SAÚDE ANIMAL

Febre e Hipertermia

Por: Rogério Calçado Martins | Editoria: saude | 25/01/2018 | Visualizações: 3037

- Foto de Reprodução

Muita gente confunde 'febre" como sendo apenas o aumento da temperatura corporal. Mas, não é assim.
De maneira simples, a Febre é uma síndrome, composta por vários sinais, como dor muscular, apatia, falta de apetite, inapetência e aumento da temperatura corpórea. Já a Hipertermia é o aumento da temperatura corpórea acima dos níveis considerados normais (cão e gato adultos: normal entre 38º e 39,3ºC).
A hipertermia pode ocorrer de forma normal, ou seja, fisiológica, como por exemplo após refeições, exercício físico ou mesmo exposição excessiva à fonte de calor (como o sol).
O 'estado de febre' ocorre como uma resposta do organismo à algum processo anormal, ou seja patológico, que pode ser desde uma reação à medicamento até o contato com alguma toxina.
A diferenciação entre febre e hipertermia é muito importante, já que tanto as causas quanto a terapia são distintas.
O organismo é dotado de um componente termorregulador, o hipotálamo, o qual está "ajustado" com a temperatura correta do corpo (já citada acima). A febre descreve elevações na temperatura corporal quando há formação de calor endógeno secundário à elevação do ponto de ajuste da termorregulação natural do corpo, enganando o cérebro (mais precisamente o hipotálamo), que passa à "pensar" que a temperatura normal é aquela à que está sendo induzido (por exemplo: por ação de algum processo infeccioso no organismo, o hipotálamo é estimulado à mudar o ponto normal de temperatura e passa à "achar" que aquela temperatura mais alta é o normal). A hipertermia também descreve elevações na temperatura do corpo, embora o ponto de ajuste da termorregulação esteja normal, ou seja, o hipotálamo não é "enganado".
Parece difícil de entender mas, não é, caro leitor. Basicamente é necessário saber que a febre provém de processos patológicos, como as doenças infecciosas, inflamatórias, neoplásicas (tumores) e imunomediadas.
Para saber se um animal está febril, nem sempre vale sentir se o nariz está seco ou úmido ou se o bichinho está ingerindo pouca ou muita água. É necessário associar os sinais já descritos no início desse texto com a mensuração com termômetro no reto e encostado na mucosa retal, durante cerca de 3 a 5 minutos.
Caso o animalzinho esteja apresentando tais sinais, uma visita ao médico-veterinário é necessária. Em casos de febre intermitente (vai e volta) e/ou persistente (não cede) vários exames complementares poderão ser necessários (ex: hematológicos e/ou de imagem)) na tentativa de elucidação da causa. O sucesso do tratamento dos casos febris dependerá da descoberta do agente causador da patologia.


*ROGÉRIO CALÇADO MARTINS – médico-veterinário – CRMV/MG 5492 *Especialista em Clínica e Cirurgia Geral de Pequenos Animais (Pós-graduação “lato sensu”) *Membro da ANCLIVEPA (Associação Nacional de Clínicos Veterinários de Pequenos Animais) *Consultor Técnico do Site  www.saude animal.com.br *Proprietário da Clínica Veterinária VETERICÃO (São Sebastião do Paraíso/MG)

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