CRÔNICA - Joel Cintra Borges

A beleza das palavras

Por: Joel Cintra Borges | Editoria: acidente | 27/04/2018 | Visualizações: 2953

- Foto de Reprodução

Da união de Hermes, o deus mensageiro da mitologia grega, com Afrodite, deusa do amor, nasceu Hermafrodito, um jovem de tão extraordinária beleza que todas as jovens se encantavam com ele. Certa ocasião, quando o moço já tinha quinze anos de idade, uma ninfa de um lago apaixonou-se por ele, não sendo correspondida. Chorosa, ela se afastou, fingindo estar conformada. Hermafrodito, notando a limpidez das águas do lago, decidiu banhar-se nele. Foi a vez da ninfa, que se chamava Sálmacis: vendo-o em seus domínios, abraçou-se fortemente a seu corpo, enquanto endereçava aos deuses uma prece, rogando para que  nunca mais se separassem. Sendo a prece atendida, surgiu um novo ser, de dupla natureza. Foi daí que veio a palavra hermafrodita, muito usada no estudo da biologia, para indicar seres (comumente plantas) que têm os dois aparelhos reprodutores, o masculino e o feminino.
A palavra tutaméia, utilizada para indicar pouca coisa, surgiu - segundo o excelente Dicionário Houaiss - em Portugal, por volta do século XVIII. Nesse tempo, havia uma moedinha de cobre chamada macuta, de valor muito baixo. Falava-se então, em tom de menosprezo:
-  O trabalho daquele homem não vale uma macuta e meia!
Daí para matuta e meia, tuta e meia e finalmente tutaméia foi questão de tempo!
Se o panorama político que o Brasil atravessa fosse no Japão antigo, certamente já teria havido algum harakiri, que é um suicídio ritualístico dos mais dolorosos, porque a pessoa - não suportando viver com a honra manchada - corta o próprio ventre com uma faca, ou sabre. A palavra vem do próprio japonês, sendo formada por hara = barriga, ventre e kiri = cortar.
No final da Segunda Guerra Mundial, quando o Japão já estava sendo invadido pelos navios dos aliados, um grupo de pilotos nipônicos formou o Esquadrão Kamikaze, cuja característica era pilotar um pequeno avião cheio de bombas, que o piloto lançava diretamente contra um barco, afundando-o, ou causando estragos seríssimos. Kami quer dizer deus e kaze, vento. Kamikaze seria, então, vento divino. A escolha desse nome para o "esquadrão suicida" está ligada a uma velha lenda japonesa, segundo a qual no ano de 1281 o Japão estava prestes a ser invadido por uma esquadra mongol, quando um vento (um vento divino!) soprou muito fortemente, destruindo os navios.

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