MAURO ZANIN

Sem descartar possibilidade de candidatura, Zanin avalia situação política municipal e nacional

Por: João Oliveira | Editoria: politica | 25/02/2018 | Visualizações: 6356

Mauro Zanin, Prefeito em São Sebastião do Paraíso por dois mandatos, entre 2005 e 2012 - Foto de Reprodução

Prefeito de São Sebastião do Paraíso por dois mandatos, entre 2005 e 2012, Mauro Zanin é um dos nomes cotados como pré-candidato a deputado federal representando a região. Embora não dê certeza se encarará ou não esse desafio, independente disto ele conta que não deixará de participar no processo político como cidadão atuante, e acredita que a mudança por si só não é bem-vinda, ela tem que acontecer com responsabilidade e participação de todos.
Conforme explica, a candidatura ainda é incerta e, mesmo que haja uma grande probabilidade de não sair como candidato, ele também não descarta a possibilidade. "Não existe nada certo, assim como também não era certo a possibilidade de eu sair como candidato. O que existia antes eram conversas, algumas delas porque sou procurado e outras pelo meu envolvimento como agente político local e regional", conta.
Mauro destaca que a vontade para que haja renovação e melhoria na situação atual do pais é grande, principalmente a melhoria consciente da nossa política local, regional e nacional, mas que isso não necessariamente precisa ser pelas mãos dele, mas por um projeto que haja representatividade e envolvimento de todos. 
"Assusta-me um pouco o número de jovens e pessoas que estão alheias ao processo político, que não querem votar, não querem participar e isso tem até tem certo sentido de ser. Mas a gente precisa construir alguma coisa, com mudança ou não, e que se for haver mudança que seja consciente. Sobre minha candidatura, até o momento não existe nem que sim, nem que não".
Conforme acrescenta Zanin, "este é um projeto maior, e precisa ser algo alinhado com alguém do estado e ao mesmo tempo ter uma bandeira e um programa, não é um projeto pessoal, precisamos pensar grande, pensar que a região precisa estar representada, que os desafios locais precisam estar transpostos e acho que o maior desafio nosso hoje é o desenvolvimento, é ter prosperidade, oportunidade para as pessoas e a falta disto é o que tem desmotivado a população".
Mauro diz que por conta do trabalho, tem visitado várias regiões do país e vendo municípios que estão se desenvolvendo, ou pela agricultura ou por meio de negócios inovadores, e que isto faz que a nossa região acabe ficando para trás. "Acredito que precisamos, sim, de representatividade política, mas também um plano de desenvolvimento local, regional e que todos possam se envolver, ser escutados e se comprometerem, nada cai do céu, não adianta não gostar da política que está sendo feita e ficar sonhando com outra que vá me trazer mudanças", diz.


PARTICIPAÇÃO
Ao descartar a importância do envolvimento da população no processo eleitoral, o desinteresse, principalmente pelos mais jovens pela política, é algo que ele diz encarar com temor. "Fico me questionando a causa. Não podemos ser omissos e precisamos ajudar a construir uma realidade nova, mas não necessariamente precisa ser nós mesmos. A população está omissa porque antes com os partidos de esquerda e direita o cidadão se apegava a um ou outro e hoje em dia não dá para se apegar a ninguém, há descrença", avalia.
Segundo conta Zanin, ele não coadunava com a forma que o país vinha sendo governado. "Acho que lá atrás os governos Lula e Dilma propuseram mudanças, mas acredito que não aconteceram e acabaram se envolvendo com todas as situações que presenciamos. Porém, também não dá para aceitar da forma que está, o que dá para aceitar é o enfrentamento de questões estruturante do país, da economia entre outras coisas, mas fechar os olhos para a corrupção e os acontecimento é inaceitável. A sociedade, quando foi às ruas pedir renovação e mudança, isso acabou indo para o colo de alguém que não a representa".
O ex-prefeito acredita que as próximas eleições é a oportunidade de fazer a tão aclamada mudança no país, mas não acredita no mudar por mudar. "Nós já tivemos isso até aqui em Paraíso na Prefeitura, e nós pagamos o preço. Não é mudar por mudar, é mudar com responsabilidade, com consciência, sabendo onde vamos pisar, e acho que esse é o exercício que precisamos fazer, independente se o Mauro Zanin for candidato ou não. Eu não tenho a pretensão de ser a mudança, isto depende do contexto, do todo, incluindo a política local, regional e brasileira. É bem provável que eu não seja candidato, porém eu quero participar do processo e ajudar a construir essa mudança, não quero ser omisso a esta necessidade", diz.


PARAÍSO
Sobre a situação atual do município, Mauro diz que tem sentido muito esforço por parte do prefeito Walker Américo de Oliveira que, segundo destaca, é uma pessoa que ele acredita e que foi, inclusive, seu líder de governo enquanto vereador. 
"Gosto dele e tenho acompanhado o seu trabalho, mas é um momento muito difícil da história da gestão pública local, um pouco por desestruturação que veio da gestão anterior. Nós tínhamos um plano de desenvolvimento a longo prazo que se perdeu. Atrelado a isso está o momento que o país atravessa, que é difícil, já que a  Prefeitura vive de movimentação econômica. 
Ao mesmo tempo, Zanin conta que quando governou o município, houve ampliação dos serviços de educação, saúde e segurança pública, abrindo-se um leque que hoje torna a máquina pública pesada.
"Em conversa com o Walkinho, já disse que é preferível cortar na carne, diminuir a máquina pública, senão ele terá essa dificuldade financeira, de caixa, durante todo o seu mandato e não é algo que é transpo-nível, esses dias melhores não chegarão se não for feito um corte daquilo que for possível. Não é simples, às vezes passa por cortar programa, cortar serviço oferecido, mas é melhor oferecer menos, com qualidade, que oferecer muito sem ter dinheiro para pagar a folha no final do mês, vira uma bola de neve e ele já pegou isso nas mãos", avalia Mauro.
Porém, Zanin destaca que tem assistido um esforço de Walker, que aproveitou o quadro de servidores que também governaram junto dele. "São pessoas que sabem fazer, mas ao mesmo tempo precisamos apoiá-lo para ter a coragem de fazer o que precisa ser feito, senão ele vai sofrer muito. O custeio come e a capacidade de investimento das prefeituras é mínimo. Eu torço para que a mudança ocorra, mas com responsabilidade, eu morro de medo da mudança por si só e tenho visto pessoas se apegarem ao "ôba-ôba" novamente. O que a gente pede é que a população tenha o pé no chão, olhe a vida pregressa do candidato, compromisso em resolver problemas; se ele nunca foi candidato, avaliar a vida enquanto cidadão (que não será muito diferente da vida pública). O eleitor também tem responsabilidade e a mudança não é só do agente político, mas também no individual, é ali que ela começa", conclui.

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