ELY VIEITEZ LISBOA

Escrevendo uma crônica

Por: Ely VIeitez Lisboa | Editoria: cultura | 12/03/2018 | Visualizações: 1539

- Foto de Reprodução

Estou com vontade de escrever uma crônica. O gênero é livre, solto e prefere o cotidiano, situações comuns, cenas de rua ou apenas um voo da alma. A gente se solta, libera as amarras, deixa a imaginação fluir como ave em liberdade. Crônica não é animal de cativeiro, pássaro de gaiola. É feita de azul e infinitos. Olho ao redor e vejo temas convidativos. Falar daquela primavera toda ressequida, que ressuscitou como coração com amor novo? E daquela manhã, quando inacreditavelmente, oito ou dez bem-te-vis estavam pousados na cerca da piscina, fazendo nada, descansando, assim, como se estivessem em casa? E do bando de pássaros que voam apressados, toda manhã, quando os flagro roubando a ração de minha labradora? Ela nunca me disse nada, não reclamou dos ladrões alados. Outro tema bom seria aquela incrível árvore do vizinho ao lado. Não dá frutos, mas engrinalda-se de flores lindas, róseas e toda tarde um bando de maritaquinhas travessas e ruidosas, ficam lá, fazendo a serenata barulhenta. Por que não falar da abundância de flores doiradas do meu jovem ipê do jardim?
Não. Chove lá fora, mansinho, chuva sem-vergonha, tímida. De repente, a alma fica com vontade de passear no tempo, fazer questionamentos, coisas tolas, sem resposta, que não interessam a ninguém. Há uma teoria sobre a arte da pintura. Não se pode ver um quadro com os olhos próximos da tela. Tudo fica confuso, meio obtuso, sem sentido. É preciso afastar-se para ver a figura. Não acontece o mesmo com fatos de nossa vida? Quando os vivemos, não compreendemos muita coisa, vemos torto, enviesado. O tempo, este remédio para tudo, este sábio, esclarece coisas, mostra-nos outros enfoques. Por isto, muita coisa que pensávamos ser verdade virou ficção, o amor eterno, fantasia efêmera, os príncipes viraram sapos, os que se diziam amigos deixaram a máscara cair. Qual a realidade? O antes? O agora? Quem brinca conosco? Deus ou o Diabo?
Aí, deu-me vontade falar do Facebook. Há pouco tempo que o frequento. Já pensei que é um local de encontros leves, sem compromisso com coisas sérias, uma diversão. Às vezes surgem postagens inteligentes, vídeos notáveis; bons poetas postam seus textos, alguns admiráveis. Algo me impressiona. Tenho uma Coluna dominical no Jornal A Cidade, há mais de dez anos. Sempre tive algum retorno sobre meus artigos. Depois que, logo publicados, eu os tenho postado no Face, dezenas e dezenas de leitores "curtem", compartilham, deixam comentários admiráveis. Como autora, sinto-me realizada e feliz, 
Estamos realmente na Era da Comunicação e o Face vem cumprindo seu papel.
Decididamente, este é um assunto muito complexo para uma simples crônica... Melhor parar por aqui.
(*) Ely Vieitez Lisboa é escritora.
E-mail: elyvieitez@uol.com.br

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