ENTRETANTO

Entretanto

Por: Renato Zupo | Editoria: acidente | 28/02/2018 | Visualizações: 1041

- Foto de Reprodução

INTERVENÇÃO
Botar o Exército nas ruas vai ser uma boa. Nem o mais chato dos saudosistas da esquerda se atreve a questionar a medida tomada por Michel Temer, não porque este último tenha de uma hora para outra se tornado simpático aos brasileiros, ou porque o militarismo e as fardas e baionetas tenham perdido seu vínculo nostálgico com os anos de chumbo. É que os opositores da lei e da ordem, o povinho do “quanto pior melhor”, aqueles que vaiam até velório, são de fato uns covardes e morrem de medo de torcer pro lado errado, perderem o apelo popular com suas frases de efeito e populistas. Querem falar bonito e morrem de medo da repulsa do povo, nas ruas, bares e redes sociais. Corajosos, somente com um teclado na mão e de preferência com perfil fake. É que Temer pode ser antipático e a intervenção federal-militar pode não ser lá muito agradável, mas todo mundo perdeu a paciência com facções, criminosos em bando, estado paralelo armado e tráfico. Então, quem está contra essa gente vira herói fácil. Ou pelo menos não vira vilão. O que tem de neguinho torcendo pra coisa dar errado e virar palanque contra as forças públicas e armadas e o governo Temer, não está no gibi. Mas vão continuar querendo, porque também há aquela célebre lição do velho brocardo popular: os inimigos de meus inimigos são meus amigos. E, sinceramente, se de um lado há mocinhos, do outro há  bandidos. De que lado você ficaria?


GUERRA É GUERRA
No  Brasil até guerra tem que ser light. Não pode morrer inocente e nem podem ser suprimidos direitos. É que não vivemos privação de verdade, nem durante as guerras que fizemos, quando éramos invasores, no Paraguai e na Itália. Nunca fomos invadidos, a não ser quando ainda colonos da América Portuguesa, e por meia dúzia de gatos pingados holandeses e franceses que nos tratavam até melhor do que os conterrâneos de Cabral. Estamos mal-acostumados e aí se fala em intervenção federal-militar e gente com medo de ser abordado, identificado, preso, só porque há tropas de fuzileiros nas ruas e blindados do Exército ostensivamente espalhados pela orla carioca. Invadir favelas, então, vai ser um prato cheio quando atingir gente inocente. E vai atingir, é inevitável. Traficantes fazem como guerrilheiros muçulmanos: se protegem atrás de escudos humanos com gente inocente. Atiram na policia e se escondem em escolas e creches, no meio de crianças e idosos que não têm nada a ver com a história. Aí morre um bobo e a TV Globo faz especial  de natal.  Somos assim porque nunca tivemos problemas bélicos de verdade, nunca passamos fome. A inanição é um marco tão inesquecível entre os povos que atravessa gerações, causando traumas que alcançam até os descendentes abastados de quem sofreu com falta de comida na guerra. Me surpreenderam os ingleses, quando estive em Londres como palestrante convidado em uma universidade. Almoçava em um dos refeitórios com estudantes, monitores e professores, e o que mais ouvia era que comer ali era bom porque era praticamente de graça. Ah! Também ouvi jovens dizendo que iriam (ou foram) a festas horrorosas, de gente chata, mas com comida a vontade Por aqui, jovens não vão a festas para comer de graça, não saem à noite por comida, talvez porque seus pais e avós não tenham passado por guerras e nem pela fome. A história que nos abençoa também nos condena.


SOLUÇÃO AMERICANA
Os Estados Unidos, tão repletos de direitos humanos, mais cheios de ONGS e associações de gente chata que pega no pé do governo do que nós, no Brasil, ainda assim quebram o pau e mandam as favas os bons modos e o devido processo legal quando é para deter o crime organizado ou bandos terroristas. Torturam se necessário e encontraram um jeito malandro  e que não ofende sua Constituição cheia de liberdades, quando o assunto é tortura: sequestram o suspeito em qualquer lugar do planeta e levam para Guantânamo, ou outra de suas bases extraterritoriais, onde não vige a lei americana, mas tremula a bandeira yankeee, e descem o sarrafo no suposto terrorista até dele obterem o que querem. Fora dos EUA, não pode ser crime nos EUA. Hipócrita, desonesto, mas eficiente.


NADA DE REFORMA
Não sai mesmo a Reforma da Previdência. Temer matou vários coelhos com uma cajadada só: fez a intervenção militar, que ao menos esconderá os bandidos nos morros cariocas e deve melhorar um pouquinho a popularidade presidencial.  Além disso, tem a desculpa ideal para não por em votação a Reforma da Previdência, inviável durante a intervenção militar que só termina com o governo Temer em 31 de dezembro. Pronto, ela não ia ser aprovada mesmo, nosso presidente escapa assim de mais uma derrota no Congresso. Por fim, e isso me parece bem claro, ninguém vai ter peito de prender Lula durante a intervenção. Seria uma temeridade (sem trocadilho), já com a segurança nas ruas comprometida. Se o povo do Lula solta seus pitt bulls fogueteiros e mascarados no meio de fuzileiros navais e tanques, viramos de vez uma Venezuela. E assim, o bom velhinho Temer passa longe, também, desse dilema.


 O DITO PELO NÃO DITO.
“Todas as mulheres sabem que os ciumentos são os primeiros a perdoar.” (Dostoievski, escritor russo). RENATO ZUPO, Magistrado, Escritor.

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