CAMINHONEIROS

"Paralisação de caminhoneiros em Paraíso cresce só termina quando reivindicações forem atendidas"

Por: João Oliveira | Editoria: transporte | 22/05/2018 | Visualizações: 9388

Paralisação foi decidida em assembleia que reuniu pelo menos 80 caminhoneiros - Foto de Nelson P. Duarte/Jornal do Sudoeste

A paralisação de caminhoneiros entra no seu segundo dia e já atinge pelo menos 20 estados brasileiros. Em São Sebastião do Paraíso, a paralisação iniciada na segunda-feira, 21, no KM 1 da MG-050, foi decidida em assembleia da categoria que reuniu pelos 80 caminhoneiros, e já reúne mais de 200 manifestantes, conforme último balanço divulgado pelos representantes do movimento no município. Em sua maioria, são caminhoneiros autônomos que deixaram os veículos em suas garagens.
A Petrobrás anunciou que a partir desta quarta-feira, 23, reduzirá os preços da gasolina em 2,08% e o do diesel em 1,54% nas refinarias, mas movimento dos caminhoneiros continua forte e, segundo líderes do movimento, ainda não houve negociação com a categoria. Em São Sebastião do Paraíso há a união de três sindicatos dos caminhoneiros que vêm organizando o movimento, entre eles a Associação de Assistência dos Proprietários de Veículos Automotores de Paraíso (Aproves), a Associação de Proteção dos Transportadores Autônimos de Cargas de São Sebastião do Paraíso (Aprocam) e da Associação Transporte Rodoviário de Paraíso da cidade de São Sebastião do Paraíso (Atropar).
De acordo com o presidente da Aprocam, Antônio Sudário Arantes, nunca antes na história das paralisações em luta por seus direitos, o movimento dos caminhoneiros esteve tão unido no município. Segundo ele, a classe tem se conscientizando e grande parte dos caminhoneiros tem aderido à causa por vontade própria. "O movimento tem sido bem pacífico e agora os caminhoneiros estão aderindo por vontade própria porque sabem que a situação está insustentável para a nós, não estamos dando conta de tocar tendo em vista todas essas altas do preço do combustível", ressalta.
Em relação à baixa anunciada pela Petrobrás, o presidente da Aprocam a define como "tapeação". "Isso aconteceu porque houve queda do dólar, é tudo tapeação e não vamos parar o movimento enquanto não houver uma redução real no valor do combustível e não temos data marcada para parar, pode ser dois dias, oito dias ou quinze, iremos até termos nossas reivindicações atendidas. Essas propostas de centavos não resolvem nada para nós", destaca.
Segundo Arantes, a balanço é de que haja pelo menos 250 caminhões parados em Paraíso em decorrência da greve. Segundo conta, a paralisação tem acontecido em diversos pontos da região, como Passos, Cássia, Lavras, Capetinga, Guaxupé e no trevo para Altinópolis. "Tenho 45 anos de estrada e em Paraíso essa já é a quarta ou quinta paralisação que acontece e nenhum teve a adesão que está acontecendo nesse momento; antes tínhamos que brigar para os colegas aderirem, mas hoje os caminhoneiros têm feito isto por contra própria, estão mais conscientes", completa.
Conforme já havia explicado o presidente da Aproves, Joaquim Assis Moraes, a reportagem do Jornal do Sudoeste, a principal reivindicação da categoria é para que o preço do combustível seja reduzido. "Como eles irão abaixar o preço eu não sei, se é tirando imposto sobre o litro do petróleo,  o que queremos é que reduzam o preço dos combustíveis, principalmente do diesel, que é o que está acabando com o caminhoneiro", destaca. 
Outra reivindicação da categoria, de acordo com Moraes, é em relação ao preço do pedágio. Segundo explica, o caminhoneiro paga o valor estipulado pelo pedágio por eixo do caminhão, ou seja, se o condutor de um carro de passeio paga R$5,50 o caminhoneiro irá pagar até 10 vezes mais esse valor e um único pedágio, porque cobra-se até pelos eixos levantados. Ele acredita que é preciso haver auditoria envolvendo as concessionárias responsáveis pelos pedágios já que, segundo afirma, é um absurdo o preço que é cobrado ao caminhoneiro.
"Essa reivindicação pelo preço do pedágio é antiga, desde 1999, quando fizemos o primeiro movimento, brigamos por isso, não aguentamos mais pagar tanto pedágio para dirigir em rodovias em péssimas condições. É um pedágio atrás do outro: de Mococa a Casa Branca, que são apenas 28 KM, são dois pedágios. Essas são as principais reindicações, porque sabemos que as demais nunca serão atendidas, entre elas o tabelamento do valor do frete", conta.
Conforme Joaquim Moraes, após paralisação de 2015, quando caminhoneiros lutaram pelos mesmos motivos, o governo perdeu a credibilidade com a classe. "Manifestamos nos àquela época,  foi falado que poderia encerrar o movimento porque  nossas reivindicações seriam atendidas e a categoria confiou no governo. Mas desta vez não, não iremos parar o movimento enquanto não for publicado no Diário Oficial da União, não estaremos dispostos a liberar as pistas", completou.
O movimento havia seguido tranquilo no município até que por volta das 11h de segunda, quando o condutor de um caminhão de uma concessionária de gás não atendeu ao pedido dos colegas para parar e furou o bloqueio em alta velocidade, quase atropelando manifestantes. O caso gerou confusão e alguns manifestantes foram atrás, e interceptaram o condutor na balança, próximo ao Posto da Polícia Rodoviária Estadual, fazendo com que o caminhão retornas-se. 
Não existe previsão para que o movimento termine e no município. A Polícia Estadual Rodoviária acompanha a paralisação. Manifestantes têm parado caminhões e mantido o fluxo no trânsito para carros de passeio e ônibus.

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