AGRONEGÓCIOS 2017

Projeto da Epamig mostra que hortas também são viáveis em pequenas residências

Ao contrário do que muitos podem pensar, é possível cultivar alimentos, mesmo que em pequena escala, nos reduzidos espaços residenciais, inclusive apartamentos

Por: Redação | Editoria: agricultura | 13/03/2017 | Visualizações: 147

- Foto de Fernanda Fabricio / Epamig

A vida corrida pode parecer um argumento propício para justificar o consumo, por exemplo, de produtos industrializados. Produzir seus próprios alimentos e cuidar de hortas, então, quase nem passa pela cabeça das pessoas, que consideram os espaços cada vez menores dos apartamentos inapropriados ou insuficientes para cultivar alimentos saudáveis e orgânicos. Mas isso não passa de um engano.
Na realidade, cultivar em pequenos espaços é possível e uma alternativa viável para hortas de várias formas e tamanhos. É o que afirma a pesquisadora da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) em Viçosa, no território Caparaó, Wânia dos Santos Neves.
“A implantação de hortas em comunidades rurais e/ou urbanas vem ganhando espaço e tem grande importância devido ao interesse da população na busca de alimentos mais saudáveis. Outros benefícios que buscamos conseguir com a atividade são: promover geração de renda complementar, promover a inclusão social, aumentar a diversidade de verduras no cardápio e estimular a convivência com vizinhos e familiares, promovendo assim a melhoria de vida da população local”, sinaliza.
Por isso, aponta Wânia, é necessário que as pessoas tomem conhecimento de que mesmo em pequenos espaços é possível o cultivo de hortaliças e plantas ornamentais. “O objetivo do nosso trabalho é apresentar diferentes formas de cultivo em pequenos espaços, oferecendo a muitos a possibilidade de produção de alimentos, mesmo que em pequena escala”, reforça a pesquisadora.
PROJETO
Para mostrar como um cantinho esquecido em casa e uma varanda de apartamento podem ganhar um destino saudável e sustentável, a equipe coordenada por Wânia trabalhou na implantação de hortas agroecológicas, inclusive com a construção de uma unidade demonstrativa de cultivo de hortaliças. Tudo feito numa área cimentada, com 30 metros quadrados, utilizando diferentes recipientes, para mostrar a possibilidade de plantio em vasos e embalagens recicla-das, como garrafas pet.
Na horta agroecológica implantada foram cultivadas hortaliças, como pimentas malagueta, dedo de moça e biquinho, berinjela, jiló, espinafre, alface, agrião, couve, cenoura; ervas medicinais e aromáticas, como cebolinha, salsinha, oré-gano, camomila, hortelã, arruda, boldo, melissa; além de hortaliças não convencionais, como taioba, capuchinha, jequeri e ora-pro-nobis.
Durante todo o ano de 2017, ressalta Wânia, serão programadas visitas de escolas do ensino fundamental e médio do município para apresentar o modelo e incentivar o cultivo.
“Como a unidade demonstrativa ficou pronta no final de novembro, final do ano letivo, ainda não foram agendadas visitas junto a escolas públicas. Neste mês de fevereiro, com o retorno das aulas, vamos divulgar o trabalho nas escolas e ver quais terão interesse de participar”, explica. “Na Semana do Fazendeiro 2017, realizada pela UFV, vou oferecer um curso sobre o tema com parte teórica e com a visita à Unidade como parte prática”, adianta a pesquisadora da Epamig.
Uma outra ação já realizada nesse contexto foi a montagem de uma horta no Centro Social Dra. Zilda Arns (Pastoral do Menor), localizado no bairro Santa Clara, com a ajuda de alunas do curso de Licenciatura em Educação do Campo da Universidade Federal de Viçosa. A pesquisadora revela que, no centro de recreação e educação, as próprias crianças cuidam das plantas e acompanham o crescimento da horta, estimulando o consumo de alimentos saudáveis desde a infância.
“Também estabelecemos contato com adultos da terceira idade do bairro Santa Clara para construção de uma horta vertical com plantas medicinais, oferecendo cursos sobre a prática de cultivo agroecológica e plantas medicinais que serão ministrados por pesquisadores da Epamig”, complementa Wânia.
CULTIVO RESIDENCIAL
Para a escolha das espécies ou variedades a serem cultivadas, é importante levar em consideração o clima da região. “Hábitos alimentares pessoais também devem ser levados em consideração, já que determinadas espécies são muito consumidas por algumas pessoas e outras nem tanto. A escolha, nesse caso, vai depender das hortaliças preferidas pelos integrantes de cada família”, comenta Wânia.
São diversas as opções para os interessados em montar as hortas em pequenos espaços. São exemplos destacados por Wânia:
Hortaliças - pimenta malagueta, pimenta dedo de moça, pimenta biquinho, berinjela, jiló, espinafre, alface, agrião, couve, cenoura, tomate, entre outras. 
Plantas medicinais - hortelã, manjericão, camomila, arruda, boldo, melissa, entre outras; 
Ervas condimentares – salsinha, cebolinha, coentro, orégano, entre outras.
“O local escolhido deve ser de fácil acesso, receber de quatro a cinco horas de sol por dia para um melhor desenvolvimento das plantas, ter disponibilidade de água de qualidade para irrigação e ser protegido contra ventos fortes, evitando a quebra de galhos, folhas ou de plantas jovens” orienta a pesquisadora. “Deve-se, ainda, evitar a entrada de galinhas, cachorros ou qualquer outro animal na área para que não destruam plantas, derrubem vasos ou estraguem os canteiros”, acrescenta. Quanto aos custos, Wânia aponta como muito baixos. “Somente as sementes ou mudas devem ser adquiridas no comércio. As embalagens (garrafas pet, latas e caixas de leite, etc.) e suportes (pallets, caixotes, telas etc.) podem ser conseguidos gratuitamente”, detalha.
Importante é saber que uma horta pode ser construída de vários formatos e de tamanhos diferentes. “É possível cultivar algumas hortaliças em recipientes (vasos, caixas, etc.) de diferentes tamanhos no chão ou fazer o plantio no modelo de jardim suspenso (horta vertical)”, observa a pesquisadora.
Algumas ferramentas e materiais são comuns e necessários para o cultivo em qualquer tipo de horta, mesmo de pequenas dimensões. “Alguns exemplos são: enxada grande, pá de plantio, tesoura de poda, faca, regador ou mangueira, balde, adubos, substrato mineral e bandejas de isopor ou de plástico para produção de mudas e carrinho de mão”, recomenda Wânia.

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