CRÔNICA HISTÓRICA DE SÃO SEBASTIÃO DO PARAÍSO:

História da imprensa paraisense – Parte 1

Por: Luiz Carlos Pais | Editoria: entretenimento | 08/03/2017 | Visualizações: 165

- Foto de Reprodução

Esta crônica registra alguns traços da história da imprensa em São Sebastião do Paraíso, polo cafeeiro do Sudoeste Mineiro, tomando como referência fontes indiretas, disponíveis na hemeroteca da Biblioteca Nacional, bem como informações contidas no livro de José de Souza Soares, São Sebastião do Paraíso e sua História, publicado em 1945, pela Editora Panamericana do Rio de Janeiro. Além dessas fontes, também reunimos outras anotações memoriais de diferentes autores paraisenses. 
O primeiro jornal de São Sebastião do Paraíso foi A Voz do Paraíso, publicado em 30 de maio de 1901, sob a direção de Antônio Simplício da Costa, que anteriormente havia dirigido outro jornal na vizinha cidade de Passos. Este periódico que circulou por aproximadamente dois anos foi objeto de nossa crônica publicada em 27 de fevereiro neste Jornal do Sudoeste. O lançamento desse primeiro jornal tornou-se realidade graças ao apoio de expressivos nomes da sociedade local e da Câmara Municipal, então sob a presidência do coronel Herculano Cândido de Mello e Souza. Passados 116 anos do seu lançamento, ainda foi possível localizar imagens digitalizadas de dois de seus exemplares no vasto acervo da Biblioteca Nacional. De acordo com anotações de Souza Soares, tratava-se de um jornal de caráter mais noticioso e comercial, com limitado espaço para questões culturais e temas literários.
Dois anos depois, em 19 de julho de 1903, foi lançado o semanário intitulado Jornal do Povo, propriedade da empresa Silva, Neves & Amaral, sob a direção de Manuel Venâncio Vieira da Silva, detentor de patente de capitão da extinta Guarda Nacional, quando exercia o cargo de vereador na câmara municipal da mesma cidade, sendo então Agente Executivo (Prefeito) na legislatura de 1901 a 1904. A publicação desse jornal teve mais de uma fase, em função das dificuldades inerentes à época.
Em outubro de 1905, foi publicado O Paraisense, sob a direção do professor Gedor Silveira, com a colaboração de intelectuais e autores de textos literários, políticos e crônicas gerais sobre o cotidiano da cidade. Esse foi um momento particular de desenvolvimento local, quando foi inaugurado o Ginásio Paraisense, em 1907, sob a direção do padre Aristóteles Aristode-mus Benatti, e, com certa regularidade, a cidade recebia a visita de companhias teatrais do Rio de Janeiro. Foram nas páginas do referido jornal que o jovem poeta José da Matta publicou seus primeiros e belíssimos sonetos, alguns deles publicados também na revista O Malho, do Rio de Janeiro. Infelizmente, o talentoso poeta partiu desse mundo em plena juventude de seus vinte e poucos anos.
Ainda na primeira década do século XX, o fazendeiro e político paraisense João Afonso Maciel, detentor de uma patente de major da Guarda Nacional, com apoio de um grupo de amigos, lançou O Minas do Sul, um periódico que tinha uma plataforma em defesa da região sulina de Minas Gerais, bem como de reivindicação de implantação de uma primeira estrada de ferro para a cidade, o que aconteceria em 1911, com a inauguração da Estrada de Ferro São Paulo e Minas. Esse periódico teve curta trajetória e sobre ele não conseguimos encontrar outras referências a não ser no memorável livro de autoria de José Souza Soares, ilustre escritor, advogado e político que deixou seu nome na história da imprensa e cultura da cidade.

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