DIA DA MULHER

O Dia Internacional da Mulher é um lembrete de que a luta continua

Por: João Oliveira | Editoria: cidades | 08/03/2018 | Visualizações: 245

- Foto de Reprodução

O Dia Internacional da Mulher não é apenas uma data para celebrar o que significa ser mulher, mas um lembrete de uma luta diária diante da desigualdade latente de gênero existente na sociedade e também da luta por direitos e segurança, já que os números envolvendo violência doméstica e feminicídio são preocupantes a chamam a atenção para medidas eficazes na prevenção e combate a este mal persistente ao redor do mundo.
Conforme lembra a advogada Maria do Carmo Lopes Toffanetto Rossitto Bassetto, a luta das mulheres pela ampliação da cidadania, por meio do reconhecimento e da efetivação de seus direitos, teve início ainda no século XIX, com os movimentos sociais que tinham como reivindicação maior o direito ao voto. “Isso chamava a atenção para a falta de participação feminina no processo político e democrático. Outros direitos e espaços foram questionados e reivindicados pelas mulheres que passaram a realizar outras atividades, indo além do mundo estritamente doméstico para as quais foram criadas e educadas”, destaca.
Segundo avalia a advogada, a conquista feminina avançou muito em todo mundo e, hoje, presenciamos um mundo em que existem mulheres ocupando os mais diversos cargos, exercendo atividades e realizando projetos que antes eram realidade apenas para os homens. Porém, segundo ela chama a atenção, em todo o mundo essa não é a realidade da maioria das mulheres.  
“Em pleno século XXI, precisamente no ano de 2018, a igualdade de gênero das mulheres em relação aos homens ainda é algo inexistente para a grande maioria das mulheres no mundo inteiro, inclusive no Brasil. Quando analisamos os dados e pesquisas publicadas, para além das médias nacionais, percebemos que existem, dentro de nosso país, relevantes desigualdades entre as próprias mulheres que possuem diferentes realidades por conta de sua raça, cor, religião, região onde mora, desigualdade de renda, condição social”, denuncia.  
Conforme explica Maria do Carmo, apesar de se apresentarem em níveis e formas diferentes, a desigualdade e o preconceito são percebidos em todas as classes sociais, em todos os setores da sociedade, em todas as faixas etárias e em todas as profissões, inclusive na advocacia.
“A advocacia é uma profissão difícil, árdua, que exige um sério comprometimento e uma grande dedicação do profissional que a escolhe como sua carreira. O mundo da advocacia, assim como o mundo dos negócios, é naturalmente hostil, pois, tradicionalmente, os advogados são ensinados a litigar, a brigar pelos direitos dos clientes que representam.
É um mundo considerado naturalmente masculino, mas as mulheres têm conseguido, a cada dia, ocupar o espaço a que têm direito, demonstrando competência, profissionalismo, comprometimento, conhecimento e capacidade para exercer a profissão e ser reconhecida pelo seu trabalho”, avalia.
Maria do Carmo reconhece que o caminho não é fácil, pois a advocacia exige muito estudo, tempo, e disponibilidade para atender às diversas demandas que lhes são apresentadas e, tudo isso, dentro do prazo exigido por lei, sendo necessário conciliar com todos os outros afazeres domésticos, que culturalmente também lhes são impostos pela sociedade.
“Romper com essas ‘exigências sociais’, impostas pela cultura machista em que fomos criadas, talvez ainda seja o maior desafio que temos que enfrentar para conseguirmos a equidade de gênero e sermos tratadas e respeitadas com a mesma dignidade e respeito com que o sexo, ou gênero oposto, o é”, ressalta.
Lembra ainda que há vários documentos legais de abrangência nacional e internacional que garantem às mulheres a igualdade de direitos em relação aos homens, mas elas, enquanto mulheres e meninas, sabem, por vivência própria, que tais direitos são meramente formais, constam apenas nos textos e documentos, na letra fria da lei. “Ainda falta muito caminho a percorrer até que tais direitos prescritos nas declarações, tratados, constituições e leis venham a ser realmente reconhecidos, efetivados, respeitados. Nosso caminho é longo, mas é possível, e todas nós acreditamos fielmente nisso”, completa.

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