FLORADA CAFÉ

Primeiras chuvas favorecem florada do café em outubro

Por: Roberto Nogueira | Editoria: agricultura | 11/10/2017 | Visualizações: 636

Florada do café ocasiona uma paisagem diferenciada nas lavouras da região de Paraíso - Foto de Ilson José Aparecido

A principal florada da safra 2018/19 já pode ser vista nas regiões produtoras de café do Brasil, como no Sul de Minas e no Cerrado Mineiro. As primeiras chuvas registradas no final de setembro e no começo de outubro já foram suficientes para promover a transformação das plantas. Em São Sebastião do Paraíso este cenário já pode ser visto em diversas propriedades, como a que foi flagrada pelo técnico agrícola Ilson José Aparecido, na região do Campo Alegre. 
Ainda não são todas as lavouras que têm essa condição, mas nos próximos dias o cenário deve ser mais uniforme, segundo relatos dos produtores. Apesar das belas imagens registradas nos cafezais em função do severo período de estiagem, já está descartada uma produção excepcional na próxima safra, segundo estimativas preliminares dos envolvidos do mercado. Nos próximos dias haverá a abertura de floradas e como boa parte dos cafezais perdeu um considerável volume de folhas com a seca e calor, as flores aparecerão melhor e darão um belo espetáculo. 
No entanto, os especialistas alertam que apenas o espetáculo será bonito. Como os cafeeiros estão debilitados e com menos folhas que o normal, parte da florada será perdida. Os agrônomos alertam que a possibilidade de uma safra excepcional, recorde, está afastada. Conforme Ilson Aparecido a ocorrência da florada neste momento está dentro do prazo previsto. “Normalmente este fenômeno ocorre nos meses de agosto e setembro e se torna mais intensa em outubro, como ocorre neste ano, após a ocorrência das primeiras chuvas”, observa.  
Ilson destaca que a floração intensa agora significa que o período anterior foi seco, podendo ocorrer a má formação do pendúnculo e provocar a queda do chumbinho no período futuro. “Isto deverá ocorrer provavelmente entre os meses de dezembro a janeiro. Isto é um claro sinal de que as plantas estão estressadas e com baixo índice de folhas”, completa. Ele acrescenta que a maioria das lavouras sofreu com uma ferrugem mal curada e muitas estão sentindo os efeitos  com o ataque do ácaro vermelho e uma nova praga que é o ácaro dá mancha anular ou leprose, imperceptível, porém, com grande desfolha”.
Ainda no caso da lavoura registrada por Ilson, ela está localizada no município paraisense, na região do Campo Alegre. “Trata-se de uma lavoura de Bourbon que é um tipo de café diferente”. É um grão altamente consumido pelo mundo todo. Apesar de conquistar o paladar brasileiro há pouco tempo por sua doçura natural, ele tem muita história e é plantado no Brasil há quase 150 anos. 
Por coincidência ou não, a origem deste grão remonta uma ilha chamada Bourbon. Segundo a própria ABIC (Associação Brasileira da Indústria de Café), por volta de 1715, o rei francês Louis XIV havia recebido de presente de alguns holandeses um pé que acabou por ser cultivado em uma estufa da cidade de Versailles. Quando deu seus primeiros frutos, algumas mudas foram levadas para a ilha de Réunion (na época, ilha de Bourbon), onde prosperaram e foram batizadas com o nome do local.
Cerca de 100 anos mais tarde, um navio aportou no Brasil trazendo consigo algumas mudas da nova variedade de café e que foram adquiridas pelo cafeicultor Luiz Pereira Barreto – grande responsável por introduzir o Bourbon em terras brasileiras.  Apesar de desconhecer a variedade, o produtor notou grandes diferenças entre ela e os “cafés comuns” já antes plantados pelo país.

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