PREOCUPANTE

Precisamos falar sobre suicídio: casos no município preocupam e paraisenses discutem a situação

Por: João Oliveira | Editoria: saude | 13/05/2018 | Visualizações: 5643

Os últimos cinco anos, entre suicídios tentados e consumados, os números chegam a 457 casos - Foto de Reprodução

O jornalismo tem por ética não noticiar casos de mortes que tenham acontecido por decorrência de ato suicida. Isto porque durante muito tempo acreditou-se que não abordar o assunto, ainda um tabu muito forte na sociedade, evitaria que novos casos pudessem se repetir ou até mesmo, se falado, instigar pessoas a buscarem esta atitude estrema para a solução de algum problema. Porém, os números mostram justamente o contrário e é imprescindível que as políticas públicas se voltem para a questão e passem a abordar o tema com maior amplitude, o que já está acontecendo, mesmo que timidamente.
Conforme aponta a médica psiquiatra Mildred Preto Gomes Zanin, o suicídio é uma causa de morte muito grave que acometem cerca de 10 mil pessoas por ano no Brasil e 1 milhão de pessoas no mundo. Quando trazemos a situação para o município, é ainda mais preocupante, tendo em vista que, segundo dados divulgados pela Delegacia de Divisão de Homicídios e Proteção a Vida, nos últimos cinco anos, entre suicídios tentados e consumados, os números chegam a 457 casos.
“Dizer que discutir sobre suicídio pode induzir outras pessoas a cometerem o suicídio é um mito. Hoje em dia, mais do que nunca, as pessoas que sofrem de alguma doença mental e expressam a vontade de tolher a própria vida, cometer algum ato impulsivo que expressa isto, não deve ser um tabu, precisamos falar sobre, como já tem acontecido. Hoje, por exemplo, já temos o setembro amarelo, já há um diálogo maior e isso faz com que as pessoas que têm aquele sofrimento interno, aquela vergonha de falar, possa a vir se expressar para alguém que ela confie, isso já representa um alívio, mas não é a única coisa que faz com que se evite o suicídio”, destaca a especialista.
De acordo com a médica, o suicídio é um tipo de morte muito recorrente e existem vários fatores que podem culminar com esse ato, entre eles doenças psiquiátricas como depressão, transtorno bipolar, transtorno de personalidade, abuso e dependência de álcool ou drogas, esquizofrenia entre outros que possam vir a potencializar esse risco da pessoa cometer o ato. “Há outras causas clínicas, também, e há estudos que atestam isto. São fatores que podem contribui para um aumento do risco do suicídio, entre eles o câncer, HIV, esclerose múltiplas e doenças reumatoides como Lupus e epilepsia”, relata.
A psicanalista concorda que a incidência em Paraíso é muito expressiva e tem que ser falado sobre o assunto. “Às vezes as notificações ficam aquém da realidade porque ainda existe o tabu, as pessoas evitam falar que o familiar morreu por suicídio. Cada morte por suicídio atinge no mínimo sete pessoas a sua volta e, outro dado interessante, é que pessoas ligadas a alguém que cometeu o suicídio têm quatro vezes mais chances de também cometer a mesma ação, é um fator de risco”, avalia.


SILÊNCIO
Conforme diz Midred, a partir do momento que o indivíduo expressa o desejo de tirar a própria vida, esta informação não pode ser banalizada. “É preciso verificar se existe um transtorno mental envolvido desde depressão ao abuso no uso de álcool e drogas. A pessoa expressando, tem que prestar atenção, verificar os fatores de risco e o grau de estresse que ela está vivenciando, a sua faixa etária, a empregabilidade, a estrutura marital que ela está tendo naquele momento, isso porque tudo pode contribuir”, acrescenta.
A médica aponta ainda que dentro de um estudo epidemiológico os homens, por exemplo, têm três vezes mais chances de cometer suicídio que mulheres; em contrapartida, a tentativa de suicídio entre as mulheres é maior. “Familiares com tentativas de suicídios, com transtornos mentais graves, abuso sexual e físico na infância, negligência, tudo isso são históricos que podem pré-dispor um pessoa que sofre de algum transtorno emocional a tirar sua vida. A primeira coisa é tratar a pessoa e ouvir o que ela tem a dizer, não precisa ter medo de falar sobre o assunto de forma alguma, muito pelo contrário. Se em casa ou com os amigos ela pode se expressar, já é um bom começo, e se os familiares perceberem que existe algum fator de risco é importante buscar ajuda profissional”, orienta a psiquiatra.

OS JOVENS
Quando falamos de casos envolvendo crianças e adolescentes, os números também são assustadores. “Entre adolescentes e crianças tem aumentado de 1980 a 2014 em 27,2% os casos de suicídio. Existe muito tabu no sentido de dizer que a pessoa é fraca ou que não deu conta de lidar com os problemas, não é bem por aí. Ou também de que a pessoa cometeu o suicídio porque quis, que foi uma escolha ou que ela tem o livre arbítrio, não é assim que devemos encarar. Se há um transtorno mental, o indivíduo está desestabilizado emocionalmente, isso é questionado, há uma alteração das percepções da realidade, da capacidade de sentir prazer ou esperança, tirar a própria vida não é uma decisão e pronto. Inclusive, o uso de bebidas e drogas tiram essa capacidade de pensar e deixa a pessoa mais impulsiva”, alerta Mildred. 
Para a médica as doenças mentais tem também que ser tratadas como prioridade, já que o suicídio, conforme avalia, é um sintoma grave destes problemas. “A psiquiatria é tão importante quanto qualquer outra especialidade e as doenças mentais são doenças tão graves quanto qualquer outra e podem ser fatais também. Para quem vivencia a depressão, por exemplo, ouvir que isso não tem nada demais, eu imagino que deva ser uma dor muito grande, porque a depressão é uma doença e tem sintomas que causam muito sofrimento à pessoa e que muda todo o seu comportamento em relação à vida. Enfim, o suicídio é um tabu que tem que ser falado e se a pessoa verbalizar o desejo da morte, tem que ser investigado se há algum motivo para que ela expresse essa angustia muito grande”, completa a médica.


DELEGACIA DE PROTEÇÃO À VIDA
O responsável pela Delegacia de Divisão de Homicídios e Proteção à Vida, Vinicíus Zamó, conta que em um único final de semana, em São Sebastião do Paraíso, deparou-se com seis casos tentados de suicídio. Entre esses casos, dois tinham vínculos com outros crimes e os demais, segundo relatou, relacionado decepção amorosa ou descoberta de uma nova doença. “Em Paraíso os índices são bem altos. De 8 de maio de 2012 a 8 de maio de 2018, entre tentados e consumados, foram 457 casos”, ressalta. Entre um desses casos, ele menciona o caso de um pai que perdeu o filho e teria tentado tirar a vida mais de uma vez.
“Quem já tentou cometer o suicídio uma vez, as chances de consumar a ação é muito grande. Não temos como mensurar a situação de Paraíso em relação a outros municípios, mas são expressivos os casos, tanto que em um único final de semana eu me deparei com situações onde duas pessoas conseguiram consumar o suicídio e o que percebemos, hoje, é que as pessoas não dão o valor necessário à própria vida e o maior desafio é saber como podemos interferir para lidar com a situação”, acrescenta o delegado.
Conforme o delegado, uma pesquisa recente apontou que tratar sobre a questão do suicídio por meio de novelas ou livros, não é uma causa instiga-tória a ação. No último ano, por exemplo, uma série do canal de streaming Netflix, “Os 13 Porquês”, fez com que o assunto fosse amplamente debatido e, principalmente, a importância do envolvimento da escola nas questões que envolvem o jovem e o bulling. Na trama, a protagonista comete suicídio após sofrer uma série de agressões físicas e psicológicas por colegas de escola.
“Falar do assunto de forma genérica, analisar o fato e tentar buscar soluções não é instigar uma pessoa a cometer esta ação, pelo contrário, a instigação parte do caráter individual e, além disto, quem tem essa inclinação, irá cometer o suicídio independentemente se falado ou não. É uma situação que tem que ser abordada. Acredito que temos que discutir mais, que a pessoa tem que valorizar um pouco mais a vida”, avalia.
Ainda, conforme Zamó, esta é uma situação que não escolhe classe social e independente de situação financeira. “O dinheiro não influencia em nada, ele traz a alegria, que é um estado latente e volátil, já a felicidade vai muito além disso. O dinheiro pode te deixar alegre um momento, mas é muito rápido, diferente de um estado emocional como a felicidade, que não tem vínculo, é um estado de espírito, muito difícil de conseguir porque todos os dias acordamos com problemas, porém ser feliz é um paradigma que temos que busca todos os dias”,  completa.


POLÍTICAS PÚBLICAS
Para o vereador e presidente da Câmara Municipal, Marcelo de Morais, o maior  desafio é fazer com que a Câmara chegue até ao cidadão. “Abrir espaço de debate em relação ao tema é importante e, se você conseguir fomentar o tema, trazendo leis que contemplam o direito do cidadão à informação, se em 10 anos conseguimos mudar uma cabeça já é um ganho muito grande. De repente, há muitas pessoas que só querem ser ouvidas e em sua grande maioria esse “ouvir” não está acessível. Temos tentando fomentar o debate, não apenas em relação a esse tema, mas em outros, porém, sentimos que não há um interesse por parte da população”, avalia Morais. 
Segundo Marcelo, hoje a sociedade está muito fechada e a criança está muito presa em tecnologias, não tem ido para a natureza, se machucado e sofrido dor física. “A única dor que o jovem tem sentido atualmente é a dor psicológica e essa é muito perigosa, é preciso ter muito cuidado porque é uma dor que pode, sim, tirar uma vida. Durante a minha carreira, deparei-me com três casos, dois em Hortolândia, que eram envolvimento de jovens com drogas e que quase chegaram ao ápice de cometer o suicídio porque deviam para traficante. Um desses casos eu tinha uma amizade muito próxima com o aluno, conseguia perceber que tinha um problema psicológico envolvido, mas foi um amigo professor que conseguiu apontar isso com mais clareza. Até então, eu não acreditava que esse aluno pudesse chegar a tentar um suicídio, mas foi feito um trabalho e conseguimos reverter a situação”, conta o professor.
Marcelo também cita um caso de Paraíso, envolvendo uma aluna que engravidou e não estava sabendo lidar com a situação. “Ela queria se matar e deu muito trabalho. Fizemos uma abordagem junto aos amigos para que eles dessem força a esta menina naquele momento, e que sempre ficassem em alerta. São pessoas que apresentam já um histórico de problemas psicológicos e isso faz com que elas cheguem a esse extremo”.


PROJETO DE LEI
Conforme Marcelo, a Câmara tem vislumbrado a ideia de criar um projeto de lei no qual garanta aos professores maior capaci-tação para identificar esses alunos que apresentam algum tipo de problema e podem vir a cometer o suicídio. “Nós ouvimos e vemos muita coisa, mas muitas delas você não acredita que possa ser um passo para o suicídio. De repente, uma capacitação e uma condução mais detalhada e próxima da realidade daquele aluno possa vir o ajudar a mudar aquela ideia que ele possa a vir a ter”, completa o professor.


O PAPEL DA ESCOLA
A educadora Marília de Souza Neves comenta que, para ela, este e quaisquer outros temas devem ser discutidos na esfera educativa. “Desde que haja maturidade emocional, conhecimento e o diálogo ocorra de modo respeitoso, respaldado em fatos, evidências e comprovações científicas, não há problema algum. Não podemos é fingir que esse assunto não faz parte do nosso dia a dia. No entanto, em relação aos jovens, considero oportuno discorrer sobre a valorização da vida, focar o lado bom da nossa existência e de que forma podemos aproveitar essa dádiva que nos foi concedida”.
Recentemente a professora esteve à frente de um eixo de discussão promovido todos os anos pelo Encontro de Mocidades Espíritas, onde o tema “valorização a vida” foi debatido. “Por meio de bate-papo, oficinas e dinâmicas, os jovens puderam refletir sobre a vida, bem precioso que Deus nos concede. Chegamos a um consenso de que viver vale a pena, mesmo diante dos desafios que temos de superar. Nascemos com um propósito e precisamos concretizá-lo. Vimos que há meios para a canalização das nossas energias: a arte, o esporte, os trabalhos voluntários, a religião vivenciada, o estudo, o trabalho. Discutimos, também, sobre a morte como sinônimo do fim da nossa alegria, esperança, motivação, como porta aberta à melancolia, à depressão e, tantas vezes, ao suicídio”, destaca.
Conforme ressalta Neves, “quando a dor invadir o nosso coração, busquemos ajuda: de familiares, amigos, colegas, professores, psicólogos, casas religiosas. Somos todos filhos do mesmo Pai e estamos aqui na Terra para progredir. É fundamental que as religiões promovam espaços para tratar desse tema,  a fim de olhar, carinhosamente, para as nossas crianças e jovens, afinal, o que lhes ofertamos hoje refletirá em suas ações e decisões no futuro. Se queremos uma sociedade com vida, matemos a preguiça, o comodismo, o senso comum, a negligência, o autoritarismo, a opressão. Cuidemos de nossa vida interior, para termos condições de espalhar vida ao nosso redor”, acrescenta.


PAPEL DO PROFESSOR
Marília acredita que o professor possa contribuir, sobremaneira, para o desenvolvimento do educando, o qual passa muitas horas na escola e, nesse lugar, tem a oportunidade não apenas de adquirir conhecimentos, mas de trocar experiências, relatar vivências, compartilhar angústias, expor pontos de vista, falar do que sente. “É necessário que todos aqueles que direta ou indiretamente trabalham com os jovens saibam conversar com eles, tenham a capacidade de escutá-los atentamente, ofertando-lhes segurança emocional. Mais do que debater qualquer tema na sala de aula ou no âmbito escolar, é importante oferecer condições de as crianças e os jovens ecoarem a sua voz, emitirem suas visões de mundo, pedirem ajuda. Necessitamos falar mais de vida do que de morte, agir com mais vida, com mais entusiasmo, fazer da escola um reduto que inspire motivação, que revigore energias, que seja o lócus da troca, da construção do conhecimento”.
Ela comenta que já teve alunos cujos familiares haviam se suicidado. “Confesso que faltam palavras para consolar nossos discentes. Porém, sempre costumo ouvir primeiro e, depois, falar. Minhas palavras não são de julgamento, tampouco almejam impor uma verdade absoluta. Demonstrar que nossos alunos são amados, respeitados e que nos preocupamos com a saúde física e emocional deles também ajuda. É salutar que nossos jovens nos vejam como pessoas comuns, que tenham confiança e liberdade em nos contar suas aflições, que saibam que os conteúdos curriculares essenciais são aqueles possíveis de serem aplicados à vida. Como educadores, temos o compromisso com o bem-estar dos nossos alunos, propiciando-lhes condições diversas de desenvolverem suas potencialidades”, avalia.


O QUE FAZER?
Para a professora, primeiramente, cabe à família dar mais atenção aos filhos, destinar um tempo real para ouvi-los, para ampará-los emocionalmente. Segundo destaca, aos pais ou responsáveis cabe à incumbência de educar os filhos confiados à sua tutela. “Isso pressupõe amor, carinho, limite, fala, escuta, negociação constante por meio do diálogo franco. Quanto à escola, penso que toda a equipe precise estudar com propriedade os fatores que envolvem esse drama atual, aperfeiçoar-se, realizar reuniões e oficinas para tratar desse tema, fazer parceria com as áreas da saúde e da assistência social (o que já acontece em algumas instituições), a fim de se fortalecer essa rede de apoio ao bem-estar coletivo”, avalia.
Ainda, para a professora, é preciso que os profissionais da educação também recebam cuidados psicoemocionais, seja por meio de palestras elucidativas e motivacionais, orientações adequadas, atendimento individualizado, entre outros. “Não é possível ajudar o jovem se o profissional estiver doente, em desequilíbrio. Se queremos vida, precisamos viver melhor; nosso melhor discurso é nossa prática, nosso exemplo. Um professor competente, otimista, entusiasta, dinâmico, contagia uma sala de aula, faz a diferença na vida dos alunos”, completa.


Em cinco anos, Paraíso já registrou 457 casos entre tentados e consumados
Um estudo de campo realizado por alunos do curso de enfermagem da Libertas Faculdades Integradas sobre os índices de suicídio em São Sebastião do Paraíso, apontou crescimento preocupante, casos entre os anos de 2016 e 2017. A pesquisa, que está sendo finalizada, faz parte do trabalho de conclusão de curso da aluna Júlia Colombaroli, sob a orientação da professora doutora Walisete Godinho de Almeida e pelo estatístico José de Paula da Silva.
O objetivo do estudo consiste em  caracterizar as tentativas de suicídio ocorridas  no período de janeiro de 2011 a  dezembro de 2017, registrados na 4ª Delegacia Regional de Polícia Civil do município. O estudo, conforme ressaltou a coordenadora do curso, Denize Almeida, foi aprovado pelo comitê de ética em pesquisa e seguiu metodologia científica adequada. Segundo informou, grande parte dos dados ainda estão sendo analisados e posteriormente serão divulgados na íntegra.


OS NÚMEROS
Conforme os dados apresentados houve no município em 2016, seis casos de suicídio consumados contra 15 em 2017. Os dados apontam um crescimento de 150% dos casos. Já em relação às tentativas, em 2016 foram registros 44 contra 54 em 2017.
Entre os casos consumados em 2016, os dados apontam que quatro foram envolvendo mulheres e dois envolvendo homens. Entre esses números, um caso foi com individuo com faixa etária entre 20 a 29 anos; um com idade entre 30 a 39 anos; um com idade entre 40 a 49 anos; dois casos com idades entre 50 a 59 anos e, por fim, um caso com uma pessoa acima de 60 anos.
Já em 2017, quando foram registrados 15 casos consumados, destes, três envolveram mulheres e 12, homens. Os dados apontam que a maior incidência de casos está na faixa etária entre 30 e 38 anos, quando os índices chegaram a 54% dos casos registrados. Em relação a 2016, a pesquisa apontou um aumento de 150% dos casos de suicídio consumado em São Sebastião do Paraíso.
Porém, quando falamos nas tentativas, os números também assustam, principalmente pelo público atingido, sua maioria entre pessoas com idade entre 10 e 29 anos. Os dados confirmam a firmação da médica psiquiátrica, Mildred Zanin, de que as tentativas entre mulheres é maior, em contrapartida o suicídio consumado é mais elevado entre os homens.
Conforme apontou o levantamento, em 2016, dos 44 casos, 28 foram entre mulheres e 16 entre homens. A estatística apontou que, naquele ano, a maior incidência foi entre os jovens de 10 a 19 anos, quando foram registrados 11 casos, seguidos da faixa etária de 20 a 29 anos, com o registro de 10 casos; 30 a 39 anos, com nove casos; 50 a 59 anos, com seis casos; 40 a 49 anos, com quatro casos e três casos com pessoas acima de 60 anos.
Já em 2017, houve 40 casos de tentativa de suicídio entre mulheres e 17 entre homens. Destes, a maior incidência foi entre pessoas com idades entre 20 a 29 anos: 17 tentativas; seguidas de 12 para pessoas com idades entre 30 a 39 anos; 10, de 10 a 19 anos; nove, de 40 a 49 anos; cinco casos entre pessoa acima de 60 anos e quatro para pessoas com idades entre 50 a 59 anos.


O QUE DIZ A SAÚDE MUNICIPAL
Os dados apontados pela Secretaria Municipal de Saúde mostram uma redução nos casos entre 2016 e 2017, porém o levantamento feito pela Secretaria é de até julho do último ano. Mesmo assim, o secretário responsável pela pasta, Wandilson Bícego, destaca que há preocupação do município em relação à questão e que tem sido feito um amplo trabalho juntos aos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) para combater esses índices e reduzi-los na medida do possível.
“Estamos fazendo o matriciamento nas unidades de Saúde da Família, isso porque uma das maiores doenças que se fala no Brasil hoje em dia é a depressão e estamos treinando as equipes de agentes de Saúde da Família para fazer o acompanhamento da população de modo que possam identificar as pessoas que tenham algum tipo de transtorno e levar esses casos para a USF e, por sua vez, ao Caps, que faz o estudo de cada caso”, explica.
“Existe uma preocupação, sim, do município. Para ser feito um trabalho de prevenção, nós precisamos trabalhar com indicadores para atacar o problema.  Trabalhamos na base, por isso a importância da coleta deste dados e Paraíso é um dos primeiros municípios que está fazendo o matriciamento da saúde mental. É preocupante, temos a consciência dos números e através deles que realizamos as ações”, destaca.
Conforme Bícego, a tendência é que haja redução desses casos. “Saímos de números muito elevados para uma decrescente. Por isto o assunto tem, sim, que ser debatido. No último ano promovemos um seminário, e temos feito grupos de trabalhos da Atenção Básica, bem como capacitação desses profissionais para que essas discussões possam ser levadas às famílias e não possam vir a acontecer; não podemos trabalhar apenas a pessoa que tentou o suicídio, mas toda a família”, completa o secretário.

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