EXONERADO

Delegado Rogério Araújo é exonerado após anunciar “bandido na horizontal”

Por: Roberto Nogueira | Editoria: policia | 20/01/2018 | Visualizações: 11308

Delegado Rogério Araújo, que já atuou em Paraíso, foi exonerado por Pimentel após anunciar combater o crime - Foto de Reprodução

O delegado da Polícia Civil, Rogério de Melo Franco Assis Araújo, foi exonerado do cargo de chefe adjunto da Polícia Civil de Minas Gerais. Ato do governador Fernando Pimentel foi publicado na edição de sexta-feira,19, do Diário Oficial de Minas Gerais. Rogério foi o pivô de uma crise interna no governo depois de declarar na semana passada que “em Minas não existirá cangaço, e, caso venha a surgir, nossa polícia estará apta para combater. Caso os criminosos não se rendam, partirão para o confronto e voltarão na horizontal”, anunciou.
A declaração que causou toda a polêmica foi pronunciada no último dia 10 de janeiro durante a inauguração da delegacia especializada para combater ataques a caixas eletrônicos. O delegado Rogério Araújo, que no final dos anos 90 e começo dos anos 2000 atuou em São Sebastião do Paraíso fez a declaração considerada polêmica. Ele havia assumido o cargo de chefe adjunto da Polícia Civil de Minas, segundo mais importante dentro da hierarquia da instituição.
Quando de sua posse na recém-criada delegacia já anunciava uma ação efetiva contra a criminalidade. “Em 2010 esse crime ficou conhecido como um pseudocangaço. Mas em Minas não tem cangaço, se tiver nos seremos o chefe da volante para combatê-los. Vamos identificar e neutralizar células criminosas, com trabalho de inteligência, agindo preventivamente, acompanhando e fazendo interceptação”, afirmou. Ele reforçou que a situação envolvendo roubos a bancos são graves principalmente porque aumentam a sensação de insegurança na sociedade.
A maneira como Rogério Araújo tratou a situação gerou revolta entre membros do PT historicamente ligados aos Direitos Humanos. Dentro do governo até foi criada uma secretaria ligada ao setor e representantes deste grupo cobraram do governador Pimentel que exonerasse o quanto antes o delegado Araújo da nova função na Polícia Civil. Antes de assumir a chefia adjunta da Polícia Civil, ele era diretor geral do Departamento de Trânsito de Minas Gerais (Detran-MG), onde exerceu o cargo de abril a dezembro de 2017.
Por mais de uma semana o assunto transformou-se em uma grande polêmica dentro do governo. Ameaçado o delegado teria iniciado uma campanha junto a nomes do alto escalão das forças de segurança e de deputados para que intercedessem a seu favor junto a Pimentel. Já no início desta semana começaram a surgir informações de que Araújo estava na corda bamba e poderia cair a qualquer momento.
Na sexta-feira,19, foi publicada no Diário Oficial Minas Gerais, na seção Atos do Governador a exoneração de Rogério Araújo. Na mesma edição houve publicação o nomeando para o Departamento de Investigações de Homicídios e Proteção à Pessoa (DIHPP). No Diário Oficial também foi publicada a nomeação do novo chefe adjunto da corporação, Gustavo Adelio Lara Ferreira, que deixa a Corregedoria Geral da Polícia Civil.


Contra roubos a bancos
A criação da Delegacia Especializada no Combate a Roubos de Bancos e Caixas Eletrônicos foi iniciada no dia 9 de janeiro. O ato seria concretizado com a instalação da repartição a partir de uma resolução.  Havia a expectativa de que o setor funcionasse no prédio atual do Departamento de Operações Especiais (Deoesp) e começasse a atuar com o empenho de 20 policiais.
A intenção era que o trabalho pudesse funcionar de forma preventiva, por meio de serviço de inteligência. De acordo com o delegado Rogério de Melo Franco Assis Araújo, este trabalho teria como foco identificar e neutralizar células criminosas. “Não iremos permitir que Minas Gerais tenha este tipo de cangaço. Teremos um trabalho de inteligência policial que poderá realizar um acompanhamento e, consequentemente, realizar a identificação destes autores com investigações. Queremos e iremos proporcionar mais segurança e paz social para a sociedade”, dizia o policial antes de ser exonerado.
De acordo com dados oficiais, Minas Gerais teve uma diminuição de 31% destes tipos de crimes comparados os dois últimos anos. Em Paraíso, em junho de 2017, bandidos explodiram a agência do Banco Mercantil. Os criminosos também atuaram ao longo do ano passado por toda a região da mesma forma com ações em Jacuí, Itamogi, São Tomás de Aquino, Cássia e Ibiraci.

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