CRÔNICA HISTÓRICA DE SÃO SEBASTIÃO DO PARAÍSO:

Inauguração da Estação da Mogiana

Por: Luiz Carlos Pais | Editoria: cidades | 03/03/2018 | Visualizações: 137

- Foto de Reprodução

 


Ao cair da tarde do dia 6 de agosto de 1914, chegou à recém construída Estação da Mogiana de São Sebastião do Paraíso, polo cafeeiro do Sudoeste Mineiro, um trem especial, vindo de Campinas, Estado de São Paulo, onde ficava a sede da Companhia. A inauguração da nova estação ocorreu no dia seguinte, quando iniciou o tráfego de trens, inicialmente, com um horário de ida e outro de retorno, entre São Sebastião do Paraíso e a referida cidade paulista, passando por várias estações intermediárias.
Aquele trem especial trouxe uma comitiva de visitantes, composta por políticos, diretores e altos funcionários da empresa que vieram prestigiar o evento. Estava presente o coronel Manoel de Moraes, Francisco Paula Ramos de Azevedo, Guilherme de Andrade Villares, José Egídio de Queiroz Aranha, José Tavares Pereira, todos diretores da Mogiana. Vieram também o Antônio Nogueira Penido, inspetor geral; Próspero Ariani, encarregado das obras, Carlos Stevenson, chefe de tráfego, Caroliano de Mattos, Ezequiel Coelho, engenheiro, e Leopoldo Amaral, jornalista de Campinas. 
Os visitantes foram recepcionados com um jantar de 100 talheres, oferecido pela municipalidade, no salão nobre do Hotel Central. Na noite do mesmo dia, após o jantar, houve uma sessão líteromusical no Grêmio Literário Paraisense, onde os visitantes receberam os cumprimentos em nome do governo de Minas Gerais. A diretoria do Grêmio ofereceu uma taça de champanhe aos presentes, discursando o advogando e escritor José de Souza Soares, agente executivo municipal em exercício, que estava substituindo o coronel José Pimenta de Pádua. Em seguida, os visitantes foram aclamados por moradores da cidade, que, acompanhados de uma banda de música, foram ao Grêmio. Nesse momento, discursou Aristeu de Castro, destacando a importância do evento para a região. O Dr. Ramos Azevedo agradeceu em nome de todos a gentil acolhida dos paraisenses. Por volta das 22 horas, os visitantes embarcaram no mesmo trem para Guaxupé, onde estava previsto o pernoite.
No dia seguinte, centenas de cidadãos foram à mesma estação, acompanhados da Banda de Música “Padre Benatti”. O espaço ficou pequeno diante do grande número de pessoas, aguardando a chegada do expresso que trazia os primeiros passageiros. Às 19 horas, a locomotiva começou a dar os primeiros sinais de aproximação, causando grande euforia na massa popular. A banda executou o Hino Nacional e o povo aclamou o grande feito que facilitaria os meios de transportes. Antônio Soares de Paula Coelho fez um discurso de boas-vindas aos viajantes. Foi prestada homenagem ao engenheiro José Pereira Rebouças, responsável pela obra. Diariamente, o expresso partia de São Sebastião do Paraíso às 5 horas da manhã e retornava por volta das 19 horas. Finalmente, um cronista local expressou sua opinião, dizendo que a empresa deveria melhorar a iluminação da Estação, colocando luz elétrica, pois, os poucos lampiões a querosene existentes, projetavam apenas um fiapo de luz, deixando o ambiente com aspecto tristonho e mortiço, conforme notícia publicada na imprensa nacional.

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