vinha com uma folhinha mostrando algumas posições e daquilo, sem nunca ter feito aula, eu conseguia tocar. Depois me cansei daquilo e comecei a tocar por mim mesma, até então eu não tinha nenhum conhecimento musical. Como minha família não era de músicos, meu pai não teve aquele incentivo de me colocar em uma aula e, na verdade, até então, minha família não tinha esse interesse por essa área.


Jornal do Sudoeste: Quando você começou a se dedicar a essa arte?
L.A.O.A: Por volta dos meus 15 anos. Eu comecei a estudar música com o objetivo de aprender um instrumento profissional, foi quando entrei na Escola de Música da Prefeitura e comecei a estudar Flauta Transversal. Na época eu nem sabia o nome desse instrumento - o acesso à informação não era tão aberto; eu sabia que existiam esses instrumentos, de assistir em orquestras, mas não sabia nomeá-los. A partir daí comecei a me dedicar porque eu gostava muito disto.


Jornal do Sudoeste: Foi um processo difícil?
L.A.O.A: Quando eu comecei eu via alunos muitos mais novos que eu tocando, e ficava muito frustrada, porque eu não aceitava, eles, sendo mais novos, tocarem mais que eu. Isso me motivou a estudar muito, chegava a estudar até oito horas por dia. Estudei nesse ritmo um bom tempo até chegar a um nível que eu conseguia tocar por mim mesma. Os três primeiros anos foram os que mais estudei.


Jornal do Sudoeste: Você encontrou dificuldade em se dedicar a essa área?
L.A.O.L: Depois que eu entrei na faculdade de Pedagogia eu já não conseguia estudar tanto, trabalhava durante o dia em uma loja de instrumentos musicais e a noite eu fazia Pedagogia. Nesse tempo eu continuei tocando, mas não estudando como antes. Quando eu fazia Pedagogia, foi quando surgiu a oportunidade de dar aulas do SESI; eu já dava aula particular até então, mas nesse período eu conheci meu esposo, ele trabalhava do SESI e estavam precisando de alguém, foi quando eu comecei na Filarmônica da Acissp.


Jornal do Sudoeste: Você também dá aulas em Itamogi...
L.A.O.L: Sim, eu dou aulas duas vezes por semana em Itamogi. Lá temos um grupo, a Banda Musical Maestro Nino Delicatti, que já existe há um bom tempo. Não é uma banda profissional, mas é um trabalho gratificante. O itamogiense é muito receptivo, não sei se é uma característica de cidade pequena, mas eu já me sinto um pouco itamogiense e um pouco paraisense. O projeto já existia quando eu assumi e era desenvolvido pelo meu marido. Quando ele veio para trabalhar na Banda de Música aqui em Paraíso, abriu a vaga lá, houve processo seletivo e eu consegui.


Jornal do Sudoeste: Quais dificuldades você encontra em relação a essa educação musical?
L.A.O.L: Hoje em dia é um desafio trabalhar com educação para jovens; o professor compete muito com a tecnologia. O jovem tem o celular, está o tempo todo na rede social e competir com isso é difícil e é difícil fazer o jovem se interessar por um instrumento, ficar estudando aquilo, mas a gente acaba dando um jeitinho, trazemos um pouco dessa tecnologia para a música e isso vai despertando um interesse no aluno. O aluno que entra em uma aula de música, ele aprende. Até hoje não eu não tive um aluno que persistiu e não aprendeu, mesmo aqueles que têm mais dificuldade. É só o tempo que traz o aprendizado.


Jornal do Sudoeste: A música causa alguma transformação nesses alunos?
L.A.O.L: Eu já tive vários alunos que chegaram aqui muito tímidos e mal falavam; com o tempo e convívio com o grupo eles começaram a ficar mais comunicativos, com uma relação social mais desenvolta. Quando você faz música, você não faz isso sozinho, principalmente aqui que trabalhamos sempre em conjunto e tem que haver esse convívio. Com o passar dos anos, esses alunos se tornaram mais desinibidos, cresceram culturalmente, passaram a ter novas perspectivas de vida, às vezes você não enxerga o mundo tão grande e a música te ajuda a expandir esse horizonte para o que existe lá fora.


Jornal do Sudoeste: Você acredita no poder transformador da música?
L.A.O.A: Eu acredito que a música, além de despertar o lado sensível das pessoas, é uma arte que ao mesmo tempo que é introspectiva, oferece uma relação social muito ampla. Quando você está tocando um instrumento, as pessoas que estão perto se voltam para você, começam a lhe admirar, principalmente se estiver tocando bem. A música tem essa construção tanto social, quando eleva a autoestima das pessoas. Quando você toca, você se sente melhor, torna-se mais sensível, com a autoesti-ma mais elevada.


Jornal do Sudoeste: Ela também ajudar no desenvolvimento educacional das crianças?
L.A.O.A: Eu acredito que sim. A música trabalha muito com raciocínio e você precisa desenvolver esse raciocínio para tocar um instrumento porque tudo é baseado em lógica, se você faz isso, trabalha não apenas seu raciocínio, mas também sua concentração, pois para tocar um instrumento você precisa estar muito concentrado. O aluno que consegue se concentrar e aprender música, logicamente também terá um desempenho melhor na escola.


Jornal do Sudoeste: Você fala com empolgação; você se sente realizada?
L.A.O.A: Eu me sinto muito feliz e privilegiada por trabalhar com aquilo que eu gosto, porque eu sei que muitos músicos não conseguem isso. É uma área muito difícil, não tem muitas portas abertas e é um pouco desvalorizada se comparada a outras profissões. Muitas pessoas não enxergam a música como uma profissão. Às vezes você vai tocar em um lugar e acham que aquilo que você está cobrando não vale aquele trabalho que você está oferecendo. Meu marido e eu temos um grupo de casamento, não acontece muito, mas sempre tem aqueles que acham cara uma apresentação e acabam colocando um CD para tocar, como se a música na cerimônia não fosse muito importante. Acredito que tocar um CD, isso você tem em qualquer lugar e a qualquer momento, mas ter um grupo ao vivo é algo muito especial, e vai ser único para um momento único e que acho que vale a pena investir.


Jornal do Sudoeste: Qual o balanço que você faz desses 28 anos e quais são suas expectativas para futuro?
L.A.O.A: Esses 28 anos foram muitos bons, tive oportunidades muito boas, comecei a trabalhar no SESI, com a banda em Itamogi  e eu também assumi a regência da Banda Municipal de São Sebastião do Paraíso e sou muito feliz por estar conseguindo levar esse projeto adiante, porque eu comecei lá e sinto como se fosse uma forma de gratidão. Eu ainda penso muito no desenvolvimento, nós estamos em constante evolução. Eu não tenho planos a longo prazo, mas a curto prazo eu quero ver nosso grupo desenvolver e tenho muita expectativa de ver esses projetos se manterem. ano passado houve um momento muito ruim, a Banda Municipal chegou a parar e eu não gostaria que isso acontecesse novamente. Demoramos muito para construir algo e não é legal ver isso ruindo. Essa é minha expectativa, ver esse projeto perdurar por muitos e muitos anos.

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