GREVE

Temer anuncia intervenção das Forças de Segurança: caminhoneiros dizem que paralisação continua

“Ele não pode nos obrigar a ir trabalhar. Não é com repressão ou sem que iremos voltar às atividades, não temos condições”, diz o presidente da APROVES

Por: João Oliveira | Editoria: transporte | 25/05/2018 | Visualizações: 6937

Rodovias de 25 Estados e do Distrito Federal continuam bloqueadas por protestos. Em consequência da greve, supermercados têm sido desabastecidos; postos de combustíveis estão sem etanol, gasolina e diesel - Foto de Nelson P. Duarte/Jornal do Sudoeste

Em pronunciamento em rede nacional na tarde desta sexta-feira (25/5), o presidente da República, Michel Temer, anunciou que as Forças Federais de Segurança, entre elas Forças Armadas, Polícia Federal, Polícia Rodoviária e a Força Nacional, irão agir para desbloquear rodovias a partir desta sexta. A tentativa do presidente visa pôr fim a greve nacional da categoria que a cada dia ganha mais apoio da sociedade brasileira.
Nessa sexta, a paralisação dos caminhoneiros contra a alta do preço do diesel completou cinco dias e apesar do acordo proposto pelo governo na quinta-feira, a greve continua. Rodovias de 25 Estados e do Distrito Federal continuam bloqueadas por protestos. Em consequência da greve, supermercados têm sido desabastecidos; postos de combustíveis estão sem etanol, gasolina e diesel; universidades e escolas estaduais e municipais tiveram aulas suspensas; voos e outros transportes coletivos estão comprometidos.
Segundo Temer, desde o início da semana os brasileiros vêm sofrendo com a paralisação dos caminhoneiros e que desde domingo o governo vem tomando providências para atender as demandas, culminando com suposto acordo assinado por lideranças da categoria e que não foi acatada por toda a classe.  "Não vamos permitir que a população fique sem gêneros de primeira necessidade. Não vamos permitir que os hospitais fiquem sem insumos para salvar vidas. Não vamos permitir que crianças sejam prejudicadas pelo fechamento de escolas. Como não vamos permitir que produtores tenham seu trabalho mais afetado", afirmou Temer.
O presidente disse que apenas uma “minoria radical”, que não chegaria a 30%, tem causado todo o transtorno e impedido que colegas caminhoneiros cheguem aos seus destinos. “Atendemos 12 reivindicações prioritárias dos caminhoneiros, que se comprometeram a encerrar a paralisação imediatamente. Esse foi o compromisso conjunto. Esse deveria ter sido o resultado do diálogo”, disse o presidente, alegando ainda que “muitos caminhoneiros, aliás, estão fazendo sua parte, mas infelizmente uma minoria radical tem bloqueado estradas, impedido que muitos caminhoneiros levem adiante o seu desejo de atender a população e fazer o seu trabalho”.
Na tarde desta sexta-feira houve carreata em apoio à paralisação em diversas cidades do Brasil. Em Paraíso, condutores de ônibus, mototaxistas entre outros motoristas se juntaram para promover “buzinaço” que percorreu a cidade. Segundo o presidente da Associação de Assistência dos Proprietários de Veículos Automotores de Paraíso (Aproves), Joaquim Assis Moraes, o acordo do governo feito com os representantes na noite de quinta-feira, não é o que fará com que o movimento seja encerrado. “O caminhoneiro não aceitou essas propostas, independente desse acordo ou não com aqueles representantes. Não temos condições de trabalhar. Se houver intervenção das forças de segurança, podemos não parar na rua, mas ficaremos em casa porque a situação está insustentável”, afirmou. 
Ainda, segundo Moraes, por enquanto a paralisação continua. “Ele não pode nos obrigar a ir trabalhar. Não é com repressão ou sem que iremos voltar às atividades, não temos condições”, completou.

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