CORPO

Nosso corpo nos pertence?

Por: Redação | Editoria: cultura | 20/02/2018 | Visualizações: 2992

Michelle Aparecida Pereira Lopes: Doutora em Linguística pela Universidade Federal de São Carlos e pesquisadora da constituição discursiva do corpo feminino ao longo da história. É docente do curso de Letras da Universidade do Estado de Minas Gerais - Unidade de Passos e do IFSul de Minas - Ca - Foto de Reprodução

Por Michelle Aparecida Pereira Lopes


"Nosso corpo nos pertence" é uma das máximas do movimento feminista. A afirmação, alardeada por mulheres da Europa e dos Estados Unidos, a partir da década de 1970, colocava em xeque as relações de poder entre os gêneros, tanto na esfera pública, quanto na particular. Estudiosos consideram a frase simbólica de um protesto coletivo pela liberdade, bem como uma estratégia de resistência que buscava ressignificar o corpo, justamente por contestar a normatização e o controle sociais exercidos sobre ele. 
Em resumo, podemos dizer que as mulheres, mas de certa forma não somente elas, reivindicavam o direito individual de dispor de seu próprio corpo a partir da manifestação de práticas de liberdade que afrontavam o padrão de sexualidade vigente. O corpo assim acabou sendo colocado no centro de um debate político e de lá, nunca mais saiu. 
Algumas décadas separam as mulheres de outrora destas do século XXI. Mesmo após anos, o corpo feminino ainda ocupa uma posição central em muitas discussões contemporâneas, dentre as quais os padrões estéticos, que poderíamos dizer, mantêm-se incansáveis nas tentativas de fazer do corpo um objeto controlado, tomando como partida a percepção uniforme e determinista da corporeidade.
Seria algo como dar liberdade para alguns gestos e práticas, mas manter o corpo cerceado por discursos que lhes impõe pesos, medidas e modelos de silhueta, prescreve as roupas adequadas e as inadequadas para cada tipo de estrutura física, ensina a calcular o IMC e propõe as fórmulas imbatíveis e as dietas mirabolantes para a perda de peso.
Por esse prisma, o corpo permanece sendo um lugar de disputa e de dominação: de um lado o sujeito e seu corpo, do outro os discursos sociais que tendem a normatizá-lo, impondo-lhe os tamanhos aceitos, as espessuras reconhecidas e as formas valorizadas.
Em seu livro Histórias e Conversas de Mulher, da Editora Planeta, a historiadora Mary del Priore afirma que as mulheres deste século XXI "continuam submissas!". Por isso, finalizamos este texto com dois questionamentos pertinentes a todas as mulheres: a que temos nos submetido? Nosso corpo, realmente, nos pertence?
MICHELLE APARECIDA PEREIRA LOPES: Doutora em Linguística pela Universidade Federal de São Carlos e pesquisadora da constituição discursiva do corpo feminino ao longo da história. É docente do curso de Letras da Universidade do Estado de Minas Gerais - Unidade de Passos e do IFSul de Minas - Campus de Passos.

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