CRÔNICA DA CIDADE

O círculo

Por: Joel Cintra Borges | Editoria: cultura | 05/05/2018 | Visualizações: 2912

- Foto de Reprodução

Há algum tempo saiu um filme iraniano muito interessante, chamado O círculo, que trata de um dos aspectos mais tristes e chocantes do fundamentalismo islâmico: a opressão à mulher.
Na era em que vivemos, de computadores, celulares, calças jeans, sondas percorrendo os espaços siderais, biquínis minúsculos, é difícil imaginar uma moça forçada a usar o pesado xador, que é aquela vestimenta escura que a cobre da cabeça aos tornozelos, deixando descoberto apenas o rosto. Algumas ainda têm que usar um véu, mostrando só os olhos! 
Coisas simples, como fumar em público, tomar um ônibus sem uma companhia masculina, sendo punidas com a prisão. O homem, considerado tão superior, que a esposa que não gera filho do sexo masculino podendo ser repudiada.
Fundamentalismo é seguir qualquer religião de maneira rigorosa, inflexível, irracional. Não apenas a Islâmica, de Maomé. Pode ser a freira católica que se enclausura num convento, sem prestar qualquer serviço à comunidade, negando-se até a conversar. Bem diferente daquele anjo de bondade (e de inteligência!) que foi a Irmã Dulce, que saía de camionete à noite, pelas ruas de Salvador, procurando indigentes para dar-lhes abrigo.
Pode ser o evangélico que se agarra à Bíblia de maneira fanática, não conseguindo raciocinar fora de capítulo tal e versículo tal. Muito longe do pastor e organista alemão, Albert Schweitzer, que após ler uma reportagem sobre a fome, a miséria e as doenças na África, não apenas mudou-se para lá, mas teve o cuidado de formar-se em Medicina primeiro, para misturar-se àquela gente, como médico de seus corpos e de suas almas.
Ou o espírita distanciado do que foi verdadeiramente codificado por Kardec, enxergando karma e vontade dos espíritos superiores em tudo, incapaz de pensar por si mesmo e agir, procurar melhorar o mundo. Caindo e levantando, errando e acertando, pois para isso estamos aqui. Francisco Cândido Xavier não se limitou a psicografar mais de 450 livros, mas construiu, ou auxiliou na construção de mais de 2000 obras sociais, ajudando depois, na sua manutenção, com os direitos autorais de suas obras literárias.
Analisando a natureza humana, de uma forma geral (excetuando os poucos e belos exemplos que citamos) convencemo-nos de que, apesar de toda a parafernália mecânica e eletrônica de que nos rodeamos, na realidade continuamos bem próximos do troglodita. Apenas construímos uma caverna melhor.

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