POLE POSITION

País exótico, pista perigosa

Por: Sérgio Magalhães | Editoria: esporte | 28/04/2018 | Visualizações: 1765

GP do Azerbaijão foi um dos mais movimentados do ano passado - Foto de Getty Images

Sem nenhuma tradição com o automobilismo, o Azerbaijão entrou para o calendário da Fórmula 1 em 2016 como proposta do governo local em divulgar o país situado entre o Leste Europeu e o Sudoeste Asiático, banhado pelo Mar Cáspio, nada mais que um grande lago de águas salgadas.
Apesar de a economia que gira em torno do petróleo já ter sido melhor, o Azerbaijão, pais habitado desde a Pré-História, que chegou a ser ocupado pelo Império Romano, faz parte da lista das nações mais corruptas do mundo. 
É nas ruas da capital Baku, num traçado extenso de 6.003 metros que a Fórmula 1 encontra um dos maiores desafios da temporada pelas características da pista altamente perigosa, com trechos de aceleração plena cercada de muros por todos os lados com raríssima - pra não dizer inexistente - área de escape, onde os carros chegam a mais de 330 km/h (ano passado Daniel Ricciardo atingiu 336,4 km/h na corrida), intercalada por um trecho travado e estreito onde praticamente só passa um carro de cada vez na parte medieval da cidade. O centro antigo de Baku é patrimônio da humanidade tombado pela UNESCO. 
O GP do Azerbaijão, que em sua primeira edição, em 2016, recebeu a denominação de GP da Europa, está entre os três mais caros que o ex-chefão, Bernie Ecclestone colocou no contrato que fez com o governo local para receber a Fórmula 1 até 2025. Não sai por menos de US$52,5 milhões por ano, quantia equiparada ao que a Rússia e o Bahrein pagam para receber a categoria, o que tem feito alguns políticos locais questionar se vale a pena gastar tanto num evento em que os organizadores enfrentam dificuldades para vender os 30 mil ingressos que são colocados à venda, devido a falta de interesse da população com o automobilismo.
A corrida do ano passado foi uma das mais movimentadas da temporada. Teve um pouco de tudo, de acidentes a interrupção com bandeira vermelha e uma "quase" vitória de Felipe Massa não fosse a quebra de suspensão da Williams. Mas o lance que ficou para a história foi a batida proposital de Sebastian Vettel em Lewis Hamilton num momento de Safety Car em que o piloto da Ferrari quis vingar de uma suposta freada proposital de Hamilton, líder da prova, induzindo Vettel a bater em sua traseira. No fim, os dois acabaram fora da luta pela vitória já que Vettel teve de cumprir punição de 10 segundos nos boxes, e Hamilton precisou fazer um pit stop extra para fixar a proteção lateral do cockpit de seu carro que se soltou.
A vitória caiu no colo de Daniel Ricciardo e foi tão improvável quanto a que ele conquistou há duas semanas na China, depois de um nó estratégico que a Red Bull deu na Mercedes e na Ferrari no Circuito de Xangai.
Em três corridas até aqui neste ano, a Ferrari venceu duas com Vettel, e a Red Bull uma com Ricciardo. O GP do Azerbaijão é, portanto uma prova de fogo para a Mercedes, ainda que a diferença de Hamilton (2º) para o líder (Vettel) no campeonato seja apenas de 9 pontos (54 a 45), com Valtteri Bottas em 3º com 40, seguido por Ricciardo com 37 e Kimi Raikkonen com 30. 
Depois da saraivada de críticas que recebeu da imprensa, dos dirigentes da Red Bull e até do próprio pai, Jos Verstappen, pelos erros que tem cometido este ano, em especial os da China, Max Verstappen também tem neste final de semana uma prova de fogo no desafiador circuito urbano de Baku.

 

SERGIO SETTE CÂMARA
Brasileiro mais próximo da Fórmula 1 neste momento, Sergio Sette Câmara chega a Baku cheio de confiança para a segunda etapa da F2 depois do bom começo de campeonato que teve no Bahrein onde obteve dois pódios nas duas corridas.

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