CRÔNICA - Joel Cintra Borges

Milagres

Por: Joel Cintra Borges | Editoria: cultura | 09/04/2018 | Visualizações: 731

- Foto de Reprodução

Einstein dizia que há duas formas de se olhar a vida: a primeira é não ver milagre em nada, a segunda é ver milagre em tudo! 
Não enxergar milagre em nada é concluir sempre que tudo é lógico, é banal, é previsível. Se o miocárdio, que é o músculo do coração, trabalha, bombeando o sangue para todo o organismo, durante 70, 80, 90, às vezes até 100 anos ininterruptos, sem um descanso, umas férias, de ao menos cinco minutos, ele não está fazendo mais que sua obrigação, afinal, foi construído, esculpido pela seleção natural para isso.
Assim os pulmões, que se dilatam e se fecham, também sem parar, no ato de oxigenar o sangue. O próprio sangue, que se encarrega de levar o oxigênio para todo o corpo, dos dedos do pé ao cérebro, além de desempenhar inúmeras outras funções, como a de manter o sistema imunitário, que é um minúsculo mas formidável exército, pronto a combater vírus, bactérias, fungos e outros micróbios que tentam invadir o organismo.
E o cérebro, que mesmo durante o sono, quando quase todo o corpo repousa, continua dando as ordens necessárias para que as funções vitais não parem? E que dizer de olhos, ouvidos, da faculdade de falar, de cheirar, de sentir gostos, de reconhecer as coisas pelo tato?
Que dizer da inteligência, que faz conjecturas sobre si mesma,que se disseca, se analisa, pesquisa as próprias origens? E a capacidade de sonhar, de inventar, de criar, de construir coisas maravilhosas, como que brincando de ser Deus?
A grande variedade de formas no reino animal, do minúsculo camundongo ao elefante, ao rinoceronte, ao hipopótamo... Os peixes, que habitam até as partes mais fundas dos oceanos, as chamadas regiões abissais, alguns se dando ao luxo de produzir a própria iluminação... E fica aquele espetáculo de luzes vagando de uma parte para a outra na escuridão dos abismos!
Conta-se que cientistas russos, no afã de provar que tudo era química, era física, era, enfim, ciência, construíram um ovo muito semelhante ao ovo de galinha fertilizado pelo galo. Pesquisaram a composição química de tudo e a copiaram nos mínimos detalhes. Ao cabo de algum tempo estava pronto, e tão perfeito que provavelmente nenhuma galinha o distinguiria dos seus! Só que ele não chocou, não gerou um pintinho, como aqueles feitos na tecnologia simples dos ovários e ovidutos da galinha!
Será que os cientistas se esqueceram (ou não tiveram condições?!), de colocar a estrutura helicoidal do DNA, com os sessenta mil pares de genes que informariam ao organismo em formação que ele era uma ave, um galináceo, de cor vermelha (ou branca!), altura X, peso Y...
E o tamanho do pequeno? Como conceber que numa minúscula célula de pele, ou de um fio de cabelo, caibam sessenta mil pares de genes, por menores que eles sejam? Certamente o pequeno não é tão pequeno como pensamos... 
Da imensidão do Universo à complexidade do fenômeno que chamamos vida  (mas que ainda não compreendemos bem!), tudo só pode ser visto como um milagre, para as pessoas que têm sensibilidade. Não milagre no sentido de derrogar as leis do Criador, mas naquele de maravilhar, de causar grande admiração. De fazer com que nos sintamos pequenos ante a grandeza de tudo!

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