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Subtenente Furtado: Um paranaense à frente do TG paraisense

Por: Heloisa Rocha Aguieiras | Editoria: cidades | 19/03/2017 | Visualizações: 126

Subtenente Furtado em sua primeira formatura de matrícula do TG 04-025 - Foto de Reprodução

 


Rogério Dias Furtado, 46 anos, é o subtenente Furtado, no comando do Tiro de Guerra de São Sebastião do Paraíso desde fevereiro passado e já adotando a cidade, juntamente com sua família, a mulher Eliana Sanches Furtado e os filhos Isabela, de 13 anos e o João com nove anos. Já se sentiu acolhido, e elogia a característica hospitaleira do povo paraisense. Sua experiência no militarismo começou aos 18 anos e não parou mais, passando por várias cidades brasileiras. Para ele, o momento é de privilégio, afinal está atuando no ano de centenário do TG de Paraíso.
Jornal do Sudoeste – Como é a sua origem?
Subtenente Furtado – Nasci em Cambará, no Paraná, na região conhecida como “Norte Pioneiro”, que foi colonizada por mineiros que queriam expandir as plantações de café para além das fronteiras de Minas Gerais. Meu pai, Milton de Carvalho Furtado foi atendente de farmácia e foi atirador no ano de 1969, no Tiro de Guerra 05-001, onde nasci. Minha mãe, Júlia Dias Furtado, sempre foi dona de casa, cuidando de mim, o mais velho, e de meus irmãos Robson, Juliana, Jucélia e Rafael.
Jornal do Sudoeste – Co-mo foi a sua formação escolar?
Subtenente Furtado – Desde os 14 anos eu já falava que queria sair da cidade para seguir carreira militar. Eu queria conhecer outros lugares, a minha cidade era pacata, tranquilo município do interior. Aos 12 anos fui sozinho visitar uma tia em São Paulo, aos 14 eu queria ir trabalhar fora e minha mãe me segurou para que eu estudasse. Aos 18, uma tia de minha mãe me recebeu em sua casa, em Curitiba, onde me alistei no Exército. Eu era o que chamavam de “laranjeira”, ou seja, o rapaz que vai servir e não é da cidade, e mora no quartel, passando meses sem ir para casa. Foi isso que aconteceu comigo, só visitava meus pais nos feriados.
Jornal do Sudoeste – A carreira militar, então, teve início em Curitiba?
Subtenente Furtado – Isso. Foi lá que fiz o curso de cabo, e sai. Um amigo me chamou depois para fazer o curso para sargento. Em 1992 passei  no concurso público e no ano seguinte vim para Minas Gerais, em Três Corações fazer o curso na Escola de Sargento das Armas (ESA), que é uma referência no Brasil, onde fiquei por um ano. No ano seguinte me formei e pude fazer a escolha, de acordo com minha nota, da cidade onde queria atuar e optei por Apucarana, também no Paraná, que é cerca de 200 quilômetros da minha terra natal.
Jornal do Sudoeste – Daí começaram suas transferências tão típicas da carreira?
Subtenente Furtado – Fiquei em Apucarana até 1996. Fui para Belém do Pará. Depois de um ano e meio de casado, minha mulher, guerreira e companheira desde sempre, largou o emprego e fomos viver em um lugar com uma cultura totalmente diferente. Essa vivência regional engrandece nossa carreira. Tomamos um choque naquela época, mas hoje nos integramos rapidamente, após tantas mudanças. Porém, essa primeira foi muito difícil. Mas tínhamos em mente aproveitar ao máximo essa experiência e conhecemos muitos lugares interessantes nas proximidades, como Salinas, Mosteiro, lugares com uma beleza natural muito diferente. 
Jornal do Sudoeste – O que vocês acharam dessa experiência tão diferente?
Subtenente Furtado – Foi muito enriquecedora. As comidas tendo peixe como base, o povo, o jeito de levarem a vida. Os soldados do Paraná, em 1994 quando o Brasil teve uma estabilidade econômica, aplicavam o que ganhavam em uma casa, um terreno, guardavam o dinheiro. No Pará, eles iam com o dinheiro nas vendas antiguís-simas e compravam a carne de charque, a farinha e a manteiga vendida a granel. O resto eles gastavam na “gelada” e eram muito festeiros, chegavam a varar a noite, quando dava 5 da manhã iam para casa dormir. Minha mulher, que na época trabalhava em uma concessionária, nunca recebeu pagamento na quinta ou sexta-feira. As empresas só pagavam nas segundas-feiras, porque senão não apareciam no sábado, porque todo mundo emendava.
Jornal do Sudoeste – Como foi a sequência de sua carreira?
Subtenente Furtado – Saí de Belém do Pará e pedi transferência para Curitiba e voltei para o mesmo quartel onde servi pela primeira vez e incorporei como soldado. Comprei uma casa e comecei a formar minha família, minha filha nasceu em 2003 e meu filho em 2007. Fiquei na capital do Paraná por 15 anos, algo muito atípico na carreira, pois a nossa movimentação é prevista entre dois a três anos. 
Jornal do Sudoeste – Depois desse descanso prolongado, para onde o senhor foi com sua família?
Subtenente Furtado – Em 2014, pedi “guarnição especial”, que é fronteira. Fui para Corumbá, no Mato Grosso do Sul, fronteira com a Bolívia, pois na fase em que estava minha carreira, eu sabia que faria mais trabalhos administrativos. Além disso, Corumbá é uma fronteira tranquila comparada a outras fronteiras, apesar de ter circulação de drogas. O Exército participa dando suporte para a Receita Federal e Polícia Federal, mas eu não participava porque estava mesmo ocupando um cargo que não era operacional.
Jornal do Sudoeste – E de Corumbá o senhor veio para São Sebastião do Paraíso?
Subtenente Furtado – Sim, porque tinha o desejo de ser chefe de instrução de um Tiro de Guerra. Sempre tive essa vontade na carreira, mas vinha adiando, porém acredito que chegou a hora. Normalmente em nossa trajetória é comum que ocupemos um cargo de chefia de TG apenas em uma oportunidade durante toda a carreira. 
Jornal do Sudoeste – Qual será seu futuro?
Subtenente Furtado – Após dois anos posso pedir transferência por exoneração e a carreira continua na mesma função de subtenente, possibilitando que eu peça para ir para Brasília, ou Nordeste, voltar para Curitiba, ou retornar à fronteira. Não posso retornar à chefia e isso acontece porque é para que todos tenham a oportunidade de ocupar todas as funções. É uma função sequencial e possibilita a todos. Antes, os militares ficavam mais tempo porque as turmas eram menores e não tinha tanto contingente para ocupar todos os cargos.
Jornal do Sudoeste – O que o senhor e sua família estão achando de Paraíso?
Subtenente Furtado - Nós nos mudamos perto do carnaval. Estamos muito adaptados porque a cidade é maravilhosa, muito boa, e seu povo muito hospitaleiro. Meus filhos estão estudando e fomos muito bem recebidos pelos mineiros. Tinha muita vontade de conhecer melhor Minas Gerais porque meus avós são mineiros, de Miraí de Minas, e que foram colonizar o “norte pioneiro” do Paraná, plantando café; atualmente a cana de açúcar tomou conta. Estamos gostando muito daqui.
Jornal do Sudoeste – O cargo era como o senhor queria?
Subtenente Furtado – Sou chefe de instrução de Tiro de Guerra. Oitenta atiradores iniciaram as atividades em primeiro de março passado. É uma oportunidade única, muito interessante porque é diferente de tudo o que a gente aprende na Organização Militar. Em um quartel comum todos, por exemplo, fazem a marcha, treinam acampamento, participam da instrução operacional ou de atividade administrativa, fazem as refeições, tudo em um lugar só, é um trabalho em local fechado o dia inteiro. Em um TG é primordial o contato com a comunidade, com os órgãos públicos, atuar no aspecto social junto ao atirador e sua família. Não sabemos como fazer, aprendemos com os outros, tudo é diferente porque no TG são apenas duas horas diárias de atividades, ao contrário do que acontece no quartel. Nosso objetivo é de fundamentos, repassando valores morais, ensinando civismo, amor à Pátria, fazendo com que o atirador concilie a atividade do Tiro de Guerra com os estudos e o trabalho. Sabemos que é puxado, mas nada como um jovem aplicado não consiga fazer.
Jornal do Sudoeste – Como você avalia sua trajetória?
Subtenente Furtado – Tudo foi muito bom, não me arrependo de nada. Estou muito satisfeito com a carreira e com a vida que tive até agora, incluindo as vivências, que agregam muito, as amizades que fazemos fazem a diferença. Nas fronteiras, nossos colegas se tornam nossas famílias porque estamos longe de nossos parentes.

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