AGRONEGÓCIOS 2017

Os atuais preços de café são sustentáveis?

Por: Redação | Editoria: agricultura | 13/03/2017 | Visualizações: 200

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Depois de uma década ou mais de preços abaixo do custo de produção, os cafeicultores do Brasil vêm comercializando café com lucro. 
Boa notícia, ainda que não para todos, pois na agricultura sempre há os que sofrem de reveses climáticos ou enfrentam outros contratempos.
Nos últimos dois anos, o que parece que vai se repetir na próxima safra, esse tem sido o caso dos produtores de café do Espírito Santo; fortes secas quebraram as últimas duas safras na ordem de ate 50 por cento. 
Somado a esta perda, o maior produtor mundial de café robusta, o Vietnam, terá uma produção no ano agrícola 2016/17 menor que a do ano anterior.
Resultado: há déficit de curto prazo de café robusta no mundo.
O choque mundial da quebra vertiginosa da produção capixaba de café conillon combinado com o ingresso dos especuladores internacionais como fortes compradores do mercado futuro, são as razões para as bases do nível de preço do café no mercado mundial nos últimos meses, para o produtor brasileiro que comercializou seu café não poderia ser melhor, pois a firmeza dos preços internacionais veio multiplicada pela desvalorização expressiva do real. 
O produtor brasileiro vem e deve continuar a aproveitar esta conjuntura favorável com disciplina e foco, o que vale dizer, ir vendendo sua safra agrícola, presente e futura, ao mercado de forma dosada e contínua, afinal lucro foi feito para ser realizado. Ficar idealizando preços cada vez mais elevados não é boa prática em mercados com a volatilidade que o café tem.
Os industriais, o segmento mais próximo do consumidor final, não acreditou que a quebra da safra do Espírito Santo fosse razão suficiente para justificar uma elevação nas cotações internacionais e ficou simplesmente olhando o mercado.
Já as empresas comerciais, refletindo café comprado e precificado pelo fornecedor, carregaram uma posição líquida de contratos futuros vendidos para hedge na Bolsa.
Como o mundo importador torra algo da ordem de 10 milhões de sacas por mês temos o desenho de uma situação extremamente explosiva e volátil.
Esta cadeia de eventos só entra em equilíbrio e é sustentável quando o torrador toma a decisão de precificar o valor final da matéria prima que repassa como custo, junto com os operacionais e sua margem de lucro, ao consumidor. Na prática, o comportamento dos torradores até agora tem sido de céticos com o desempenho dos preços das bolsas internacionais.
Os fundamentos do mercado mundial do café, oferta e demanda, continuam a indicar que não há excesso de café a vista, pelo menos até a florada de 2017, lembrando que a Colômbia e o Brasil, diante de condições climáticas apropriadas, estão com uma cafeicultura em expansão ou revigorada.
Já os fundamentos de curto prazo do mercado brasileiro de café necessitam de notícias novas, eventos naturais, etc. O torrador brasileiro de café, supridor do segundo maior mercado consumidor do mundo, assim como o segmento exportador de café solúvel, estavam por décadas acostumadas a terem oferta abundante de matéria prima, quer pela farta disponibilidade de café conillon ou de café arábica, padrão consumo interno não exportado.
O choque da quebra da produção brasileira de café conillon e o baixo ritmo da exportação nos três primeiros meses deste ano deixaram os dois segmentos em difícil situação. 
Os deságios de qualidade e tipo estreitaram, e o grau de concorrência subiu a patamares nunca vistos antes.
Não há nada a vista no curto prazo que altera a situação interna, a tormenta, se vier, será internacional neste momento é importante se ater ao estoque de passagem, e mais se ele encontra se em que mão.
Gilson A de Souza – Safras & Negócios

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