ELE POR ELE

Sargento Guimarães: Um policial amigo da comunidade aquinense

Por: João Oliveira | Editoria: entretenimento | 06/05/2018 | Visualizações: 8333

Guimarães vive em São Tomás de Aquino, de onde é natural - Foto de Arquivo Pessoal

O sargento da Polícia Militar em São Tomás de Aquino, Elton Antônio Guimarães, é um aquinense querido pela população e conhecido por sua tranquilidade e gentileza no trato com a comunidade e também para com as pessoas que buscam sua ajuda. Essa característica, inerente a sua personalidade, ele atribui a boa criação que teve dos pais, o senhor Pedro Donizete Guimarães e senhora a Maria Aparecida Guimarães, e também à crença em Deus que carrega consigo. Guimarães tem outros dois irmãos, o Leandro e Flávia Guimarães, e é pai do jovem Pedro Augusto, de 15 anos – fruto do seu primeiro relacionamento. Aos 41 anos, casado com Flávia de Lima Sanches, além do desejo de ser pai novamente ele confidencia que sua vontade é fincar de vez as raízes em São Tomás, sua origem, onde quer se aposentar. Não diferente de como trata o cidadão aquinense, é muito receptivo que ele recebe a reportagem do Jornal do Sudoeste para falar um pouco da sua vida.


Jornal do Sudoeste: O que podemos dizer da sua infância até o surgimento da oportunidade para se tornar militar?
E.A.G.: Minha infância foi um pouco difícil, por ser uma cidade do interior e de família pobre. Toda a minha formação escolar foi aqui em São Tomás, até eu ser convidado, à época pelo tenente Luiz Corsi, para prestar a prova para ingressar na Polícia Militar. Recordo-me que não tinha muito interesse, trabalhava na padaria do José Carlos Tonin, e naquela idade eu não sabia bem o que eu queria da vida. Porém, na adolescência, tinha vontade de servir a Aeronáutica, e manda cartas para Pirassununga e recebia algumas correspondências de retorno, nada que tivesse dado certo... então, ser policial militar era algo que combinava com esse desejo e encarei o desafio. Isso já faz 18 anos, é algo que hoje eu amo muito fazer.


Jornal do Sudoeste: Como surgiu essa oportunidade?
E.A.G.: O tenente Luiz Corsi ia à padaria onde eu trabalhava, falou muito para que eu prestasse a prova, então decidi tentar. Paguei a inscrição e tive seis meses para me preparar. Consegui passar e, em 1999, inicie o Curso de Formação de Soldado, em Bom Despacho, onde estudei por cerca de um ano e seis meses. Depois de formado fui trabalhar em São Sebastião do Paraíso, onde atuei por sete anos e, depois, transferido para São Tomás e, para mim, isso foi ótimo. Boa parte do que sei hoje aprendi em Paraíso com a experiência de rua, mas foi aqui que aprendi tudo o que envolve a parte administrativa e questões mais amplas da PM. Recordo-me que havia aqui o sargento Vieira, que me ajudou muito nesse processo. Em São Tomás fui promovido a cabo, em 2009, e no último ano fiz o Curso de Formação em Lavras, onde me tornei sargento da PM.


Jornal do Sudoeste: Você escolheu ficar na sua terra natal. Não é difícil ser um militar sendo filho da terra, principalmente onde todo mundo se conhece?
E.A.G.: Eu nunca tive problemas. Na formação, devido a minha nota, tinha a possibilidade de escolher para onde eu queria ir. Pensei: se sou natural daqui, estudei aqui, toda a minha família mora aqui, se eu fosse para outro canto seria muito estranho. Eu queria voltar para São Tomás e assim o fiz. Fui bem vindo e, graças a Deus, tenho desempenhado meu trabalho de maneira muito tranquila. Quando retornei algumas pessoas me questionaram sobre isto, justamente por ser uma cidade pequena e todo mundo se conhecer. Eu falava que meus amigos não iriam me dar trabalho, e nunca deram. Nunca tive problema com ninguém da cidade, afinal, meu trabalho precisa ser feito. Um pouco disto veio do meu pai que nos ensinou a sempre andar corretamente, não envolver com pessoas erradas e agradeço muito essa formação que tive.


Jornal do Sudoeste: Essa serenidade, a quem você atribui?
E.A.G.: Aos meus pais. No que diz respeito à educação, eles sempre foram muito rígidos e não gostavam que saíssemos muito ou enturmássemos com pessoas estranhas; sempre que ele percebia que estávamos indo para um caminho não muito legal, puxava a nossa orelha. Ele sempre falava uma frase que carrego comigo até hoje: “Melhor andar sozinho, que mal acompanhado”. É algo que busco levar para meu filho e, sempre que tenho a oportunidade, para outras pessoas.


Jornal do Sudoeste: Como foi o início dessa carreira na PM?
E.A.G.: Foi muito difícil, principalmente deixar minha cidade para me tornar um policial. À época eu tinha 22 anos, nunca tinha saído de casa e era uma pessoa muito caseira, um pouco tímido até. Fui embora, não foi fácil ficar longe da família no início, mas a gente vai se adaptando, começa a fazer amizades que vão nos apoiando nos momentos difíceis. Deixar de ser civil e me tornar militar, também foi um processo um pouco difícil, eu era muito novo na época, mas foi tudo muito bom, aprendi muito e agradeço tudo o que eu tenho e consegui por meio do meu trabalho na Polícia Militar.


Jornal do Sudoeste: Como foi o período que ficou em Paraíso? O contraste entre as duas cidades é muito evidente?
E.A.G.: Em São Sebastião do Paraíso foi uma fase muito boa. Tive a oportunidade de aprender muito. Por Paraíso ser uma cidade maior, consequentemente o número de ocorrências é maior e mais diversificado, o número de militares também é maior e, consequentemente, o convívio, e você aprende muito com a experiência dos militares com mais tempo de carreira. Porém, em relação ao trabalho, as ocorrências são praticamente as mesmas, mas devido ao tamanho de São Tomás, os casos são menores em comparação a Paraíso. Aqui é muito tranquilo e a população nos ajuda muito por meio de denúncias, o que nos permite oferecer um trabalho de excelência no município. A população confia muito no nosso trabalho e se ela se afasta, fica difícil desempenhar nossos trabalhos porque nós precisamos da informação.


Jornal do Sudoeste: O que te motiva a continuar?
E.A.G.: Eu passei a gostar de ser policial, principalmente por estar ajudando a população e aqui acabamos sendo um solucionador de problemas, porque as pessoas nos procuram por causa de alguma situação e acabamos nos tornando amigos. Às vezes esses problemas nem são casos de polícia, mas nós orientamos, conversamos e isso acaba ajudando àquele cidadão, é muito gratificante. Quando eu tinha 16 anos, por ser de uma família católica e também por frequentar muito a Igreja, tive a vontade de ser padre. Recordo-me de uma vez que fui a Guaxupé em um encontro de jovens, e achei tudo aquilo maravilhoso, queria aquilo para a minha vida. Pensei muito, e meu pai disse para eu pensar melhor sobre essa decisão, e um dia, quando fui a Igreja rezar, naquelas conversas que temos com Jesus no momento da oração eu disse a ele que gostava muito daquilo, mas que não seria este meu dom: ser padre. Pedi a Deus que me desse uma profissão que tivesse a ver com o ser padre, onde eu pudesse ajudar as pessoas, assim como um padre o faz, mas trabalhar e ter uma família. Passado um tempo apareceu o tenente Corsi e tudo foi acontecendo. Hoje, olhando para trás e vejo que teve um dedinho de Deus nisto tudo.


Jornal do Sudoeste: Você já pensou em desistir?
E.A.G.: Sim. Há mais ou menos três anos, bandidos explodiram alguns terminais eletrônicos de bancos daqui de São Tomás de Aquino e chegaram a atacar o quartel da PM, efetuando vários disparos. Passado este episódio pensei que não seria bem o que eu queria, mas à época o sargento Vieira e a sargento Érica sentaram comigo, conversamos e vi que era só uma fase, que foi superada. Nós temos aquela frase “nossa profissão, sua vida”, estamos aí para bem servir e proteger a comunidade e isto é muito gratificante, quando você pega uma ocorrência e consegue solucionar.


Jornal do Sudoeste: Você também gosta se envolver com projetos educativos?
E.A.G.: Sim. Eu sou evangélico e sempre gostei deste contato com a criança, de poder transmitir conhecimento, ir às escolas para fazer palestra e contribuir de alguma forma na formação daquela criança. Há algum tempo tivemos aqui um projeto que era realizado junto a Igreja Presbiteriana de Paraíso, que vinha até São Tomás para isto. Era uma média de 30 crianças das mais diferentes religiões, onde contávamos histórias da bíblia e passávamos a tarde realizando várias atividades, durou cerca de três anos. Era um projeto que não tinha um nome, chamávamos de “Escolhinha da tia Bete”, que vinha para desenvolver esse projeto junto com a gente. Ela é uma pessoa muito especial para mim e minha família.


Jornal do Sudoeste: É importante o papel da família para o combate a criminalidade?
E.A.G.: Muito. A família é muito importante na formação da criança e falamos muito da sua importância no projeto que hoje temos no município, o Cidadão Mirim, e que tem o apoio da Polícia Militar. A família faz falta para essas crianças que acabam ficando sem aquele espelho que é o pai ou a mãe e eu primo muito pela família, ela deve estar em primeiro lugar. Apesar do meu primeiro relacionamento não ter dado certo, nunca deixei de dar o suporte necessário ao meu filho e ensinar o valor que é a família. Ele agora está morando em Muzambinho, onde atualmente estuda, e sempre digo para ele “pense na sua família antes de tomar qualquer decisão, sempre fale não para as drogas ou qualquer coisa errada porque sempre haverá pessoas para te oferecer o que não presta, você ainda é muito jovem”. É algo que tem dado resultado.


Jornal do Sudoeste: Como funciona o Cidadão Mirim?
E.A.G.: O projeto foi criado pelo tenente Luiz Corsi, que trabalha com crianças de até 12 anos de idade, fase que estão entrando na adolescência. Levamos para eles o significado da cidadania, para tornar essa criança um verdadeiro cidadão. Ensinamos sobre as responsabilidades no trânsito, falamos sobre a questão das drogas, problemas cotidianos, família, regras, enfim, de tudo um pouco que ajude a esse jovem a viver em sociedade. Também trabalhamos a questão do Hino Nacional, mostramos a importância do Estado e como ele funciona, e também o município.


Jornal do Sudoeste: É bem amplo...
E.A.G.: Sim, é um projeto muito bacana. Os alunos recebem uma bolsa para participar no valor de R$ 70; desse valor R$ 35 é depositado em uma poupança no nome dela e o restante a criança recebe no final do mês, porém, somente se a criança for à aula e respeitar todas as regras, do contrário ela recebe uma “multa” e é descontado um valor que acaba sendo revertido para os próprios alunos, em forma de festa ou alguma celebração. É muito legal porque ensina à criança a importância de ser responsável. O mais bonito nisto tudo é que as crianças acabam se tornando nossas amigas, batem continência quando nos encontram na rua ou quando vamos a porta da escola. É muito gratificante. Esse já é o segundo projeto que realizamos neste sentido. No primeiro todos os meninos foram bem encaminhados, já estão na faculdade, estudando e trabalhando.


Jornal do Sudoeste: Você tem uma fé muito bonita. Qual a importância disto na vida de uma pessoa?
E.A.G.: Minha avó materna, a dona Valda, falava que temos que ter o temor de Deus, se nós perdemos isso ficamos nas mãos do mundo e, ao passo que quando você acredita em um poder maior você para e pensa sobre o que é certo e o que é errado, esse temor sempre irá te encaminhar para tomar as decisões certas. É um ensinamento que eu sempre carrego comigo. Ainda me recordo de quando ela sentava conosco e, mesmo sem ler muito bem, contava-nos  todas aquelas histórias e ensinamentos da bíblia.  Minha avó foi muito especial para mim.


Jornal do Sudoeste: Qual o balanço que você faz desse 41 anos e os seus planos para futuro?
E.A.G.: Nesses 41 anos Deus tem sido muito bom para mim e sinto que Ele tem caminhado ao meu lado ao longo de todos esses anos, sem me abandonar. Quando a situação complica eu olho para trás e vejo Jesus me carregando no colo. Pela minha fé, sinto que Deus está me abençoando em todos os momentos da minha vida e isso é muito gratificante e é o que vale a pena nesses 41 anos. Sobre planos, pretendo continuar em São Tomás de Aquino, fixar minhas raízes aqui, ser pai novamente com minha esposa atual e continuar servindo a minha cidade. Ainda tenho 12 anos pela frente e quero continuar tanto com o meu trabalho quanto com o projeto Cidadão Mirim, mas tenho outros projetos em mente.

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