LIBERTAS

Professora da Libertas participa do VIII Fórum Nacional de Políticas de Saúde em Oncologia em São Paulo

Por: João Oliveira | Editoria: educacao | 09/05/2018 | Visualizações: 7156

Denize Almeida, além de coordenadora do curso de Enfermagem da Libertas, também presta apoio a Acca como voluntária há mais de 14 anos - Foto de Reprodução

A coordenadora do curso de Enfermagem da Libertas Faculdades Integradas, Denize Alves de Almeida, participou recentemente do VIII Fórum Nacional de Políticas de Saúde em Oncologia, em São Paulo. O fórum teve como objetivo debater os principais problemas enfrentados pelos pacientes oncológicos que dependem do SUS. 
A situação, conforme relata Denize, é preocupante e dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelaram que até 2025 o câncer irá matar mais do que as doenças cardio-vasculares. Em São Sebastião do Paraíso, segundo avalia a mestre em enfermagem, os dados seguem projeção nacional de aumento do índice da doença e o único caminho para combater esses números é trabalhar a prevenção e o diagnóstico precoce. 
"São dados preocupantes. Nós trabalhamos com informações fornecidas pelo Instituto Nacional de Câncer, mas a sensação que temos é que esses números estão muito além. Um fator que preocupa bastante é o Sistema Público de Saúde para os pacientes oncológicos, que não funciona em várias regiões do país, o que não é o nosso caso porque nossos pacientes são muito bem atendidos pelo Hospital do Câncer de Passos. Já em relação aos nossos índices de incidência desta doença estão proporcionais ao restante do Brasil", ressalta.
Segundo avalia Denize, hoje é preciso que o médico e o profissional da saúde tenham um olhar oncológico para o paciente, a fim de que se faça diagnóstico precoce para garantir sobrevida maior e qualidade de vida a esses pacientes. "O câncer é uma doença que não tem preconceito e pode afetar qualquer pessoa. Um dos maiores problemas que enfrentamos atualmente é a detecção tardia da doença - quando ela chega a ser diagnosticada a sobrevida do paciente tende a ser mais curta, dependendo do estadiamento e da agressividade do tumor".
De acordo com dados do INCA, a previsão é que até o final de 2018 seja registrado cerca de 600 mil novos casos de câncer no país. Para contornar essa realidade, conforme discutido no Fórum Nacional de Políticas de Saúde em Oncologia, a prevenção primária associada à prevenção secundária do câncer poderia reduzir em até 30%  as mortes pela doença.
 "O que nós, enquanto ONGs (ACCa) e serviços de saúde podemos fazer é trabalhar em duas frentes para tentar amenizar o quadro e controlar esses índices. A primeira é a prevenção primária ao incentivar as pessoas a terem um estilo de vida mais adequado, por meio de uma alimentação saudável, praticando atividade física, evitando uso de álcool e cigarro, além de conscientizar as pessoas para a realização de exames periódicos. A segunda é a prevenção secundária, através da qual devem ser realizados exames para o rastreamento dos cânceres de maior incidência, como pele não melanoma, próstata, mama, intestino e colo de útero. É importante que durante as consultas o profissional de saúde tenha um olhar oncológico sobre o paciente", ressalta.


CÂNCER DE MAMA
Denize relata também que outra preocupação bastante séria é em relação ao câncer de mama, que têm aumentado sua incidência, não apenas no município, mas a nível nacional. "Serão quase 60 mil novos casos este ano. O problema dessa doença é que  está sendo detectada tardiamente e, além disso, o Ministério da Saúde só libera a mamografia para rastreamento em mulheres a partir dos 50 anos e sabemos que a incidência tem aumentado na faixa etária de 40 a 50, deixando uma lacuna inexplicável", questiona.
Ainda, conforme explica a enfermeira, filhas de mulheres que tiveram o câncer de mama devem fazer a mamografia a partir dos 35 anos. Outro fator importante para que haja o diagnóstico precoce da doença é o exame clínico das mamas. "Isso significa que o exame deve ser realizado por um profissional da saúde (médico ou enfermeiro), que esteja capacitado para fazer a inspeção e palpação da mama a fim de identificar a presença de nódulos, cujo procedimento é mais importante do que o autoexame, que antigamente era muito divulgado", conta.
Porém, apesar de ter diminuído o preconceito de se falar da doença e em relação a buscar um profissional, Denize conta que essa ainda é uma realidade presente na nossa sociedade. "Na nossa região nós não temos problemas sérios de acesso ao serviço de saúde, mas uma grande parcela da população feminina ainda tem medo de fazer o exame, tem vergonha, muitas vezes fazem o exame e não buscam o resultado", destaca. Em sua visão, Denize comenta que a única forma de reverter essa situação é falar da doença e, apesar de hoje haver maior consciência, as pessoas ainda relutam em falar a palavra "câncer" por causa do medo.
Para Denize, trabalhar a conscientização e a prevenção da doença é o caminho para  combater os altos índices de mortalidade por câncer. "Se você tiver um estilo de vida saudável, buscar fazer atividades físicas e buscar uma vida menos estressante, irá prevenir uma série de doenças, inclusive o câncer, que é um problema de saúde pública e, hoje, os hospitais não estão dando conta do número de pacientes que têm para atender. Em abril, por exemplo, na ACCa recebemos 11 novos cadastros de pacientes oncológicos e para uma cidade como Paraíso, o número é muito expressivo", acrescenta.
A profissional reitera que para amenizar a situação as ONGs em conjunto com os serviços de saúde têm que buscar trabalhar em duas frentes, a primeira, conforme já citado, priorizando a conscientização da mudança do estilo de vida para um estilo mais saudável e a segunda realizando exames preventivos associados a um olhar oncológico do profissional da saúde para detecção precoce da doença. "Ainda não há estudos nesse sentido, mas do ponto de vista observacional e de dados registrados, aqueles que trabalham com os pacientes oncológicos percebem o aumento da incidência do câncer de mama em mulheres de 30 a 40 anos, e por não termos estudos científicos a respeito, é difícil entender as suas causas para enfrentar o problema", destaca.
"Nós estamos com uma bomba na mão e ela não é do Hospital do Câncer, da ACCa ou do município, ela é de todo mundo, porque o câncer não tem preconceito e pode atingir qualquer pessoa, não importa a classe social, não importa idade, gênero ou etnia. A notícia boa é que os estudos têm demonstrado que o caminho para tentar melhorar esse quadro é através da imunoterapia, ou seja, melhorar o estado de saúde do paciente oncológico melhorando seu sistema imunológico, de forma que o próprio organismo tenha capacidade de combater as células malignas. A notícia ruim é que esse tratamento não está disponível a toda população", completa.


OUTROS DADOS APRESENTADOS NO FÓRUM
- Apesar da vacina HPV estar tendo uma  baixa adesão pela população, ela é essencial para eliminar o câncer de colo de útero;
- A colonoscopia realizada a partir dos 50 anos de idade associada à pesquisa de sangue oculto nas fezes reduz em 60% a mortalidade por câncer colorretal (intestino);
- O Brasil tem uma deficiência de 30 a 40% de equipamentos para realizar tratamento radioterápico em pacientes oncológicos. 

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