Valeu Massa!

Por: Sérgio Magalhães | Editoria: acidente | 04/12/2017 | Visualizações: 2098

Adeus de Felipe Massa na Fórmula 1 não significa o fim de sua carreira no automobilismo - Foto de Florent Gooden / DPPI

Tive o privilegio de estar presente nas duas despedidas de Felipe Massa, em Interlagos. A segunda longe da carga emotiva que cercou a primeira, ano passado, mas ainda assim bem marcante.
Todo mundo sabe que Massa só correu essa temporada que acabou por conta da ida de Valtteri Bottas para a Mercedes, no lugar de Nico Rosberg que se aposentou depois de vencer o campeonato de 2016. Mas a exemplo do ano passado, Felipe também não tinha a intenção de se aposentar agora. 
Em 2016 ele só anunciou a intenção de deixar a Fórmula 1 porque sabia que a Williams não tinha como recusar o alto investimento que a família de Lance Stroll injetou na equipe para o jovem canadense estrear na Fórmula 1.  
A situação este ano começou a ganhar outros rumos depois que Massa teve um mal estar e ficou fora do GP da Hungria, e a Williams colocou o escocês Paul di Resta em seu lugar, de última hora. Di Resta é piloto reserva da equipe, mas nunca havia pilotado o carro desse ano. Largou e terminou em último, mas seu ritmo de pilotagem foi considero bom pela equipe que viu no horizonte a possibilidade de buscar alternativas no mercado de pilotos para 2018. Não que estivesse insatisfeita com Massa, pelo contrário. Ninguém na Williams questiona sua capacidade como piloto, mas deixou no ar a possibilidade de criar um novo marketing e atrair patrocinadores com outro piloto, ao passo que Massa tem salário alto.
Nesse ínterim, a Renault que avaliava as condições físicas do ótimo polonês Robert Kubica, acabou contratando o espanhol Carlos Sainz Jr, da Toro Rosso, para o lugar do inexpressivo Jolyon Palmer. E com o fim das conversas com a Renault, o devoto fervoroso do papa João Paulo II, que tenta retomar a carreira, afastado da Fórmula 1 desde 2011 devido ao grave acidente que sofreu numa prova de rali, na Itália, que o deixou com sérias sequelas no braço direito, bateu à porta da Williams e caminha para ser o substituto do brasileiro.
Foi nessa indefinição da Williams, e sem ter a certeza de que estaria ou não no grid do ano que vem, que Massa decidiu de vez se aposentar da Fórmula 1. Não era o seu desejo no momento, mas as circunstâncias o levaram para esse caminho. 
A ótima atuação em Interlagos e a excelente volta no treino de classificação para o GP de Abu Dhabi com um carro pouco competitivo atesta que Massa ainda tinha borracha pra queimar na Fórmula 1.  
Felipe sempre foi piloto batalhador. Quando foi para a Europa, em 2000, tinha dinheiro para três corridas na F-Renault. Venceu as três, foi recrutado pela equipe e ganhou o campeonato. No ano seguinte já estava sob contrato com a Ferrari e foi campeão europeu de F3000. E estreou na Fórmula 1 pelas portas da Sauber, em 2002, protegido pela Ferrari.
Os números de Massa na Fórmula 1 são expressivos, 11 vitórias, 16 pole positions, 15 voltas mais rápidas, 41 pódios em 269 Grandes Prêmios, e o vice-campeonato de 2008. Não é pouco. Quem conhece um pouco da história da Fórmula 1 e dos desafios de se manter competitivo na categoria por tanto tempo sabe dá valor ao que Felipe fez nesses 15 anos. Ele sai de cabeça erguida na certeza de que fez o melhor que pôde. Porque ninguém fica tanto tempo lá se não tiver talento e capacidade de entregar os resultados que as equipes esperam. E nem adquire tamanha simpatia no mundo competitivo e sisudo da Fórmula 1 se não tiver carisma.
Felipe Massa de alguma forma, em algum momento, vai deixar saudade. Então que ele tenha sorte e seja feliz nesta nova fase da vida, fazendo o que escolher de melhor para o futuro. É o que deseja a coluna Pole Position.

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