CRÔNICA - Joel Cintra Borges

O morango de Shiniashiki

Por: Joel Cintra Borges | Editoria: cultura | 18/02/2018 | Visualizações: 3130

- Foto de Reprodução

Em uma de suas palestras, o psiquiatra, escritor e conferencista Roberto Shiniashiki conta a interessante fábula de um homem que passeava pelo campo, quando foi atacado por um urso. Perseguido pelo animal, ele corre até chegar à borda de um precipício.
Agarrando-se a uma raiz que desce pela parede quase vertical, ele desliza alguns metros, fugindo das garras e dos dentes do mal humorado comedor de mel. Nesse abrigo precário, ele começa a pensar em  descer cuidadosamente aquela parede, quando ouve fortes rugidos: em baixo: esperando a hora do jantar, estão três enormes tigres! 
Eis que, olhando de lado, nosso amigo vê, quase ao alcance de sua mão, um pé de morango com um morango bem grande e madurinho... Sem pensar duas vezes, ele se agarra à parede, estende bem o braço e com certo esforço consegue apanhar a fruta.
Então, ele a leva calmamente à boca, sentindo seu sabor adocicado e  o fundo ligeiramente ácido. E come como um rei, sem a menor preocupação. 
- E o urso, os tigres?
- Uma hora eles cansam de esperar e vão embora... Também pode chegar alguém...
A moral da história é que a vida está aí para ser vivida, para ser aproveitada em toda sua plenitude, sem essa excessiva preocupação com os ursos de ontem ou os tigres de amanhã. Aprendendo com as crianças, que não misturam aula com recreio e que tanto sabem curtir um jogo de bola como um passeio ao sorveteiro.
Adultos, acabamos perdendo essa maravilhosa espontaneidade, essa capacidade de separar as coisas e de vivê-las com intensidade, cada uma a seu tempo. Águas passadas não tocam moinhos. E nem águas que estão por vir!
Há pessoas que não conseguem libertar-se do pretérito. O curso universitário que poderiam ter feito e não fizeram, o patrimônio perdido em negócios infelizes, um casamento desejado que não se realizou. E nunca se conformam, nunca se permitem aproveitar intensamente os momentos felizes que aparecem, como se pagassem juros ao passado.
A vida é um grande rio que não começou ontem e nem vai terminar amanhã. Seu início perde-se na escuridão do tempo, e as batalhas do futuro nem que quiséssemos poderíamos antecipar. O que é preciso é que aprendamos a arte da felicidade, que aprendamos a comer os morangos da vida sem temor a ursos ou a tigres, que na maioria das vezes existem apenas em nossa imaginação!

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