CRÔNICA - Joel Cintra Borges

As duas árvores

Por: Joel Cintra Borges | Editoria: cultura | 06/03/2017 | Visualizações: 104

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O mercador entrou na sala em que o sábio recebia as pessoas. Elas o procuravam em busca de orientação, conselhos, ou palavras de esperança, quando se julgavam no fundo do poço.
Chegando sua vez, o comerciante, que ali estava mais por curiosidade, disse apenas:
-  Por que me sinto pequeno em sua presença? É uma sensação estranha, de inferioridade, que nunca senti antes!
-  Passe comigo o dia e à tarde responderei à sua pergunta. -  Foi a resposta.
As horas transcorreram rápidas e quando o sol ia se pondo, eles deixaram a casa e caminharam até o quintal, onde duas árvores viviam lado a lado. O sábio então perguntou:
-  Você acha que uma árvore se sente inferior à outra?
-  Não, definitivamente não!
-  E por quê?
-  Porque elas não se comparam.
-  Exatamente. Cada uma vive sua vida, com suas folhas, suas flores e seus frutos. Ocasionalmente, elas oferecem seus galhos para que pássaros façam neles seus ninhos. Uma e outra têm suas qualidades e seus defeitos, como todos nós, na Terra.
Essas palavras trouxeram muita luz para o mercador, que de repente compreendeu que uma das grandes tragédias do ser humano é a comparação, da qual nasce o despeito, a inveja e a própria sensação de inferioridade.

 

Uma pessoa compra, com muito trabalho e sacrifício, um sítio de cinco alqueires e constrói nele uma pequena represa para criar peixes. Adquire alevinos e já começa a fazer planos para vendê-los na feira quando tiverem bom peso. Eis que o vizinho do lado, cuja fazenda é muito maior, faz diversas represas, planejando criar, não apenas uma, mas diversas espécies de peixes! E a visão daqueles espelhos de água, feitos dentro da maior tecnologia, acaba com toda a alegria do nosso amigo sitiante, que passa a olhar com desprezo sua represinha, a mesma que pouco tempo atrás era a menina de seus olhos!
Há um certo número de anos, eu ia de vez em quando passear em uma companhia que remunerava muito bem seus funcionários especializados, os quais moravam em uma espécie de vila. E aquele amontoado de casas todo fim de ano transformava-se em uma espécie de salão do automóvel, porque ninguém queria ficar atrás dos outros! Será que isso trazia felicidade verdadeira e duradoura para alguém?

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