Traduzido pela jornalista Adriana Marcolini, Em Alto-Mar será lançado na Casa da Cultura

Por: Nelson de Paula Duarte | Editoria: cultura | 14/08/2017 | Visualizações: 1044

- Foto de Reprodução

A jornalista Adriana Marcolini lança no próximo sábado 19 de agosto às 10 horas na Casa da Cultura “Antonio Carlos Pinheiro de Alcântara” o livro Em Alto-Mar, de Edmondo De Amicis (1846-1908), traduzido por ela. Trata-se do primeiro romance a narrar a travessia de emigrantes italianos para a América, agora lançado no Brasil.
Descendente de italianos, a jornalista Adriana Marcolini reside em São Paulo, mas tem raízes mineiras, de São Sebastião do Paraíso. É neta de Antônio Marcolini (Toni) patriarca de tradicional família paraisense. A tradução feita por ela em coedição com o Instituto Italiano di Cultura de São Paulo e apoio do Programa de Ação Cultural (Proac), da Secretaria da Cultura do Governo do Estado de São Páulo, permaneceu inédita no Brasil até 2017.
Lançada na Itália em 1889, a obra teve dez edições em apenas duas semanas: um verdadeiro best-seller. Em Alto-Mar é o relato da travessia que De Amicis fez do porto italiano de Gênova ao de Montevidéu, em 1884. Toda a narrativa se passa a bordo do navio Galileo, ao longo da viagem de três semanas. 
Nada menos que 1.600 emigrantes italianos viajavam na terceira classe. A grande maioria tinha como destino a Argentina e da capital uruguaia seria transportada para Buenos Aires em pequenas embarcações a vapor através do rio da Prata. Havia ainda 70 passageiros distribuídos entre a segunda e a primeira classe – entre os quais o autor. No navio, um microcosmo da sociedade italiana da época, poderemos escutar as histórias do capitão, deliciar-nos com a sensualidade de uma senhora da primeira classe, acompanhar com emoção o nascimento de uma criança, sentir o pavor que se dissemina a bordo com a morte de um passageiro. A chegada de uma nova vida e a partida de outra são dois acontecimentos simbólicos da travessia: o primeiro representa a esperança; o segundo, o medo de não atingir o destino e ter o próprio corpo atirado ao mar, sem direito a uma sepultura. Uma perspectiva que aterrorizava aqueles camponeses extremamente ligados à terra e à religiosidade católica. Muitos jamais haviam visto o mar e tinham um medo espantoso da travessia. O fantasma de uma tempestade – tema de um capítulo – rondava a todos. Os naufrágios estavam na ordem do dia. As epidemias a bordo também. Saltam aos olhos os ressentimentos e a raiva dos emigrantes com relação às elites que lideraram o processo de união territorial e política do país que hoje conhecemos como Itália. Concluída em 1861, a unificação marginalizou uma vasta camada da população e abriu uma ferida na sociedade.
A edição inclui dois relatos de Edmondo De Amicis sobre a sua breve estada no Rio de Janeiro (O Sonho do Rio de Janeiro e Na baía do Rio de Janeiro) durante uma escala técnica na viagem de volta à Itália. Traz ainda ilustrações de Arnaldo Ferraguti e a foto do navio em que o autor fez a travessia da Itália para a América do Sul.
A jornalista Adriana Marcolini fará uma apresentação do livro com projeção de imagens. Após haverá venda de exemplares a R$ 50,00.


SERVIÇO
O livro será lançado na Casa da Cultura, em S. Sebastião do Paraíso, no sábado, 19 de agosto, às 10h.

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