CRÔNICA HISTÓRICA DE SÃO SEBASTIÃO DO PARAÍSO:

Um artigo escrito pelo Monsenhor Felipe

Por: Luiz Carlos Pais | Editoria: cidades | 06/12/2017 | Visualizações: 1102

- Foto de Reprodução

 


O objetivo principal desta crônica, como outras publicadas neste mesmo espaço do Jornal do Sudoeste, é recuperar e socializar textos de potencial histórico, de autores que escreveram sobre temas relacionados à cidade de São Sebastião do Paraíso, polo cafeeiro do sudoeste mineiro. A intenção é percorrer os diferentes setores da sociedade, incluindo eventos pontuais relacionados às instituições religiosas, políticas, econômicas, culturais, educacionais, entre várias outras, proporcionando aos leitores a oportunidade de fazer sua própria leitura das fontes. Nesse sentido, sempre é oportuno enfatizar que a história é mais ampla do que essa visão pontual que podemos recolher em registros jornalísticos como temos feito nessa coluna. É uma forma de contribuir para ampliar as condições da escrita da história da terra natal, entender o passado e participar, cada qual com suas competências e diferenças, na superação dos desafios atuais.
O texto transcrito abaixo é um artigo publicado em 1º de março de 1937, no semanário Libello do Povo, histórico órgão da imprensa paraisense sob a direção do jornalista e tipógrafo José Borges de Moura. O seu título é “Por Deus e pelos pobres”, de autoria do Monsenhor José Felipe da Silveira, que foi pároco da Igreja Matriz de São Sebastião do Paraíso, por 25 anos, de 1914 até 1939, quando faleceu repentinamente, sendo substituído pelo cônego Jerônimo Madureira Mancini, após um curto período de interinidade do padre José Ornelas Amaral, membro da família Campos do Amaral, conhecida na cidade. Na época, o Monsenhor Felipe escrevia regularmente um artigo numa coluna intitulada “Vida Católica”, na qual tratava de assuntos da paróquia local. Assim escreveu o Monsenhor Felipe:
“A recente fundação da Rouparia dos Pobres, anexo à obra do tabernáculo obteve logo o apoio incondicional e a profunda simpatia das senhoras parai-senses que correm à porfia, a se inscrever nessa nova cruzada de piedade e beneficência. Em São Sebastião do Paraíso, graças a Deus, todas as iniciativas, marcadas pela beleza moral encontram franco acolhimento. É bastante que sejam filhas do bom senso e que tragam o cunho do bem coletivo. 
O vigário da paróquia conversou com muitas senhoras aptas para trabalho mensal, em benefício dos pobres, de acordo com o que ficou resolvido na sessão preparatória, mas um maior número delas inscreveu-se espontaneamente, desejando contribuir, como associadas operárias, sem prejuízo de auxílios de outra natureza, para a estabilidade da obra. Muito bem! Cada qual deve ajudar, como puder, as organizações sociais, cujo fim seja o amparo dos que estão em situação de necessidade. Isso que é um imperativo da lei de solidariedade humana constitui para os católicos uma obrigação moral, grave, decorrente do Mandamento do Amor (Manda-tum Novum) do nosso divino Mestre. 
Trabalhando para os pobres, estamos servindo a Deus, cujo Filho Unigênito com eles se identificou, dizendo: “Tudo o que fizerdes a um deste pequeninos, em meu nome, é a mim que o fazeis”. Para que melhor recompensa? Essa afirmação de Nosso Senhor é bastante para enobrecer todos os atos de benemerência, ainda os mais mínimos, feitos por amor de Deus. 
Vê-se, pelo valor e relevo dos nomes abaixo publicados, que caiu fundo no coração das mulheres paraisenses a ideia de se cuidar melhor, numa organização regular do vestuário dos pobres, adultos e crianças, que se debatem às vezes em sérios embaraços nesta cidade, onde aliás, só podem sofrer desamparados, os que se ocultem à claridade do amor que refulge em todos os recantos desta terra abençoada. 
Eis os nomes das novas associadas operárias, isto é, que ofereceram, por mês, um dia de serviço pessoa, confeccionando roupa para os pobres: Dona Hortência Soares de Paula, Dona Edite de Ornelas Fortes, Dona Ana de Figueiredo Pinto, Dona Maria Cândido Getúlio, Dona Alda Pierucci Costa, Dona Maria Salomé Westin, Dona Rosa Micelli de Souza, Dona Odete de Figueiredo Barroso, Dona Maria Conceição Nogueira, Senhorita Francisca Naves, Senhorita Eunice Cardoso da Silva, Dona Maria Meucci Cardoso, senhorita Conceição Marques, Dona Altina Borborema Coelho, Dona Antônia Oliveira, Dona Maria Bernardina Borges, Dona Benedita Moura de Oliveira, Dona Carolina Figueiredo Nogueira, Dona Maria Luchini Costa, Dona Cândida Nascimento Naves, Senhorita Francisca Vieira, Dona Ostalalina Vieira Braghini, Dona Francisca Cardoso Barbosa, Dona Terezinha Sofiati Ferreira, Dona Catarina Mambrini Guidi, Senhorita Arizia Borges, Senhorita Gabriela de Andrade, Senhorita Nelina Delfante, Senhorita Euthalia de Pádua, Senhorita Maria Bérgamo, Dona Maria do Carmo Vasconcelos, Dona Josephina Suardi Borges, Dona Hermínia Rodrigues, Senhorita Sebastiana Grau, Senhorita Rita Montans, Dona Isbela Nicácio Cardoso, Dona Amélia Barreto, Dona Carmelita Pimenta Naves, Dona Ofélia Bernardes da Silva, Dona Laudelina Faleiros, Dona Maria Pimenta de Pádua, Dona Dinorah Soares Carnevale, Dona Maria Nascimento Rocha, Dona Maria José e Silva, Dona Maria do Carmo Carvalhaes, Dona Francisca Noronha Peres, Dona Rita Marques Mafra, Dona Antonieta Peres Rossi, Dona Vitalina Carlos dos Santos, Dona Maria Buson Guedes, Dona Apolônia Soares, Senhorita Maria da Glória Marques, Senhorita Araci Costa, Dona Mirota Borges, Dona Maria Gonçalves Pimenta, Dona Luiza Tondinelli Pinto, Senhorita Luiza Serra, Senhorita Nenê Paiva, Senhorita Maria Dias Vieira, Dona Maria Izidora Dutra, Dona Hilda B. de Souza, Dona Maria Vieira da Silva e Dona Vicência Calafiori.” 

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