POLEPOSITION

Lados opostos

Por: Sérgio Magalhães | Editoria: esporte | 13/03/2017 | Visualizações: 69

O automobilismo lamentou ontem a perda de uma lenda do esporte: o inglês John Surtees, aos 83 anos, único campeão Mundial de Fórmula 1 (1964) e de Motociclismo (1956/59/60) - Foto de Getty Images

De um lado Felipe Massa esbanjando confiança no carro da Williams. O desempenho do modelo FW40 nas mãos do piloto brasileiro tem sido muito bem observado por outros profissionais da Fórmula 1 e ninguém menos que Alain Prost, e Lewis Hamilton, pediram atenção à Williams.
De fato foi notório o trabalho da equipe nessa pré-temporada que terminou ontem, na Espanha. Massa finalizou os trabalhos cheio de otimismo e garantiu não ter escondido o jogo. Acelerou tudo o que tinha direito e o detalhe mais importante foi a resistência do equipamento. A Williams chegou a perder um dia inteiro de testes da semana passada quando o novato Lance Stroll bateu duas vezes e numa delas danificou o chassi do carro. Como a maioria das equipes ainda não têm peças de reseva à disposição, a Williams precisou se retirar da pista no dia que estava programado para Massa treinar.
Mas nesta semana tudo voltou ao normal e Felipe pode cumprir seu programa de desenvolvimento do FW40: "O que posso dizer é que a sensação no carro é boa, estou me sentindo bem, o carro é constante e não quebra. É uma ótima forma de começar o campeonato", falou o brasileiro.
A Williams foi terceira colocada no Mundial de Construtores em 2014 e 2015, mas deixou a desejar no ano passado ao ponto de perder para a Force India a disputa pelo quarto lugar entre os construtores. Agora dá sinais promissores de progresso. Boa parte dos resultados já sentidos na pista vem da reestruturação técnica pela qual a Williams passa. A escuderia terá Paddy Lowe como diretor-técnico que deve assumir o comando nos próximos dias depois que se desligou da Mercedes. Lowe foi um dos principais nomes do departamento técnico da Mercedes e apesar de não ter nenhuma ligação com o FW40, suas opiniões serão de fundamental importância para o desenvolvimento do carro.
Um pódio já na prova de abertura do Mundial, dia 26, em Melbourne, na Austrália, não estaria fora da realidade para Massa, embora o próprio piloto reconheça que Mercedes, Ferrari e Red Bull estejam um passo a frente da Williams. 
No caso da Mercedes, o carro parece ser tão bom que mesmo escondendo o jogo o W08 não consegue disfarçar a superioridade. Hamilton e Bottas completaram nada menos que 1.096 voltas em oito dias de testes (5.101,8 km). Mas a grata surpresa da pré-temporada foi o surpreendente desempenho da Ferrari aliando velocidade e resistência. Ontem Kimi Raikkonen pulverizou os cronômetros do Circuito de Montmeló com 1min18s 634. Foi dele e do companheiro, Sebastian Vettel, os dois melhores tempos dos oito dias de testes. E o mais importante: não pareceu ser blefe da escuderia italiana.
Do outro lado Fernando Alonso desiludido com os problemas da Honda que empurra o modelo MCL 32 da McLaren. "Vamos para a Austrália sem estarmos preparados como o resto dos competidores. Na equipe todos estão prontos para vencer, menos a Honda".
A declaração é tão forte quanto a do chefe da McLaren, Eric Boullier quando questionado em qual nível estava o relacionamento da equipe com a Honda: "tensão máxima".
Mesmo assim a McLaren não cogita romper o contrato que tem com os japoneses. Romper a essa altura traria mais problemas do que uma solução. Primeiro porque McLaren saiu pela porta dos fundos da parceria com a Mercedes depois de 20 anos de casamento, e bater na porta dos alemães não seria a melhor das opções. Segundo porque flertar com a Renault certamente enfrentaria oposição da Red Bull. E a Ferrari, então, nem pensar porque a fábrica de Maranello jamais equiparia outra equipe capaz de derrotá-la com seu próprio motor. 
A McLaren saiu bastante prejudicada da pré-temporada. O pouco que andou a Honda se viu obrigada a diminuir a potência do motor para evitar novas quebras. Foram precisos três trocas das "unidades de potência" sem que os japoneses soubessem compreender a razão dos problemas. É um caso sério já que cada piloto terá neste ano apenas quatro motores para disputar as 20 corridas do calendário. Depois da quarta unidade de potência substituída começam as punições com as perdas de posições no grid. Alonso falou que era cerca de 30 km/h mais lento em reta, o que significa, só nisso, um acréscimo de 0,5s no tempo de volta.

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