CRÔNICA - Joel Cintra Borges

Nasce a física quântica!

“Somos feitos da mesma matéria  dos nossos sonhos” - Shakespeare

Por: Joel Cintra Borges | Editoria: cultura | 25/02/2018 | Visualizações: 3172

- Foto de Reprodução

No dia 14 de dezembro de 1900, enquanto caminhava com seu jovem filho pelo bosque Grunewald, nos arredores de Berlim, Max Planck, professor de física da universidade local, disse:
–  Hoje fiz uma descoberta tão importante quanto a de Newton... Dei o primeiro passo para além da física clássica.
Ele se referia à observação que fizera sobre a emissão de energia, sob determinadas condições, por objetos aquecidos, a qual não era contínua, como todos os físicos pensavam, mas, descontínua, em “pacotes”, aos quais ele deu o nome de quantum (palavra latina que quer dizer quantidade e cujo plural é quanta). Estava iniciado o alicerce da física dos quanta, ou física quântica, como passou a ser chamada!
Sua descoberta era tão importante porque batia de frente com a física clássica. Tudo indicava que a nível subatômico as hipóteses da física de Isaac Newton simplesmente não funcionavam, tornando-se necessário um tipo inteiramente novo de física.
Logo surgiram continuadores, sendo o principal deles Nils Bohr, dinamarquês, prêmio Nobel de física em 1922, que é considerado (com toda justiça, devido a seu imenso trabalho nessa área), o pai da física quântica. Outros desbravadores desse campo novo foram: Rutherford, Heisenberg e Einstein (que a utilizou em sua Teoria da Relatividade Especial em 1905), entre outros.
Apareceram também contestadores, como Max von Laue, o mais importante físico teórico alemão da época, que ficou tão enfurecido com as ideias de Bohr que declarou:
–  Se essa teoria estiver correta, abandonarei a física! – Felizmente foi dissuadido dessa atitude, tornando-se mais tarde grande amigo de Nils Bohr.
O que ficou claro, depois de todos esses estudos e polêmicas, é que há dois conjuntos de leis naturais que regem o Universo: as conhecidas por newtonianas, para as coisas tangíveis, as quais são previsíveis, exatas; e as leis da mecânica quântica, para o mundo subatômico, que se assentam no conceito de probabilidades: é possível que aconteça uma coisa, nunca se sabe com certeza como determinado processo se comportará, somando-se dois mais dois provavelmente dará quatro... 
Outra observação importante é que as leis da mecânica quântica conduzem aos processos considerados holísticos. Todos os fenômenos são interdependentes, conduzindo a um todo indivisível. O observador e o objeto observado interagem continuamente, porque ambos fazem parte do todo. O pensamento é uma onda produzida de forma descontinua, sendo, portanto, quântico e vivo e criativo!
A física, ou mecânica quântica, não é apenas uma teoria bonita e interessante: é a mãe de toda a alta tecnologia eletrônica atual. Alguns exemplos: controles remotos de TVs, aparelhos de ressonância magnética utilizados nos hospitais e até o aparelho de CD e o microcomputador!
O Universo desenhado por Newton assemelhava-se a um relógio, na verdade um grande relógio, mas, mecânico, previsível. A física dos quanta veio demonstrar que, antes que tenhamos essa pretensão, ainda há muito chão para percorrermos! Bem se expressou Nils Bohr quando disse: “Qualquer um que não tenha ficado aturdido ao pensar na teoria quântica, simplesmente não a compreendeu.

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