SAÚDE ANIMAL

‘QUANTO’ VALE ou ‘COMO’ VALE?

Por: Rogério Calçado Martins | Editoria: saude | 16/05/2018 | Visualizações: 1261

- Foto de Reprodução

Olá, leitor!
Quanto vale a vida de um animal? Somaremos os valores gastos com alimentação, vacinações e medicações? Adicionaremos os ‘objetos destruídos’ em casa, como chinelos, meias, reboco de parede, fios e diversos outros espalhados pela casa? Ainda poderemos acrescentar todos aqueles pedaços de carne, já prontos para ir à churrasqueira, mas que o cão, ou o gato, meticulosamente ‘surrupiou’ em cima da pia e por diversas ocasiões.
Quanto vale as horas perdidas de sono quando ele/ela ficam doentes, vomitando (talvez a mesma carne que roubou da pia) por toda a madrugada? E a aflição de vê-los se coçando o dia todo e, em alguns casos, por dias, quanto vale? E as consultas e até cirurgias gastas, ao longo desse tempo, com Veterinários? E os banhos e as tosas, quanto custaram?
Como sabemos bem, de uma maneira simplificada, contabilidade é uma via de mão dupla, ou seja, tem crédito e débito. E, ao final ‘das contas’, o que realmente importa é a diferença entre eles. No caso da análise ‘financeira’, o ideal (e o que todos querem) é que essa diferença, no balanço final, seja um crédito maior do que o débito (o que nem sempre é possível).
Mas, de que maneira posso fazer a ‘contabilidade do convívio’? Quanto ‘custou’ o relacionamento que tive com esse(s) animalzinho(s)? Qual foi o ‘balanço final’ dessa ‘operação’? Com quem ficou o ‘lucro’, afinal? Houve prejuízo? Pois bem, para os mais céticos, decepção: nem tudo é calculado matematicamente! Para o restante das pessoas, refaço a pergunta: Quanto vale a vida de um animal, seja ele seu ou de outros?
Para essa questão, é necessário contabilizar o tempo e as sensações e emoções vividas e proporcionadas ao longo desse tempo. E essa é uma ‘moeda’ individual, para cada indivíduo, que terá seu próprio ‘câmbio’ para contagem do mesmo. Quantas alegrias e risadas memoráveis, experiências únicas e maravilhosas, mas que não tem como voltar ou repetir, pois são situações espontâneas, que nos deixaram perplexos pela quantidade de ‘inocência’ e desprovidas de qualquer malícia, depositadas em atitudes de relacionamento em que insistimos em explicar como... ‘inexplicável’! Será que todas as preocupações, gastos e decepções talvez tenham sido mais pela falta de um comportamento ‘racional’ esperado para um Ser Humano, mas improvável para um animal irracional, do que propriamente dito ‘culpa’ dos bichinhos?
Será que a rotina humana atual fez-nos esquecer do que realmente são os animais para o mundo, para nós e o que somos nós para eles? Não podemos depositar todos nossos anseios, frustrações e conseqüências da vida sobre eles! Eles não merecem; e nós, também não! Somos responsáveis e cuidamos de animais pela troca intensa e recíproca de amor. E temos a obrigação de saber tudo o que envolve a vida do bichinho que escolhemos para cuidarmos, como tipo de manejo (alimentação, vacinas, higiene, etc), ‘regras de convívio social’ que as espécies tem (e que são diferentes das humanas) e todas as outras necessidades envolvidas em uma relação entre protetor humano e protegido animal, inclusive o ‘tempo de vida previsto’ para cada espécie animal. Essa consciência é tão importante quanto os gastos com a manutenção, pois desse modo sofremos menos, nós e os nossos bichos, principalmente em relação à ‘durabilidade’ da vida deles. Realmente, sob o ponto de vista da vida humana, eles vivem menos tempo, mas qual a intensidade desse viver?
Então, pode-se dizer, a vida vale o mesmo valor do seu tempo! Aquele que vocês conviveram, contando a intensidade com o qual vocês se relacionaram durante esse tempo! Não importa se você acolheu um animalzinho já doente, um ‘sadio’ ou mesmo um hiperativo... vale a intensidade com a qual você cuidou dele e a intenção que você depositou nisso tudo! Toda e qualquer reação ou resposta que venha do lado do “animal”, nada mais é do que o “troco” dado exatamente pelas suas ações, intenções e intensidade delas!
Então, tem jeito de comprar 1 milésimo de segundo, que seja? Se a sua resposta for “não tem como mensurar isso!”, então pode ser que você tenha entendido, agora, qual o real valor de tudo isso.
Em algumas situações ficamos lamentando ao invés de agir, e perdemos tempo precioso com isso. Não se lamente por ser ‘pouco tempo que eles vivem’ ou por ele ter ‘determinada doença cruel’, pois se você está incomodado somente com isso, então você e ele irão sofrer mais. Ao invés disso, tome atitudes, valorize e aproveite muito bem o tempo de relacionamento com seus animais de estimação e deposite todo o amor que puder, pois assim, receberá esse valor multiplicado em muito mais. E não ‘viva por eles’ mas, ‘viva com eles’!


*ROGÉRIO CALÇADO MARTINS – médico-veterinário – CRMV/MG 5492
*Especialista em Clínica e Cirurgia Geral de Pequenos Animais (Pós-graduação “lato sensu”)
*Membro da ANCLIVEPA (Associação Nacional de Clínicos Veterinários de Pequenos Animais)
*Consultor Técnico do Site  www.saude animal.com.br
*Proprietário da Clínica Veterinária VETERICÃO (São Sebastião do Paraíso/MG)

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