POLEPOSITION

Nada conclusivo, apenas observações

Por: Sérgio Magalhães | Editoria: esporte | 07/03/2017 | Visualizações: 80

A Ferrari mesmo desacreditada foi a grata surpresa dos primeiros dias de pré-temporada - Foto de Florent Gooden / FIA

Testes de pré-temporada da Fórmula 1 costumam ser pouco conclusivos. Cada equipe com suas armas, todas escondendo de todos seus segredos mesmo com poucos dias de pista para desenvolver seus carros.

Nestes primeiros quatro de oito dias de testes, a Mercedes que era um dos alvos do novo regulamento deu toda a pinta de mais uma vez ter construído um carro que nasceu tão bom quanto o do ano passado. Já no segundo dia de atividades, Valtteri Bottas, ex-piloto da Williams, contratado para substituir o campeão aposentado, Nico Rosberg, simulou uma corrida sem enfrentar nenhum problema mecânico. Mais relevante do que isso foi o W08 completar 152 voltas no primeiro dia (79 de Bottas e 73 de Hamilton). É uma distância maior do que dois GPs da Espanha, no Circuito de Montmeló, nas proximidades de Barcelona, onde as equipes treinaram nesta semana e vão continuar trabalhando na próxima, de terça a sexta-feira.

 

O próprio Bottas na quarta-feira baixou o tempo da pole position de 2015 em 4s976, confirmando as expectativas de que os carros deste ano serão bem mais velozes, algo em torno de 5 segundos.

Em termos de quilometragem, resistência aliada a velocidade, embora ainda seja cedo para qualquer conclusão, a Mercedes deixou a impressão de ser mais uma vez o carro a ser batido mesmo enfrentando um problema eletrônico no último dia.

A boa surpresa veio da Ferrari. Justo ela que todos viam com desconfiança pelo fato de o corpo técnico responsável pelo modelo SF70H ser pouco experiente, sem jamais ter assinado um projeto na Fórmula 1, ainda mais com a extensa mudança no regulamento deste ano.

Quando o carro da Ferrari foi apresentado semana passada, cheio de apêndices aerodinâmicos por todos os lados, deixou uma má impressão e muitas dúvidas. Mas para surpresa até mesmo de outros profissionais da Fórmula 1, o SF70H conseguiu não só acumular considerável quilometragem como mostrou ser veloz tanto com Vettel, como com Raikkonen, obtendo marcas expressivas com pneus mais duros dentre os cinco tipos de compostos de pista seca fornecidos pela Pirelli. É um bom sinal e eu só fico na torcida para que quando o campeonato começar, dia 26 na Austrália, o bom desempenho da Ferrari não seja um blefe, o que mesmo acompanhando à distância não me pareceu ser.

Se o SF70H contrariar todas as previsões pessimistas de que a Ferrari seria um fracasso este ano e der à equipe condições de lutar por vitórias com a Mercedes, faria um bem enorme para a Fórmula 1.

A Red Bull passou a primeira bateria de pré-temporada discreta. Enfrentou alguns problemas de ordem técnica, mas nada que pareceu ser grave. Max Verstappen disse que a equipe não estava preocupada em andar rápido, e sim coletar o maior número possível de dados. Como escrevi no início, esses testes costumam ser pouco conclusivos, e apesar de o modelo RB13 ter deixado a desejar, nunca se pode subestimar os carros de Adrian Neway, o mago dos projetistas da Fórmula 1.

Me chamou atenção a simplicidade do FW40 da Williams, o que costuma ser um bom caminho quando se tem mudanças radicais no regulamento. Nesses casos, das duas uma: ou você projeta um carro revolucionário sob o risco de não dar certo e ter o ano perdido, ou parte para o feijão com arroz sem correr muito risco. É o caso da Williams que já no primeiro dia de treino percorreu 103 voltas com Felipe Massa. Mas foi só isso porque nos dois dias seguintes o estreante Lance Stroll bateu duas vezes e comprometeu totalmente o cronograma da equipe obrigando-a encerrar os trabalhos de pista que estavam programados para Felipe Massa no último dia de testes. Um prejuízo enorme, diga-se.

Problemas de fato teve a McLaren que perdeu praticamente os dois primeiros dias de testes por falhas no motor Honda, o que já deve ter acendido o sinal alerta pelos lados de Working, sede da McLaren, na Inglaterra.

Se a Honda fracassar mais uma vez, ainda que invista cerca de 70 milhões de euros na McLaren, eu não me arriscaria dizer que a parceria que começou em 2015 vá muito longe. E antes que acabe, Fernando Alonso que já dá sinais de cansaço pela falta de resultados, chuta o balde antes.

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