SAÚDE ANIMAL

Falsa proteção

Por: Rogério Calçado Martins | Editoria: saude | 13/12/2017 | Visualizações: 6047

- Foto de Reprodução

Com o aumento da temperatura ambiental, os vírus (principalmente os de ação intestinal, como na Parvovirose, por exemplo) tendem a atacar com mais "voracidade". Mas o que aborrece Médicos-veterinários e proprietários nem sempre é a gravidade da virose que o atinge, mas sim o fato de ele pensar que fez tudo "direitinho" quando, na verdade, as coisas não acontecem bem assim. Isso pode, até mesmo, abrir uma "brecha" para a entrada do vírus.
Alguns fatores principais desgastam a defesa do filhote, fazendo com que ele vire um "alvo fácil" para o ataque viral. Por exemplo: uso de alguns tipos de medicamentos, como os corticóides e alguns antibióticos podem abaixar a resistência; passeios na rua/calçada antes de terminar totalmente as vacinações iniciais são considerados alto risco; contato com animais suspeitos também é risco certo.
Entretanto, podemos afirmar que em algumas situações o inimigo está mais próximo do que se imagina. Ele é o leigo, ou seja, pode ser um amigo, parente, vizinho e etc que dão os famosos "palpites". Geralmente esses palpites têm associação com a "economia nos gastos", como rações de baixa qualidade e vacinas de eficácia duvidosa!!
Qual é a conclusão? É simples: decepção e desperdício financeiro, pois quando o proprietário, iludido, sai com seu cãozinho para passear, ele acha que o filhote está protegido, quando na verdade não está.  Depois, o gasto pode ser muito maior com consultas, internações, medicações e até mesmo o maior dos prejuízos: o falecimento do animalzinho.
Como esclarecimento, digo-lhes que o ato de vacinar não constitui apenas em "espetar" o animal com uma agulha e injetar a vacina nele. É muito mais complexo do que isto. O ato de vacinação adequado exige um exame clínico/físico básico que descarte a possibilidade de o paciente estar com algum tipo de distúrbio que atrapalhe ou anule o efeito vacinal, ou mesmo provoque uma doença. Além disso, a qualidade da vacina administrada é essencial para que o esquema tenha a eficácia esperada. A única coisa que pode "dar errado" quando o protocolo vacinal é corretamente seguido, é o próprio organismo do paciente não responder adequadamente ao estímulo vacinal, ou seja, o próprio sistema imunológico do paciente é deficiente (isso pode ocorrer em cerca de 5% dos pacientes).
Portanto amigos, ignore palpites de leigos quando estes quiserem indicar tratamentos mirabolantes ou vacinas de custo baixo e eficácia idem para seu amiguinho. Procure sempre um Médico-veterinário e peça-lhe esclarecimentos sobre o esquema de vacinação adequado para o seu filhote. 

 

*ROGÉRIO CALÇADO MARTINS
– médico-veterinário – CRMV/MG 5492
*Especialista em Clínica e Cirurgia Geral de Pequenos Animais (Pós-graduação “lato sensu”)
*Membro da ANCLIVEPA (Associação Nacional de Clínicos Veterinários de Pequenos Animais)
*Consultor Técnico do Site  www.saude animal.com.br
*Proprietário da Clínica Veterinária VETERICÃO (São Sebastião do Paraíso/MG)

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