WANDEIR DUARTE

A quem perguntar

Archibaldo Ricci Ramos, em memória do amigo de uma vida inteira, Wandeir Silva Duarte

Por: Redação | Editoria: cultura | 03/05/2018 | Visualizações: 428

- Foto de Reprodução

Autodidata, comerciante e esportista de escol, inteligência privilegiada, humor fino, espírito inquieto (vinte viagens à Europa de 1970 a 2016), chefe de família exemplar, irmão, filho e pai amantíssimo. 
Tinha orgulho de falar de seus primeiros empregos: entregador de marmita no Hotel Central, para Dona Catarina e seu Geraldo Negrão, e no Cartório de Registro Civil, com meu tio, Benedito Moura.
Durante mais de cinquenta anos dificilmente deixávamos de nos encontrar todas as semanas e pelo telefone, quando acontecia o derby, Palmeira e Corinthians, trocávamos nossas impressos e reflexões, logo ao término do jogo. Quando eu dizia que Ademir da Guia foi melhor que Rivelino, seu grande ídolo ao lado de Claudio Cristóvão Pinho, e começava com algumas explicações, ele logo me cortava dizendo, o próprio Ademir já falou que Rivelino foi melhor que ele, e você continua com essa conversa.
Em 1977 quando o “Corin-gão” saiu da fila de 21 anos de espera (campeão paulista) vencendo a Ponte Preta por um a zero, gol de Basílio, encontrei Wandeir por volta da meia noite na Praça da Matriz com uma bandeira do alvinegro do Parque São Jorge, enrolada ao corpo, chorando como luma criança.
Apaixonado por poesia, lia e relia os grandes Ary de Lima e Fábio Mirhib, e guardava com carinho uma coletânea poética de Messias Grillo, com quem ele brincava sempre, chamando- o de “o inventor do amor”.
Chefe da Equipe Esportiva da ZYA 4 por longo tempo, foi o descobridor do hoje famoso locutor esportivo, Osvaldo Reis, o nosso Chiquinho Pequetito. Outros três programas de sucesso em nossa Difusora Paraisense nos anos 70, foram também de sua lavra: “A hora do amor”, “Anúncio impossível”, e “Cantinho da Saudade”.
Em sua primeira viagem à Europa, em 1970, visitou Chico Buarque que estava autoexilado em Roma, e sabedor que o amigo sempre fora um “chicolatra”, passou às minhas mãos, logo que chegou a Paraíso, um  long play “Roda Viva”, autografado a mim, por Chico Buarque. Guardo por quarenta e oito anos esta relíquia.
Certa feita, com o primo e amigo inseparável, Leonarte, foi ao Egito conhecer as pirâmides. Outra vez, direto do Vaticano falou para Paraíso e toda a região, juntamente com o radialista Giovani Zague que o acompanhava na viagem, pelas ondas de nossa Difu-sora.
Ficou amigo dos futebolistas Falcão e Toninho Cerezzo e frequentava suas casas, quando ambos jogavam na Itália. Possuiu por longo tempo um apartamento em Milão.
O grande Garrincha, quando esteve em Paraíso em 1978, foi recepcionado durante dois dias por nós, Monse-nhor Mancini e seu Ico Pedro-so, pai de Wandeir. Quando o Santos visitou nossa cidade, em 1969, vencendo nossa “Mais Querida” por quatro a zero, levamos o conterrâneo Lima, então lateral direito do Santos e da Seleção Brasileira, até a Igreja Matriz para tirar cópia de seu batistério, datado em 1942. Fomos acompanhados também pelo grande goleiro Gilmar dos Santos Neves, por Coutinho e Ramos Delgado.
Sempre íamos assistir futebol em Ribeirão Preto, Campinas, Araraquara, São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, bem como acompanhando nossa “Mais Querida” pelo interior mineiro, quando disputamos, por longo tempo, os campeonatos da segunda e primeira divisão.
Gostava de dizer que tinha grande simpatia pela Associação Atlética Paraisense, mas seu coração era operariano, e que Valtinho do Lilico, ex-centroavante do “Mais Simpático” foi o maior jogador paraisense que viu jogar.
Jogar uma inocente sinuca também fazia parte de nossa convivência, juntamente com o fantástico campeão eterno, Dino Brigagão.
Em seus mercados Mineirão e Donata, deu vários empregos e participou de movimentos filantrópicos. Católico praticante e grande amigo de Monsenhor Mancini e Monsenhor Hilário.
Faceta interessante de sua personalidade, era não gostar de política, diferente dos irmãos, Valdir do Marabá, e Vitor, ex-vereador), e de seu Ico, seu pai.
Tinha amigos em todas as classes sociais, porém os humildes eram seus preferidos. Soberba jamais fez parte de seu caráter. Foi afável no convívio pessoal. Firme e objetivo nos embates comerciais. Talvez aí, o sucesso de sua brilhante biografia.
Centenas de vezes fui instado a lhe perguntar a respeito de assuntos os mais variados, não só de futebol e rádio. Tinha sempre a resposta na ponta da língua. Daí a razão do título desses escritos: “A quem perguntar”.
Há dias estou tentando encontrar resposta. Ainda não encontrei. Convém continuar procurando.
Vá em paz, padrinho, compadre e amigo de uma vida inteira. Você viveu a vida com intensidade inigualável. Vamos nos lembrar sempre de você, com saudade, e sempre mirando em suas excelsas virtudes e exemplos.
Ao Marcinho, Donatinha e netinhas, o meu afeto e amor, bem como à Edna e todos os demais familiares.


NB
Nos últimos dias, meu obituário sentimental, na galeria de amigos de uma vida inteira, inscrevi também com emoção e saudade, o querido advogado Dr. Benedito das Neves, nosso Ditinho das Neves, também dono de biografia ímpar.

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